Lição 1. 5 de Julho de 2015 . Uma Mensagem à Igreja Local e à Liderança




Lição 1
5 de Julho de 2015
Uma Mensagem à Igreja 
Local e à Liderança

TEXTO ÁUREO
"Ninguém despreze a tua mocidade; as sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza."  
(1 Tm 4.12)

VERDADE PRÁTICA

As cartas pastorais reúnem orientações à liderança cristã e aos membros em geral para que vivam conforme a vontade de Deus

LEITURA DIÁRIA

Segunda - 1 Tm 1.2
O cuidado paternal pelo jovem obreiro
Terça - Ef 6.17
A Palavra de Deus é a "espada do Espírito"
Quarta - Gl 4.9-11
O pastor deve ter cuidado com o legalismo
Quinta - At 15.19,20
De que os crentes gentios deveriam se abster
Sexta - 1 Co 5.7a
Paulo alerta a respeito do cuidado com o "fermento velho" 
Sábado - 2 Tm 2.15
Preparado para manejar a Palavra da verdade

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
1 Timóteo 1.1,2; Tito 1.1-4

1Tm 1.1 - Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, segundo o mandado de Deus, nosso Salvador, e do Senhor Jesus Cristo, esperança nossa,
2 - a Timóteo, meu verdadeiro filho na fé: graça, misericórdia e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e da de Cristo Jesus, nosso Senhor.
Tt 1.1- Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, segundo a fé dos eleitos de Deus e o conhecimento da verdade, que é segundo a piedade,
2 - em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos,
3 - mas, a seu tempo, manifestou a sua palavra pela pregação que me foi confiada segundo o mandamento de Deus, nosso Salvador,
4 -  a Tito, meu verdadeiro filho, segundo a fé comum: graça, misericórdia e paz, da parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador.
OBJETIVO GERAL
Apresentar um panorama geral das epístolas paulinas de Timóteo e Tito.
HINOS SUGERIDOS: 210, 225 e 515, da Harpa Cristã

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.
  1. Introduzir as epístolas pastorais de Timóteo e Tito.
  2. Conhecer os propósitos das epístolas de Timóteo e Tito. 
  3. Conscientizar a respeito da atualidade das epístolas pastorais.
  4. Explicar o conteúdo da mensagem de Paulo para a liderança.
INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Prezado professor, neste terceiro trimestre do ano, estudaremos a respeito das epístolas de Timóteo e Tito.  O autor destas cartas é o apóstolo Paulo. Ele as escreveu com o objetivo de orientar e confortar dois jovens pastores, Timóteo e Tito. A cada lição estudada, você verá que os conteúdos destas epístolas são repletos de bons conselhos que podem ajudar líderes e liderados a viverem conforme a vontade de Deus. 
O comentarista é o pastor Elinaldo Renovato de Lima - autor de diversos livros, líder da Assembleia de Deus em Parnamirim, RN.
O enriquecimento espiritual que advirá do estudo de cada lição será sentido na liderança e em cada membro da Igreja de Cristo.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Neste trimestre teremos a oportunidade ímpar de estudar as Epístolas de 1 e 2 Timóteo e Tito. Estas cartas, em geral, são consideradas um conjunto, já que foram dirigidas a dois jovens pastores que cuidavam do rebanho do Senhor juntamente com Paulo. O conteúdo delas está repleto de conselhos úteis sobre a estrutura da vida na igreja. Estes conselhos fazem destas cartas verdadeiros manuais eclesiásticos para a liderança das Igrejas de hoje. 

I - AS EPÍSTOLAS PASTORAIS
1. Cartas pastorais. As três epístolas que estudaremos são chamadas de cartas pastorais, e isso se deve ao fato de terem sido elas endereçadas a dois jovens pastores: Timóteo e Tito. Foram escritas por Paulo, um líder itinerante, que estava preocupado com os jovens pastores. Ele os instrui de modo cuidadoso a respeito do trato com a Igreja e com seus ministérios. 
2. Datas em que foram escritas. A Primeira Epístola de Timóteo foi escrita por volta de 64 d.C., entre a primeira e a segunda prisão de Paulo, e enviada de Roma ou da Macedônia (talvez Filipos). Em seguida, por volta de 65 d.C., foi escrita a Carta a Tito. Já a Segunda Epístola de Timóteo foi escrita em torno de 67 d.C., quando do segundo encarceramento do apóstolo, e antes de sua morte. Faz parte das "cartas da prisão", ao lado de Filipenses, Efésios, Colossenses e Filemon. 
3. Conteúdo. Estas epístolas formam um conjunto literário, devocional e doutrinário, em que se observam o mesmo vocabulário, o mesmo estilo e os mesmos propósitos para qual foram escritas. A estrutura foi elaborada com o intuito de alcançar seus destinatários com solenes ensinos e advertências da parte de Deus. O conteúdo pode ser resumido da seguinte maneira: 
a) Saudação.  Nas saudações aos destinatários, Paulo demonstra o seu cuidado para com os jovens obreiros (1 Tm 1.2; Tt 1.1-4; 2 Tm 1.1,2); 
b) Qualificações ministeriais. Paulo demonstra que para ser Ministro do Evangelho, há requisitos a serem respeitados (1 Tm 3.1-13; Tt 1.5-9); 
c) Alerta contra os falsos mestres e as falsas doutrinas (1 Tm 4.1-5; Tt 1.10-16). Falsos mestres e falsas doutrinas já existiam nas igrejas e infelizmente ainda existem em muitos lugares;
d) O cuidado com a "sã doutrina" (1 Tm 1.10; 6.3; 2 Tm 1.13; 4.3; Tt 2.1); a falta desse cuidado contribui para a disseminação das heresias e desvios de toda a espécie;
e) Comportamento e conselhos a diversos grupos (1 Tm 5.1-25; Tt 2.1-10). Paulo fala a respeito dos servos, senhores, pais, filhos, jovens e outros grupos.

PONTO CENTRAL
As epístolas de Timóteo e Tito apresentam orientações aos líderes e membros quanto à vida pessoal e cristã
SÍNTESE DO TÓPICO I

As epístolas pastorais receberam esta designação pelo fato de terem sido escritas e enviadas a dois pastores.

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“O centro do ensino de Paulo a Timóteo concentra-se no modo de vida que é apropriado dentro da igreja. As suas lições falam de oração (2.1-8), mulheres (2.9-15), a escolha de ‘bispos’ (3.1-7) e ‘diáconos’ (3.8-13) e concluem com uma liturgia de louvor (3. 14-16). Estas lições têm o objetivo de ajudar na igreja do Deus vivo’. A seguir, Paulo passa a falar do próprio Timóteo. É aparente que, embora Paulo amasse muito Timóteo, e o enviasse em importantes missões. Timóteo, por natureza, era tímido e hesitante. Por isto as palavras de Paulo parecem, às vezes, ir além do incentivo e da exortação. Paulo lembra Timóteo de que ele pode esperar falsos ensinos infectando as igrejas, e que o seu dever é ‘propor’ a verdade aos irmãos (4.1-10). Mas Timóteo deve fazer ainda mais. Ele deve ‘mandar e ensinar’ a verdade, e não permitir que alguém ‘despreze’ sua ‘mocidade’. E as exortações prosseguem: Timóteo deve ‘meditar nestas coisas’, ‘ocupar-se nelas’ e ‘perseverar nelas’ (4.10-16)” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1. ed. Rio de
Janeiro: CPAD, 2007, p. 467).

CONHEÇA MAIS
*Cartas pastorais
“Aparentemente, a primeira carta a Timóteo foi escrita no período em que Paulo esteve preso em Roma. A segunda carta a Timóteo foi escrita durante seu segundo encarceramento. Desta vez o apóstolo não conseguiu sobreviver. Pelas várias referências, fica claro por essas cartas e pelo testemunho da história, que as epístolas pastorais datam próximas do final da Era Apostólica. Somente os originais das cartas de João, podem ser mais
antigos.” Leia mais em Guia do Leitor da Bíblia, CPAD, p. 830.

II - PROPÓSITO E MENSAGEM
As cartas pastorais de 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito tinham em comum os seguintes propósitos:
1. Orientar os líderes quanto à vida pessoal. Paulo exorta o jovem pastor Timóteo dizendo que ele deveria servir como exemplo em tudo (1 Tm 4.12, 16). Para estar na liderança de uma igreja local é imprescindível ter uma vida exemplar. Também é necessário  e importante que o líder saiba cuidar bem de sua vida familiar (1 Tm 3.1-13), a fim de que sua esposa e filhos tenham uma boa conduta. 
2. Combater as heresias. Paulo sabia das diversas heresias que ameaçavam as igrejas locais. O apóstolo estava preocupado com os crentes que já haviam sido seduzidos pelo judaísmo. O judaísmo exigia o cumprimento de vários rituais e liturgias, contudo Jesus nos ensinou uma nova maneira de cumprir a Lei e de viver. Jesus fez uma Nova Aliança com a humanidade mediante seu sacrifício na cruz. Naquele tempo havia também o perigo do gnosticismo, ou seja, uma filosofia herética, que defendia o dualismo, segundo o qual a matéria é má e o espírito é bom. Por isso, negava a encarnação de Cristo, pois o corpo, sendo matéria, contaminaria seu espírito. Paulo deixou Timóteo em Éfeso para amenizar os estragos dessa heresia, que se infiltrou no meio dos crentes, sob influência de Himeneu e Alexandre (1 Tm 1.19,20). 

 A falta de cuidado com o ensino da sã doutrina contribui para a disseminação das heresias e desvios de toda a espécie.

SÍNTESE DO TÓPICO II
As epístolas de Timóteo e Tito tinham como propósitos orientar os líderes quanto à vida pessoal e no combate as heresias.
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“A responsabilidade imediata de Timóteo era esta: ‘Para advertires a alguns que não ensinem outra doutrina’. O apóstolo não nos informa a quem ele se referia quando emitiu esta ordem; Timóteo provavelmente já sabia muito bem quem eram os envolvidos. Paulo usa termos vagos para descrever a natureza destas heresias: Fábulas ou... genealogias intermináveis, que mais produzem questões do que edificação de Deus, que consiste na fé. Mesmo que seja impossível concluir com plena certeza quais eram esses ensinos que o apóstolo percebia que estavam minando a fé dos cristãos efésios, não é forçar a interpretação sugerir que se tratava de um começo de gnosticismo. A heresia conhecida por gnosticismo, que no século II se tornou ameaça séria à integridade do ensino cristão, tinha raízes judaicas e gentias. Houve três fases sucessivas da influência judaica na igreja primitiva. A segunda era a fase judaizante que Paulo combateu com tanta eficácia na Epístola aos Gálatas. É sobre a terceira fase, em que havia ‘revelações fingidas sobre nomes e genealogias de anjos’, que o apóstolo procura avisar Timóteo” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p. 452).

III - UMA MENSAGEM PARA A IGREJA LOCAL E A LIDERANÇA DA ATUALIDADE 

Estamos vivendo os tempos trabalhosos que Paulo falou em 1 Timóteo 4.1,2. Precisamos estar atentos, por isso, vamos estudar duas heresias da atualidade. Estas precisam ser confrontadas com a Palavra de Deus. 
1. O "evangelho" da prosperidade. Um dos mais eminentes defensores, desta falsa doutrina ensinou que "você é tanto uma encarnação de Deus quanto Jesus Cristo o foi. Você não tem um deus dentro de você. Você é um deus". Se o crente é "deus" pode tudo; tudo o que disser tornar-se-á realidade (confissão positiva); e terá o mundo e as riquezas que desejar, sem pobreza nem enfermidades. À luz da Palavra de Deus, tal ensinamento equivale a orgulho, presunção e soberba. Sabemos que Deus abomina toda altivez (Pv 6.16-19) e que tal ensino é contrário as Escrituras Sagradas. Somos criaturas, temos falhas e sem Deus nada somos e nada podemos. O poder e a majestade são dEle.
2. Apostasia dos últimos dias. Paulo adverte aos crentes quanto ao que está acontecendo nos dias atuais, onde muitos estão abandonando a fé em Cristo. Em Tito, ele faz advertência semelhante sobre falsos líderes, contradizentes e de torpe ganância (Tt 1.9-13). Precisamos estar atentos para que os ensinos heréticos e a apostasia não alcancem a Igreja do Senhor.  O líder tem a responsabilidade de zelar pela sã doutrina. 

SÍNTESE DO TÓPICO III
Embora tenha sido escrita em um tempo distinto do nosso, podemos encontrar nas cartas pastorais, ensinos preciosos para a liderança local e para a igreja dos dias atuais. 

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
"O Espírito Santo revelou explicitamente que haverá, nos últimos tempos, uma rebeldia organizada contra a fé pessoal em Jesus Cristo. Aparecerão na igreja pastores de grande capacidade e poderosamente ungidos por Deus. Alguns realizarão grandes coisas por Deus, e pregarão a verdade do evangelho de modo eficaz, mas se afastarão da fé e paulatinamente se voltarão para espíritos enganadores e falsas doutrinas. Por causa da unção e zelo por Deus que tinham antes, desviarão muitas pessoas.
Muitos crentes se desviarão da fé porque deixarão de amar a verdade (2 Ts 2.10) e de resistir às tendências pecaminosas dos últimos dias. Por isso, o evangelho liberal dos ministros e educadores modernistas encontrará pouca resistência em muitas igrejas" (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p. 1870).
IV -  MENSAGEM PARA A LIDERANÇA  

1. Administração eclesiástica. Em 1 Timóteo 3.1-12 e em Tito 1.5-9, vemos um conjunto de qualificações que aqueles que desejam liderar uma igreja necessitam ter. Infelizmente, em muitas igrejas, nem sempre estas recomendações são observadas. Porém, a liderança exige esforço. É necessário que o pastor tenha uma vida santa e irrepreensível.  É preciso esforço e disciplina. Observe com atenção, algumas das qualificações necessárias ao líder: Irrepreensível, marido de uma só mulher, que tenha filhos fiéis, não soberbo, não iracundo, não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante, retendo firme a Palavra, capaz de admoestar com a sã doutrina, etc. 
2. Ética ministerial. Na Segunda Epístola a Timóteo, Paulo diz que o ministro deve apresentar-se a Deus "aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar; que maneja bem a palavra da verdade" (2.15). A verdadeira liderança se estabelece pelo exemplo, pelo testemunho, muito mais do que pela eloquência, pela oratória ou pela retórica. Não são os diplomas de um pastor que o qualificam como líder cristão, mas seu exemplo, sua ética, diante de Deus e da igreja local. Paulo tinha condições de ensinar liderança e ética, pois sua vida era exemplo para a igreja e para os de fora  (Fp 3.17; 1 Co 11.1). 
O líder cristão não é o que "manda", mas o que serve. Não é o maior, e sim o menor (Mt 20.24-28).

SÍNTESE DO TÓPICO IV
As epístolas de Timóteo e Tito apresentam um conjunto de qualificações que aqueles que desejam a liderança devem ter.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
"A liderança é essencial à vida e missão da igreja. Sem ela, a igreja tropeça e cai num curso incerto em sua peregrinação rumo a um lugar melhor. Sem liderança, a igreja não é capaz de cumprir seus propósitos de ministrar eficazmente aos de dentro e alcançar os de fora, nem pode render a Deus a glória que Ele merece.
O pastor é a pessoa chamada para prover a liderança final da igreja, não importando o sistema administrativo dela. O sucesso da igreja depende em grande parte de sua capacidade de liderança.
Liderança é bíblica. A ideia de alguém liderando outros está fundamentada nas Escrituras. Assumir papel de líder na igreja de Deus e esperar que outros sigam seu exemplo não é egoísmo, autoritarismo, condescendência nem pecado. Temos certeza disso porque as Escrituras deitam as bases e os princípios da liderança cristã " (MACARTHUR, John. Ministério Pastoral: Alcançando a excelência no ministério cristão. 7. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, pp. 294-5).

CONCLUSÃO
As cartas pastorais contêm doutrinas e exortações quanto a assuntos práticos, mas também diretrizes gerais sobre liderança, designação de obreiros, suas qualificações, as responsabilidades espirituais e morais do ministério; do relacionamento com Deus, com os líderes e das relações interpessoais. São riquíssimas fontes de ensino para edificação das igrejas locais nos tempos presentes.

PARA REFLETIR
A respeito das Cartas Pastorais:


Quais as epístolas estudaremos neste trimestre?
1 e 2 Timóteo e Tito.

Quem escreveu as cartas a Timóteo e Tito?
Elas foram escritas por Paulo. 

Em que data, aproximadamente, foi escrita a Primeira Epístola de Timóteo?
Foi escrita no ano de 64 d.C. (aproximadamente).

Quais eram os propósitos de 1 e 2 Timóteo e Tito? 
Orientar os líderes quanto à vida pessoal e combater as heresias. 

De acordo com a lição, o líder é quem manda ou quem serve?
O líder cristão não é o que "manda", mas o que serve. Não é o maior, e sim o menor.

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 63, p. 37. 
Você encontrará mais subsídios para enriquecer a lição. 

SUGESTÃO DE LEITURA
Uma Pedagogia para a Educação Cristã

A educação cristã é geralmente exercida por professores leigos, sem uma formação que lhes dê suporte. Porém, a complexidade dos problemas atuais não comporta mais uma prática de ensino do senso comum, restrita à catequese e a reprodução manual.
Guia do Leitor da Bíblia

Este livro apresenta a introdução e o esboço de cada livro da Bíblia, versos-chave, referências, costumes, descobertas arqueológicas, mapas, cartas e um índice com os temas principais
Comentário Bíblico - Epístolas Paulinas

O autor, com a habilidade que lhe é peculiar, faz um breve comentário das cartas escritas pelo apóstolo Paulo. Ele aborda pontos-chave como o Plano da salvação, a Lei e a Graça, vida cristã e outros temas.

Lição 7. 17/05/2015 para jovens, JESUS, O MESTRE DA JUSTIÇA

Lição 7
17/05/2015

JESUS, O MESTRE 
DA JUSTIÇA

TEXTO DO DIA
"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos"(Mt 5.6).
SÍNTESE
A justiça ensinada por Jesus retribui o pecado, restaura o homem caído e cuida do necessitado


Agenda de leitura

SEGUNDA - Sl 119.142
Justiça eterna
TERÇA - Sl 89.14
A base do trono
QUARTA - 1 Jo 3.7
Aquele que pratica a justiça é justo
QUINTA - Fp 1.11
Frutos de justiça
SEXTA - Dt 16.20
Seguindo a justiça
SÁBADO - Sl 82.3
Fazei justiça ao pobre
TEXTO BÍBLICO
Mateus 3.13-15
13. Então, veio Jesus da Galileia ter com João junto do Jordão, para ser batizado por ele.
14. Mas João opunha-se-lhe, dizendo: Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim?
15. Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então, ele o permitiu.
Mateus 5.6,10,20
6. bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;
10. bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus;
20. Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus.
Mateus 6.1-4
1. Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus.
2. Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
3. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita,
4. para que a tua esmola seja dada ocultamente, e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos a respeito de Jesus como o Mestre da Justiça. Além de ter cumprido toda a justiça de Deus (Mt 3.15), Ele ensinou os seus discípulos aplicando-a de forma graciosa, misericordiosa e generosa. Na aula de hoje, teremos a oportunidade de aprender que a justiça bíblica é uma virtude, de acordo com o padrão divino, e não uma mera teoria. Veremos que é preciso colocar em prática a retidão divina em todas as áreas das nossas vidas, seja nas decisões pessoais quanto no tratamento das outras pessoas. 

I -  JESUS, O MESTRE QUE CUMPRIU TODA JUSTIÇA (Mt 3.15)

1. Antecedentes do Antigo Testamento. No Antigo Testamento, justiça - ao lado da Lei - é um dos temas centrais no relacionamento entre Jeová e seu povo, e significa de forma geral a virtude pela qual se age com retidão, justeza e integridade, de acordo com o padrão divino (Êx 9.27). Aqueles que assim procedem são chamados de justos (Gn 6.9; 18.26, Jó 22.19, Sl 1.6; 14.5). Conforme assinala a Bíblia de Estudo Palavra-Chave, sedaqah, um dos termos hebraicos usados para justiça,"descreve a postura e as ações que Deus possui e que espera que seu povo também preserve. Ele é inequivocamente justo; a justiça é inteiramente sua prerrogativa. Seu povo deve semear justiça e, como recompensa, receberá justiça (Os 10.12). Ele trata com seu povo segundo a irrepreensibilidade que eles demonstram (2 Sm 22.21; Ez 3.20)". O termo refere-se ainda à punição do erro e à condição daqueles que foram justificados, isto é, considerados inocentes (Jó 11.2; Is 50.8).
2. Israel e a justiça social. A justiça para Israel também possuía um aspecto social, envolvendo o cuidado com os pobres e vulneráveis (Mq 6.8). Nestas passagens bíblicas, justiça (hb. mishpat) denota a necessidade de tratamento igualitário aos menos afortunados, aos órfãos, às viúvas e aos estrangeiros (Jr 22.3). Enquanto povo escolhido, Israel deveria implantar uma cultura de justiça e paz, agindo com generosidade em relação ao próximo. A Lei mosaica, inclusive, estabelecia uma série de disposições contra a opressão aos pobres (Êx 22.25). Por essa razão, no livro de Provérbios encontramos: "O que oprime ao pobre insulta aquele que o criou, mas o que se compadece do necessitado honra-o" (Pv 14.31).
3. Jesus e o cumprimento de toda a justiça. Em o Novo Testamento, a justiça (gr. dikaiosyne) divina tem o seu pleno cumprimento em Jesus Cristo (Mt 3.15). Uma vez que Deus é santo e justo, e considerando que a justiça envolve a retribuição implacável pelo delito, o pecado cometido por Adão no Éden deveria receber a adequada punição. Jesus, portanto, se oferece para o cumprimento da pena e satisfação da justiça divina, consumada na cruz do Calvário (Jo 19.30), de forma substitutiva para remissão dos pecados do homem (Rm 3.25). O Juiz Celestial que decretou a sentença de condenação é o mesmo que enviou o seu Filho Unigênito para cumpri-la. Que maravilhosa graça!.

Pense
O Juiz Celestial que decretou a sentença de condenação é o mesmo que enviou o seu Filho Unigênito para cumpri-la.
Ponto Importante
Jesus cumpriu toda a justiça na cruz do Calvário, de forma substitutiva para remissão dos pecados do homem
II - JESUS ENSINA A PRÁTICA DA JUSTIÇA (Mt 6.33)
1. A primazia do Reino. Jesus é o Mestre da justiça porque além de tê-la vivenciado em toda a sua plenitude, ensinou aos discípulos sobre a sua prática. De modo magistral, Ele enfatizou: "Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas" (Mt 6.33). Logo, o Reino e a sua justiça devem ser o foco principal de todo cristão, posto que proporciona, por consequência, as coisas básicas da vida, isto é: comer, beber e vestir (Mt 6.25). De modo contrário, muitos invertem as prioridades da vida cristã, destacando os bens materiais e as bênçãos terrenas em detrimento da justiça divina. No meio eclesiástico, ouve-se o ressoar de jargões que decretam "bênçãos" e "vitórias", mas raramente escuta-se o clamor por justiça. Isso acontece porque a busca pela justiça requer renúncia. Mas poucos estão dispostos a sofrer perseguição por causa dela (Mt 5.10).
2. Famintos e sedentos por justiça. No Sermão do Monte, o Mestre incluiu a justiça como uma das características das bem-aventuranças: "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos" (Mt 5.6). Jesus faz alusão a duas sensações naturais que exprimem a ideia de forte aspiração do ser humano. Em outras palavras, o Nazareno está propondo que aqueles que possuem o desejo ardente por justiça são mais que felizes. O verdadeiro cristão, portanto, abalizado no amor ágape, não tolera e muito menos se alegra com a injustiça (1 Co 13.6), com a desigualdade e com a opressão. O discípulo de Jesus não tenta lucrar à custa dos outros e, também, não busca resolver seus problemas pessoais por meio do "jeitinho brasileiro". Ele é justo em todo o seu proceder.
3. Justiça que retribui, restaura e cuida. A justiça que procede de Deus (Sl 119.149) é plena e deve irradiar para todas as áreas da vida humana, abrangendo tanto o aspecto moral quanto social. Jesus, ao adotar o padrão de retidão divina, confrontou o erro e apontou a retribuição para o pecado (Mt 8.12), mas também deu exemplos da justiça restaurativa que, por intermédio de seu perdão, restabelece o homem à condição de Filho de Deus (Jo 8.11). Além disso, a justiça do Mestre dos mestres é uma justiça que se importa e cuida do pobre e carente (Mt 19.21).
Pense
No meio eclesiástico, ouve-se o ressoar de jargões que decretam "bênçãos" e "vitórias", mas raramente escuta-se o clamor por justiça.
Ponto Importante
Jesus ensinou a justiça divina de forma plena. Ela retribui o pecado, restaura o homem caído e cuida do necessitado.
III - A JUSTIÇA QUE AGRADA A DEUS (Mt 5.6; Is 58.6)
1. É misericordiosa. A primeira característica da justiça que agrada a Deus é a misericórdia. Mesmo quando se confronta o erro, é necessário separar o pecado do pecador, condenando a prática e se compadecendo do ser humano, pois a autêntica justiça vem acompanhada da piedade (1 Tm 6.11; Zc 7.9). Aquele que recebeu o divino amor não se alegra com o erro alheio; antes, chora pela sua queda.
2. É graciosa. A graça é exatamente o oposto da justiça. Enquanto a justiça dá a cada um aquilo que lhe é devido, a graça concede um favor imerecido. Nesse sentido, a justiça que agrada a Deus é aquela que é abrandada pela magnífica graça. Esta graça não anula a justiça, dá-lhe mais vida. O exemplo do filho pródigo (Lc 15.11-32) nos mostra que somente a graça é capaz de reverter uma situação desfavorável. Legalmente, ele já havia recebido toda a sua herança e, por isso, seu pai poderia muito bem tê-lo despedido sem conceder-lhe mais nada. Entretanto, a graça prevaleceu e ele foi recebido com festa e presentes. Assim como o irmão mais velho não compreendeu a ação do seu pai, o mundo também não compreende a graça que contrasta a justiça. Somente ela nos dá força e condições de não retribuirmos o mal com o mal e de também não praticarmos a vingança (Rm 12.17-21).
3. É generosa. Por fim, a justiça que agrada a Deus é generosa. Para o servo de Deus, esta generosidade se materializa na ajuda ao pobre e ao necessitado. Jesus criticou os fariseus de sua época em virtude da justiça aparente e legalista praticada por eles, razão pela qual o Mestre afirmou aos discípulos que eles deveriam exceder em muito a justiça dos escribas e fariseus. O profeta Isaías falou sobre desfazer as ataduras do jugo do oprimido, repartir o pão ao faminto, recolher em casa os pobres abandonados (Is 58.6,7). Em Novo Testamento, Tiago sintetizou a importância da generosidade ao afirmar que a fé, sem as obras, é morta (Tg 2.15-17). A justiça generosa não é uma condição para ingressar no Reino, mas a marca daqueles que lá estão. 

Pense
A justiça que agrada a Deus é aquela que é abrandada pela magnífica graça. Esta graça não anula a justiça, dá-lhe mais vida.
Ponto Importante
A justiça que agrada a Deus é, ao mesmo tempo, misericordiosa, graciosa e generosa

CONCLUSÃO
Justiça, portanto, não é uma questão ligada somente ao mundo jurídico e ao Estado. Significa, em síntese, agir de forma correta; fazer a coisa certa. E, como tal, é uma virtude que provém do Altíssimo, a nossa bússola moral para agir com retidão. Em um mundo repleto de injustiças e desigualdades, os discípulos de Jesus têm o desafio de viverem justa e piedosamente, produzindo frutos de justiça (Fp 1.11).

HORA DA REVISÃO
De forma geral, qual o sentido de justiça no Antigo Testamento?
Por que o pecado cometido por Adão no Éden deveria receber a adequada punição?
Qual o sentido da expressão: "Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas" (Mt 6.33)?
Segundo Jesus, por que os que têm fome e sede de justiça são bem-aventurados?
Como é a justiça que agrada a Deus?

Lição 6. 10/05/2015, PRA JOVENS. JESUS, O TEMPLO e a Sinagoga


Lição 6
10/05/2015
JESUS, O TEMPLO 
E A SINAGOGA

TEXTO DO DIA
"E percorria Jesus toda a Galileia, ensinando nas suas sinagogas e pregando o evangelho do Reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo"(Mt 4.23).
SÍNTESE
O templo religioso não é sagrado em si mesmo, mas deve ser tratado com zelo e respeito, como local de reunião, estudo da Palavra e adoração a Deus.

Agenda de leitura

SEGUNDA - Lc 24.53
Lugar de louvor e adoração
TERÇA - Ec 5.1
Lugar de reverência
QUARTA - Ez 43.5
Lugar da glória de Deus
QUINTA - Sl 122.1
Alegria em ir à Casa do Senhor
SEXTA -  1 Co 3.16
O crente é o templo do Espírito
SÁBADO - Ap 21.22
O templo é o Senhor Deus

TEXTO BÍBLICO

João 2.13-17

13. E estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.
14. E achou no templo os que vendiam bois, e ovelhas, e pombos, e os cambiadores assentados.
15. E, tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do templo, bem como os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas,
16. e disse aos que vendiam pombos: Tirai daqui estes e não façais da casa de meu Pai casa de vendas.
17. E os seus discípulos lembraram-se do que está escrito: O zelo da tua casa me devorará.

Lucas 19.45-48

45. E, entrando no templo, começou a expulsar todos os que nele vendiam e compravam,
46. dizendo-lhes: Está escrito: A minha casa é casa de oração; mas vós fizestes dela covil de salteadores.
47. E todos os dias ensinava no templo; mas os principais dos sacerdotes, e os escribas, e os principais do povo procuravam matá-lo
48. e não achavam meio de o fazer, porque todo o povo pendia para ele, escutando-o.

Marcos 1.38-39

38. E ele lhes disse: Vamos às aldeias vizinhas, para que eu ali também pregue, porque para isso vim.
39. E pregava nas sinagogas deles, por toda a Galileia, e expulsava os demônios.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Na lição de hoje, estudaremos a respeito do Templo e as sinagogas nos tempos de Jesus. Vamos entender quais foram as suas características e porque os Evangelhos destacam a presença constante do Mestre em tais ambientes, do seu nascimento ao fim do seu ministério. O estudo das Escrituras sobre esse tema será importante para rechaçar aqueles que menosprezam o templo religioso, assim como a concepção igualmente equivocada e extrema que os considera como edifícios sagrados.

I - JESUS VISITA O TEMPLO (Lc 2.21-29; 41-51)

1. Apresentação no Templo. Logo após o nascimento do menino Jesus, José e Maria, seguindo a tradição judaica, levaram-no para ser apresentado no Templo. O evangelho de Lucas registra que, "cumprindo-se os dias da purificação, segundo a lei de Moisés, o levaram a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor" (Lc 2.22). Isso porque, de acordo com a lei, todo primogênito do sexo masculino deveria ser consagrado a Deus (v. 23; Êx 13.2), depois do período de purificação da mulher (Lv 12.1-8). 
2. Aprendendo no Templo. Uma vez ao ano, os pais de Jesus iam a Jerusalém para participarem da Festa da Páscoa. Em uma dessas ocasiões, quando a família retornava para sua cidade, depois do término da celebração, José e Maria perceberam que o menino não estava entre eles (Lc 2.41-44). Como não o encontravam entre os parentes e conhecidos (v.45), regressaram até Jerusalém à sua procura: "E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. E todos os que o ouviam admiravam a sua inteligência e respostas" (vv. 46, 47).
Este episódio nos mostra o valor que Jesus, ainda moço, dava à Casa de Deus e ao estudo da Palavra; como resultado, Ele crescia não somente em estatura, mas também em sabedoria, e em graça para com Deus e os homens (Lc 2.52). A narrativa bíblica nos leva a compreender que Jesus alegrava-se em sentir a presença de Deus no Templo, aprendendo a sua Palavra. O salmista expressou júbilo semelhante ao dizer: "Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor" (Sl 122.1). Quando não sentimos deleite em estar na Casa de Deus, precisamos rever a nossa vida espiritual.

Pense
Quando não sentimos deleite em estar na Casa de Deus, precisamos rever a nossa vida espiritual.

Ponto Importante
Seguindo a tradição judaica, o menino Jesus foi apresentado no Templo.

II - O TEMPLO E AS SINAGOGAS NOS TEMPOS DE JESUS
1. Templo de Jerusalém. Para Israel, o templo sagrado localizado em Jerusalém possuía significado especial, pois simbolizava a presença constante de Deus entre seu povo, sendo o principal local de culto e oferta de sacrifícios. Construído durante o reinado de Salomão (1 Rs 6), como uma réplica da planta do tabernáculo, o santuário passou por duas reedificações após ter sido destruído em 586 a.C por Nabucodonosor, rei da Babilônia (2 Rs 25.13-17). A primeira aconteceu depois do retorno dos judeus do cativeiro babilônico, sob a liderança de Zorobabel (Ed 3.8) e exortação dos profetas Ageu e Zacarias (Ed 5-6). Em 19 a.C., Herodes, o Grande, na tentativa de apaziguar os ânimos dos judeus e ganhar popularidade, iniciou a reconstrução do segundo templo. O Templo de Herodes, como era chamado, impressionava por sua beleza e imponência arquitetônica. Era uma das maravilhas do mundo antigo e, por isso, recebia judeus e, até mesmo, gentios de várias partes.
2. Jesus no Templo. O Mestre costumava frequentar a parte externa deste Templo para proferir seus ensinamentos (Lc 21.38, Jo 7.14) e curar os enfermos. Apesar da sua importância como local de reunião e de culto, Jesus deixou transparecer que o edifício não tinha valor sagrado em si mesmo, pois, além de ser transitório (Mt 24.1,2) não era maior do que o Filho de Deus (Mt 12.6). Aplicando essas verdades para os dias atuais, entendemos que o bem mais valioso no templo não é a beleza da sua estrutura física ou o conforto que proporciona aos crentes. O que mais importa é a manifestação da glória de Deus no meio do seu povo (Ez. 43.5). Sem a divina presença, santuários religiosos são como sepulcros caiados. São belos por fora, mas sem vida por dentro!
3. Conhecendo as sinagogas. Os Evangelhos também mostram que o Nazareno costumava pregar e ensinar nas sinagogas acerca do Reino de Deus (Lc 4.44; 13.10; Mt 12.9; Mc 1.39). No original, sinagoga (gr. synagoge) tem o sentido de assembleia, congregação de pessoas. O Dicionário Bíblico Wycliffe registra que, no judaísmo, enquanto o Templo era o lugar do culto, a sinagoga tinha uma função educativa: era o local para o estudo da lei. Mas, com o passar do tempo, as sinagogas passaram a servir também como espaço para a adoração, principalmente para os judeus que moravam a grandes distâncias de Jerusalém. Portanto, diferentemente do Templo que era único, haviam muitas sinagogas espalhadas por toda a Terra de Israel nos tempos do Novo Testamento. Tanto é assim que a Igreja Primitiva, seguindo o exemplo do Mestre, floresceu anunciando o Evangelho em tais localidades (At 9.20; 13.5; 18.4). A preocupação dos judeus para a construção de sinagogas para o estudo das Escrituras serve como exemplo para os discípulos de Jesus. Tem a igreja dado o devido valor para a estrutura física da Escola Dominical?

Pense
Sem a divina presença, santuários religiosos são como sepulcros caiados. São belos por fora, mas sem vida por dentro!
Ponto Importante
Enquanto o Templo de Jerusalém era único, havia muitas sinagogas espalhadas por toda a Terra de Israel nos tempos do Novo Testamento.

III - O ZELO DE JESUS PELO TEMPLO 
1. A dupla purificação do Templo. Em duas ocasiões de seu ministério, Jesus purificou o Templo expulsando aqueles que haviam transformado o santuário em verdadeiro centro de comércio religioso. Embora as transações comerciais fossem comuns, envolvendo, principalmente, a compra, a venda e a troca de animais para serem oferecidos como sacrifício, tal prática havia se tornado tão trivial em Jerusalém que o propósito da casa de oração havia sido subvertido. Os vendilhões converteram-na em casa de vendas (Jo 2.16) e covil de ladrões (Mt 21.13). 
2. Zelo e reverência na Casa de Deus. De forma implacável e impetuosa, o amoroso Jesus revela a face da justiça divina, colocando para fora os vendedores, compradores e, até mesmo, os animais; derribou mesas e espalhou o dinheiro, em virtude do zelo pela Casa de Deus (Jo 2.17; Sl 119.139). O verdadeiro servo de Deus não tolera práticas mundanas e carnais praticadas em qualquer que seja o lugar e, muito menos, no santuário, lugar de reverência (Ec 5.1) e adoração ao Senhor. Como verdadeiro profeta, é necessário ter coragem para mostrar o erro e apartar-se dos homens corruptos, fraudulentos, que lucram com uma falsa piedade (1 Tm 6.5).
3. Negócios com palavras fingidas. O exemplo de Jesus continua vívido e relevante para os nossos dias. Nesses tempos trabalhosos, falsos mestres e falsos doutores, por avareza, têm transformado a igreja em objeto de negócio (2 Pe 2.3), para satisfação pessoal e lucro financeiro. São verdadeiros aproveitadores da fé. Contudo, o juízo divino para estes está preparado. Como disse o apóstolo Pedro, "sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita".

Pense
Nesses tempos trabalhosos, falsos mestres e falsos doutores, por avareza, têm transformado a igreja em objeto de negócio para satisfação pessoal e lucro financeiro

Ponto Importante
Jesus expulsou do Templo aqueles que haviam transformado o santuário em verdadeiro centro de comércio religioso.

CONCLUSÃO
Com o advento e obra de Cristo, a ênfase do culto foi transferida do santuário físico para o próprio Senhor Jesus, no qual habita toda a plenitude de Deus (Cl 2.9), que materializou, em si, o propósito do templo. E por isso, Ele mesmo disse que chegou o momento em que os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito e em verdade (Jo 4.23,24). Além disso, cada crente, convertido e transformado, é templo e morada do Espírito do Altíssimo (1 Co 3.16). Não obstante, ainda permanece a finalidade e a importância do templo da igreja, como local onde o povo de Deus se reúne para cultuar, orar e aprender a Palavra.

HORA DA REVISÃO
  1. Onde Jesus estava ao ser encontrado por José e Maria quando tinha doze anos de idade?
  2. Por quantas reedificações o templo de Jerusalém passou após ter sido destruído em 586 a.C. por Nabucodonosor?
  3. Quem havia reconstruído o templo existente na época de Jesus?
  4. O que significa sinagoga?
  5. Qual a era principal função da sinagoga


Lição 5.PARA JOVENS 03/05/2015 JESUS E A IMPLANTAÇÃO DO REINO DE DEUS

Lição 5
03/05/2015

JESUS E A IMPLANTAÇÃO DO REINO DE DEUS

TEXTO DO DIA
"Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, é conseguintemente chegado a vós o Reino de Deus" (Mt 12.28).
SÍNTESE
Entender o significado bíblico do Reino de Deus é fundamental para a genuína proclamação do Evangelho e compreensão do papel da Igreja na sociedade.

Agenda de leitura

SEGUNDA - Mt 4.23.
O Evangelho do Reino
TERÇA - Lc 12.31
A prioridade do Reino
QUARTA - 1 Co 6.10
Não herdarão o Reino de Deus
QUINTA - Mt 18.4
O maior do Reino dos céus
SEXTA - Sl 145.13
O Reino de Deus
SÁBADO -  Lc 18.24
O Reino e as riquezas


TEXTO BÍBLICO
Mateus 5.1-11

1. Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos;
2. e, abrindo a boca, os ensinava, dizendo:
3. Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus;
4. bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;
5. bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;
6. bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;
7. bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;
8. bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;
9. bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;
10. bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus;
11. bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Embora o cerne do ministério de Jesus e da mensagem proclamada pela Igreja Primitiva tenha sido o Reino de Deus, esse assunto tem recebido pouca ênfase no ensino e pregação das igrejas atualmente. Quantas vezes ouvimos a exposição clara e contundente sobre o domínio de Deus e a sua presença em nosso meio? Desse modo, considerando sua relevância, magnitude e primazia (Mt 6.33), estudaremos nesta lição sobre o significado bíblico do Reino de Deus, sua natureza e dimensão, pois a compreensão deste assunto é fundamental para a genuína proclamação do Evangelho, assim como para melhor entendermos o papel da Igreja na sociedade. 

I - O QUE É O REINO DE DEUS
1. Reino de Deus e Reino dos Céus. Sobressai nos Evangelhos o ensino de Jesus acerca do Reino, mencionado em diversas ocasiões pelos evangelistas como Reino de Deus e, em outras, como Reino dos céus. Conquanto alguns estudiosos afirmem que tais expressões tenham significados distintos, o exame cauteloso das Escrituras e da cultura judaica dos tempos de Jesus revela, em verdade, que essas expressões possuem sentidos equivalentes. É importante lembrar que o evangelho de Mateus foi escrito aos crentes judaicos e, por isso, o seu autor dá preferência ao termo Reino dos Céus, ao invés de Reino de Deus, por causa do costume que tinham em não pronunciar literalmente o nome de Deus. 
2. Significado do Reino. Etimologicamente, a palavra Reino (gr.basileia) significa domínio ou governo. Em sentido amplo, portanto, o Reino de Deus pode ser definido como o domínio eterno (Sl 45.6) do Criador em todas as épocas (Sl 10.16) e sobre a totalidade da criação, intervindo e predominando na história humana através de seus atributos supremos. Jesus completou a oração modelo da seguinte forma: "[...] porque teu é o Reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém!" (Mt 6.13). Todavia, além desse aspecto abrangente, o Messias referiu-se ao Reino de Deus de maneira bem mais específica, enfatizando tanto o seu aspecto presente quanto futuro. O teólogo britânico John Stott chamava essa dupla realidade do Reino de "Já" (Reino presente) e o "Ainda não" (Reino futuro). Logo, para a correta interpretação desse termo nos Evangelhos é fundamental que se considere o seu respectivo contexto bíblico. 
3. As dimensões do Reino. Vejamos, desse modo, as duas dimensões do Reino aludidas em o Novo Testamento:
a) Reino presente: Jesus realçou em seu ministério a chegada do Reino (Mt 4.17; 12.28), dando a entender que Ele próprio estava realizando a sua implantação aqui na terra entre os homens (Mc 1.15; Lc 18.16,17). Este é o Reino inaugurado. Não se trata, contudo, de um reinado institucional ou político, e, sim, espiritual, pelo qual Deus passa a atuar eficazmente no coração daqueles que se tornam súditos desse Reino, submetendo-se consequentemente à vontade do Altíssimo (1 Co 4.20). 
b) Reino futuro: Refere-se ao aspecto escatológico do Reino consumado. A Bíblia de Estudo Pentecostal assim explica: "A manifestação futura da glória de Deus e do seu poder e reino ocorrerá quando Jesus voltar para julgar o mundo (Mt 24.30; Lc 21.27; Ap 19.11-20; 20.1-6). O estabelecimento total do Reino virá quando Cristo finalmente triunfar sobre todo o mal e oposição e entregar o Reino a Deus Pai" (1 Co 15.24-28; Ap 20.7-21.8).
Pense
"Portanto, aquele que se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no Reino dos céus" 
(Mt 18.4).
Ponto Importante
Em sentido amplo, o Reino de Deus é o domínio eterno do Criador em todas as épocas e sobre a totalidade da criação, intervindo e predominando na história humana através de seus atributos supremos.

II - AS CARACTERÍSTICAS DO REINO DE DEUS NAS ESCRITURAS
1. Origem do Reino. Diferentemente da expectativa dos judeus daquele tempo, que aguardavam um Messias que implantaria o seu Reino na terra, por meio de uma renovação política, o Nazareno afirmou não ser o seu Reino deste mundo (Jo 18.36). Com esta declaração, Jesus não descaracterizou a realidade e a presença do Reino, de modo a afastar a sua própria autoridade sobre a esfera terrena, pois as Escrituras dão provas de que Ele é supremo (Mt 28.18; Fp 2.9-11; Cl 1.15-18; Ap 19.16). Jesus está se referindo à origem celestial do seu governo, o qual não é fabricado pelo homem, ou conquistado pelo uso da força física, ou pela política deste mundo. É um Reino de verdade que emana de Deus e irrompe entre os homens promovendo transformação!
2. Natureza do Reino. Na sua dimensão presente, o Reino de Deus é fundamentalmente espiritual. Quando recebemos esse Reino, Deus opera o seu domínio e manifesta, por antecipação, parte das bênçãos espirituais da vida eterna e da glória do porvir no tempo em que vivemos, gerando uma vida abundante (Jo 10.10). O apóstolo Paulo captou bem a sua essência ao dizer: "Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo" (Rm 14.17). De forma graciosa, somos beneficiados pela boa, perfeita e agradável vontade (Rm 12.2) e pelas virtudes do Espírito (Rm 15.13), que afetam e influenciam todas as esferas da vida humana, especialmente emocional, mental, física, social e econômica.
3. Marcas e valores do Reino. O Reino deixa marcas perceptíveis na vida de seus súditos, transparecendo evidências sublimes da presença divina em seus comportamentos. Um resumo destes sinais é encontrado no Sermão da Montanha proferido por Jesus, mais especificamente nas bem-aventuranças (Mt 5.1-10). Ali estão contidos os valores de Jesus para a realidade presente do Reino de Deus. Para viver este Reino na prática, precisamos rejeitar os valores e as atitudes do mundo e adotar os valores ali retratados. Os filhos do Reino também são distinguidos por sua obediência (Mt 7.21) e fidelidade a Deus (Lc 19.11-27), assim como pelos seus frutos (Mt 7.20; Gl 5.22). Será que o mundo nos reconhece por nossos frutos e pelas marcas do Reino celestial?

Pense
"Porque o Reino de Deus não consiste em palavras, mas em virtude" 
(1 Co 4.20).
Ponto Importante
Quando recebemos o Reino, Deus opera o seu domínio e manifesta por antecipação parte das bênçãos espirituais da vida eterna e da glória do porvir no tempo em que vivemos, gerando uma vida abundante
(Jo 10.10).

III - JESUS E A MENSAGEM DO REINO DE DEUS 
1. O Evangelho do Reino. O ponto central da mensagem anunciada por Jesus em seu ministério terreno foi a proclamação do Evangelho do Reino (Mt 4.23; 9.35; 24.14; Lc 4.43; 8.1). Igualmente, este foi o cerne da pregação de João Batista (Mt 3.2), assim como dos discípulos e da Igreja Primitiva (At 8.12; 19.8; 28.23). A palavra Evangelho (gr. euangelion) tem o sentido de boas novas, boas notícias, acerca do plano salvífico de Deus para a humanidade. O Evangelho genuíno é o Evangelho do Reino. 
Vivemos, infelizmente, dias de desvirtuamento do Evangelho, esfriamento da fé e mercantilização do cristianismo. Nesse tempo, muitas igrejas já não dão o devido valor à proclamação genuína da mensagem do Reino, substituindo-a por programas de entretenimento e pregações de autoajuda. Mas a verdadeira Noiva do Cordeiro sabe que a sua missão primordial é anunciar as boas novas: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura" (Mc 16.15) é a sua principal incumbência (1 Co 9.16), chamando o ser humano ao arrependimento e conversão ao senhorio de Cristo. Jovem, você tem proclamado o Evangelho do Reino?
2. Reino e arrependimento. O Reino está intimamente ligado à obra redentora do Salvador. Daí o motivo pelo qual o Texto Sagrado evidencia o arrependimento como condição para dele desfrutar (Mt 3.2; 4.17; Mc 1.15; Lc 5.32). "Arrependei-vos" é o chamado do Evangelho, envolvendo tanto arrependimento dos pecados, quanto mudança de direção, de mentalidade e perspectiva de vida. Isso porque, para ser participante do Reino, é necessário pensar a partir da vontade de Deus, ter a mente de Cristo (1 Co 2.16). 
3. Novo nascimento para o Reino. Jesus também garantiu a Nicodemos: "[...] aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus" (Jo 3.3). Este novo nascimento não é físico ou biológico, mas espiritual. É a nova vida em Cristo, que começa aqui e agora, com a presença de Deus, mas que se prolonga para a vida eterna (Jo 3.15). A nova vida depende da manifestação da vontade do ser humano. Deus não obriga ninguém a acreditar nEle e a aceitar a obra de Cristo. 

Pense
"Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema" 
(Gl 1.8).
Ponto Importante
Para ser participante do Reino, é necessário pensar a partir da vontade de Deus e ter a mente de Cristo 
(1 Co 2.16).

CONCLUSÃO
O Reino de Deus não é uma utopia política ou uma condição social. É o poder de Deus operando na vida dos seus súditos, de forma eficiente e transformadora, desde a vinda de Cristo a essa terra. Este Reino transforma a mente, modifica o caráter e conduz os passos de seus súditos sob a tutela do Espírito Santo. Quando isso ocorre, família, amigos, trabalho, sociedade e tudo o mais é afetado pela luz do cristão. É sobre isso que Jesus estava dizendo ao falar sobre os seus discípulos: "Vós sois o sal da terra e a luz do mundo" (Mt 5.13,14).

HORA DA REVISÃO
  1. Em sentido amplo, qual o significado de Reino de Deus?
  2. Quais as duas dimensões do Reino de Deus nas Escrituras?
  3. Qual a natureza do Reino presente?
  4. O que significa Evangelho?
  5. Qual a condição para desfrutar do Reino?


Lição 4. PARA JOVENS. 26/04/2015 JESUS E A LEI


Lição 4
26/04/2015
JESUS E A LEI



TEXTO DO DIA

"Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir"
(Mt  5.17).
SÍNTESE
O Senhor Jesus cumpriu a Lei e deu a ela um novo significado, enfatizando o amor a Deus e ao próximo.

Agenda de leitura


Segunda - Jo 14.23
Quem ama a Cristo, guarda os seus  mandamentos
Terça - Gl 4.1-5
O Evangelho isenta-nos da lei
Quarta - Sl 119.33
Os estatutos do Senhor
Quinta – Hb 10.1
A sombra dos bens futuros
Sexta – Tg 2.8
A Lei Real 
Sábado – Rm 8.2
A Lei do Espírito de Vida

TEXTO BÍBLICO
Mateus 5.17-20
17. Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir.
18. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido.
19. Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos céus.
20. Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus.

Mateus 22.37-40

37. E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.
38. Este é o primeiro e grande mandamento.
39. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
40. Desses dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
No Sermão do Monte, o Mestre afirmou enfaticamente que não veio destruir a lei, mas cumpri-la (Mt 5.17). O que essa afirmação significa? Qual era o propósito da lei mosaica? Como o cristão se relaciona com a lei atualmente? Na lição de hoje, estudaremos sobre esses temas e como Jesus compreendia a Lei que Deus havia dado à nação de Israel por intermédio de Moisés e o seu significado em o Novo Testamento. 

I - A LEI DO ANTIGO TESTAMENTO
1. A Lei dada a Israel (Êx 19-20). Depois de libertar Israel da servidão do Egito, Deus conduziu o seu povo por uma jornada de fé até a Terra Prometida, a fim de fazer cumprir a promessa feita a Abraão. No entanto, no início desta jornada, ao falar com Moisés no Monte Sinai (Êx 19.1,1-3), o Senhor relembrou aos israelitas a necessidade de eles guardarem o concerto firmado (v.5) e de obedecerem todos os seus estatutos. Para tanto, Deus entregou a Moisés a Lei (hb. torah, que significa ensinamento) com as condições e regras de convivência que os filhos de Israel deveriam observar como sinal de lealdade.
2. Abrangência da Lei. A Lei que Deus entregou à nação de Israel continha preceitos morais para uma vida santa e piedosa em relação a Deus e ao próximo. Tais preceitos estão sintetizados no Decálogo, os Dez Mandamentos proferidos pelo Senhor no Sinai (Êx 20.1-17), que também foram escritos em duas tábuas de pedra (Êx 31.18; 34.28). A lei servia ainda para regular a ordem jurídica e a vida em sociedade de Israel enquanto nação organizada, com normas civis, penais, trabalhistas, sanitárias, ecológicas e afins (Êx 21,23; Lv 19-20; Dt 19-22; 24). Por último, a lei previa regras cerimoniais, que tratavam dos ritos e cerimônias de adoração, oferta de sacrifícios e serviços do Tabernáculo (Lv-1-7).
3. Os propósitos da Lei. A Lei foi dada a Israel com os objetivos de prover um padrão de justiça, segundo o modelo de moralidade para o caráter e a conduta do ser humano (Dt 4.8; Rm 7.12); identificar e expor a malignidade do pecado (Rm 5.20), apontando o caminho da sua expiação pela fé em Deus através dos sacrifícios que eram oferecidos no Tabernáculo (Lv 4-7) e, por fim; revelar a santidade de Deus (Êx 24.15-17; Lv 19.1,2), para conduzir a humanidade a Cristo (Rm 10.4). 

Pense
"Assim, a lei é santa; e o mandamento, santo, justo e bom" (Rm 7.12).

Ponto Importante
A Lei de Deus, entregue a Moisés tinha os seguintes propósitos para Israel: prover um padrão de justiça; identificar e expor a malignidade do pecado e revelar a santidade de Deus.

II - JESUS E A LEI
1. O cumprimento da Lei. No Sermão do Monte, o Senhor Jesus afirmou: "Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir" (Mt 5.17). Com essas palavras, o Nazareno afasta a acusação dos fariseus de que estivesse subvertendo os mandamentos divinos, e comprova que tudo o que dEle estava escrito na Lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos, deveria se cumprir dentro do seu plano redentor (Lc 24.44). Conforme a Bíblia de Estudo Palavras-Chave, em ambas as passagens a palavra cumprir (gr. pleroõ) tem o sentido de concluir, satisfazer ou aperfeiçoar. Significa dizer que somente Cristo foi capaz de satisfazer as exigências da Lei, pois o fim da lei é Cristo, para a justiça de todo aquele que crê (Rm. 10.4). 
De acordo com o Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento, "Mateus vê o cumprimento da lei em Jesus semelhante ao cumprimento da profecia do Antigo Testamento: O novo é como o velho. Não só o novo cumpre o velho, mas o transcende. Jesus e a lei do novo Reino são o intento, destino e meta final da lei".
2. O fim da Lei Mosaica. A lei mosaica funcionava como um "aio" (tutor) temporário até que Cristo viesse (Gl 3.22-26). Assim, ao se entregar em sacrifício como o cordeiro imaculado e incontaminado (1 Pe 1.19), Jesus deu a Lei por concluída, pois era a sombra dos bens futuros (Hb 10.1). Com efeito, no Novo Concerto, os salvos em Cristo não estão mais debaixo da Lei assim como estava o povo de Israel, tendo em vista que, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também a mudança da Lei (Hb 7.12). 
Quer dizer, então, que a Lei não tem mais nenhum valor para os cristãos? De modo algum, afinal ainda encontra-se em vigor os preceitos morais e os referenciais éticos estabelecidos por Deus de forma universal e atemporal para o ser humano. Mas, até mesmo esta parte da lei recebeu um novo significado em Cristo, que lhe deu sentido e expressões mais plenas.
3. Novo significado. Os israelitas haviam transformado os mandamentos de Deus em um conjunto de regras e imposições legalistas, baseados em ritos e aparência exterior. A tradição humana havia subvertido a essência da lei. Em sua missão terrena, Jesus resgata o propósito primordial da lei e enfatiza a necessidade do seu cumprimento de forma livre e espontânea, dando-lhe novo significado, cujo padrão de retidão opera de dentro para fora. Entretanto, esse novo sentido dado por Cristo parece ser ainda mais exigente; afinal, depois de afirmar o que estava escrito na lei mosaica ("Ouvistes o que foi dito", Mt 5.21,27,31,33,43), Ele introduz um padrão ainda mais elevado ("Eu, porém, vos digo"). Eis o motivo pelo qual afirma o Mestre que a justiça dos discípulos deve exceder a dos escribas e fariseus (Mt 5.22). 
Assim, a Ética do Reino mencionada por Jesus no Sermão do Monte não é alcançada pelo esforço humano e, muito menos, condição para alcançar o favor de Deus. É uma ética que todo o crente deve buscar ardentemente, e que é vivenciada somente pela transformação e santificação advinda do interior do coração, pela obra de Cristo e da ajuda do Espírito Santo (Jo 15.5). Dessa forma, hoje precisamos compreender que cumprimos as ordenanças divinas não por imposição ou por medo, mas como consequência de uma vida transformada.
Pense
"Porque, tendo a lei a sombra dos bens futuros e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam" 
(Hb 10.1).
Ponto Importante
A ética do Reino mencionada por Jesus no Sermão do Monte não é alcançada pelo esforço humano e, muito menos, é condição para alcançar o favor de Deus.

III - AS LEIS DO REINO DE DEUS
1. Amar a Deus sobre todas as coisas. Os fariseus questionaram Jesus sobre qual era o grande mandamento da lei, e o Mestre respondeu: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento" (Mt 22.37). Aqui, Jesus cita o que está registrado em Deuteronômio 6.5, o qual considera o primeiro e grande mandamento (Mt 22.38). Embora os israelitas conhecessem tal preceito, o Mestre revigora o seu conteúdo ao apresentar Deus, não como um monarca carrancudo e distante, mas como o Pai amoroso (Mt 23.9; Jo 16.27), que recebe, em contrapartida, o amor pleno e irrestrito de seus filhos, fruto de uma perfeita comunhão. Amar a Deus significa tê-lo como único Senhor de nossas vidas, permitindo que Ele ocupe a primazia sobre qualquer outra coisa ou pessoa, seja trabalho, estudo, amigos ou bens materiais (Mt 6.24). A prova do verdadeiro amor que o cristão autêntico devota a Deus é: a confiança e esperança depositadas nEle, assim como a obediência à sua Palavra (Jo 14.21).
2. Amar o próximo como a ti mesmo. Jesus ainda apresenta o segundo mandamento, tão importante quanto o primeiro: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mt 22.39). Os ensinos de Jesus e seu exemplo de vida evidenciam que o amor a Deus é expresso e provado amando os seres humanos. Nesse sentido, o apóstolo João também afirma que aquele que diz amar a Deus e odeia a seu irmão, é mentiroso (1 Jo 4.20,21). Isso porque o amor genuíno é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (Rm 5.5), como evidência do novo nascimento (1 Jo 3.9,10) e do fruto do Espírito (Gl 5.22). Este é o amor ágape, que busca o bem da outra pessoa sem querer nada em troca (cf. 1 Co 13) e sem fazer acepção de pessoas. Segundo Tiago, esta é a Lei real (Tg 2.8,9). Por esse motivo, Jesus assevera que devemos amar não somente aqueles que nos amam, mas também os nossos inimigos (Mt 5.43-46). 
3. A essência dos mandamentos. "Desses dois mandamentos", concluiu o Mestre, "dependem toda a lei e os profetas" (Mt 22.40). Ou seja, amar a Deus e ao próximo é a chave para a compreensão dos mandamentos do Altíssimo após o advento de Cristo. São a essência dos mandamentos divinos. Conforme o Comentário Bíblico Pentecostal, "estes dois mandamentos sobre o amor são a 'constituição' do Reino, a partir do qual todas as outras leis serão julgadas e todas as aplicações da lei consideradas apropriadas ou não. Estes dois mandamentos garantem que a lei inteira se conformará ao espírito do Reino".
Pense
Deus preservou de forma incontestável a sua mensagem ao longo dos séculos, o que nos traz a segurança de que podemos confiar na Palavra de Deus.
Ponto Importante
A Bíblia é a inerrante e eterna Palavra de Deus revelada ao homem.

CONCLUSÃO
Portanto, o fato de estarmos debaixo da graça (e não da lei), não nos isenta de obedecermos aos mandamentos de Deus (Rm 6.15). Precisamos entender, contudo, que, em Jesus Cristo, a observância da lei moral do Reino não é um mérito pessoal conquistado pelo esforço próprio, mas algo que parte de um coração regenerado e transformado interiormente. Hoje, vivemos a Lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus (Rm 8.2). Glorifiquemos a Deus por isso!

HORA DA REVISÃO
  1. O que é o Decálogo?
  2. Quais foram os propósitos da lei?
  3. Qual o significado da palavra "cumprir" em Mt 5.17 e Lc 24.44?
  4. Como podemos colocar em prática o novo significado que Jesus deu à lei?
  5. Quais os dois mandamentos que dependem a lei e os profetas, segundo Jesus?


Lição 3. PARA JOVENS 19/04/2015 JESUS E OS GRUPOS POLÍTICO-RELIGIOSOS DE SUA ÉPOCA


Lição 3
19/04/2015
JESUS E OS GRUPOS 
POLÍTICO-RELIGIOSOS
 DE SUA ÉPOCA    


TEXTO DO DIA
"Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que fechais aos homens o Reino dos céus; e nem vós entrais, nem deixais entrar aos que estão entrando" (Mt 23.13).
SÍNTESE
Embora tenha convivido com os grupos religiosos de sua época, Jesus apontou seus erros e hipocrisia.

Agenda de leitura

SEGUNDA - Mt 16.6
O fermento dos fariseus e saduceus
TERÇA - Mt 22.34-46
A resposta ao fariseu
QUARTA  - Lc 15.2
Murmuração dos religiosos
QUINTA - Lc 18.10-14
O orgulho dos fariseus
SEXTA - Mc 3.6
A estratégia dos herodianos
SÁBADO - Tg 1.27
A verdadeira religião

TEXTO BÍBLICO
Mateus 23.1-8

1. Então, falou Jesus à multidão e aos seus discípulos,
2. dizendo: Na cadeira de Moisés, estão assentados os escribas e fariseus.
3. Observai, pois, e praticai tudo o que vos disserem; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não praticam.
4. Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem sobre os ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los.
5. E fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens, pois trazem largos filactérios, e alargam as franjas das suas vestes,
6. e amam os primeiros lugares nas ceias, e as primeiras cadeiras nas sinagogas,
7. e as saudações nas praças, e o serem chamados pelos homens: - Rabi, Rabi.
8. Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
No contexto do Novo Testamento, a nação judaica não era homogênea. Ao contrário disso, ela estava dividida em vários grupos e partidos com doutrinas, ideologias e tradições distintas, movidos ora por motivações políticas, ora religiosas. Nesse sentido, saduceus, fariseus, essênios, zelotes e herodianos formavam os principais partidos políticos e seitas religiosas daquela época. Nesta lição, veremos as características desses grupos, e como Jesus, com sua sabedoria e coragem, conviveu e reagiu a eles, nos deixando o exemplo de como viver dentro de um ambiente de pluralismo religioso como o presenciado nos dias atuais, com respeito e defesa da verdade.

I - SADUCEUS E FARISEUS

1. Saduceus. Apesar da pequena quantidade, os saduceus representavam a aristocracia dominante do judaísmo nos tempos do Novo Testamento. O nome desse grupo, segundo Merrill Tenney, originou-se provavelmente de Zadoque, o pai da linhagem de sumo sacerdotes durante o reinado de Salomão (1 Rs 1.32,34,38,45). Eles formavam o escalão superior dos sacerdotes e parte do Sinédrio, exercendo, por isso, grande influência política. Ao contrário dos fariseus, que reconheciam a importância da tradição oral, os saduceus aceitavam somente a Lei escrita (Torá). Por influência do helenismo e da cultura pagã, era uma religião materialista e secularizada, que negava a existência do mundo espiritual (At 23.8) e não cria na ressurreição dos mortos (Mc 12.18) nem na vida futura. A vida para eles, portanto, se resumia ao aqui e agora, sobre a qual Deus não tinha nenhuma interferência. Quanto a esse grupo, Jesus disse aos seus discípulos para tomarem cuidado com o seu "fermento" (Mt 16.6), símbolo do mal e da corrupção.
2. Fariseus. Em maior número que os saduceus, os fariseus (hb. parash: "separar") representavam o núcleo mais rígido do judaísmo, formado basicamente por pessoas da classe média e com grande influência entre o povo (Jo 12.42,43). Eram meticulosos quanto ao cumprimento da Lei mosaica e, por isso, a maioria dos escribas (Mt 15.1; 23.2) pertencia a esse grupo. Enfatizavam mais a tradição oral do que a literalidade da lei. Além de dar grande valor às tradições religiosas, como a lavagem das mãos antes das refeições (Mc 7.3) e ao recolhimento do dízimo (Mt 23.23), os fariseus jejuavam regularmente (Mt 9.14) e enfatizavam a observância do sábado (Mt 12.1-8). Entretanto, eram avarentos (Lc 16.14) e, em suas orações, gostavam de se vangloriar de seus atributos morais (Lc 18.11,12). 
Em razão do seu legalismo, Jesus os repreendeu de forma corajosa (cf. Mt 23), chamando-os de amantes dos primeiros lugares, hipócritas e condutores cegos, pois a religiosidade deles estava baseada no exterior, nos rituais e na justiça própria, em desprezo à parte mais importante da lei: o juízo, a misericórdia e a fé (v.23). Um dos exemplos era a invocação da tradição de Corbã (Mc 7.11) como subterfúgio para não cuidar de seus pais na velhice, dizendo que seus bens haviam sido consagrados como oferta a Deus e ao Templo e, por isso, não poderiam ser utilizados. Jesus disse que eles haviam invalidado a lei pela tradição (Mc 7.13). Eis o motivo pelo qual Jesus declarou aos seus discípulos: "[...] se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus" (Mt 5.20).
A conduta dos fariseus nos faz lembrar que a verdadeira santidade não se alcança através do legalismo e do esforço pessoal, mas pela fé em Cristo (Gl 2.16) e através da sua maravilhosa graça (Hb. 4.16).

Pense
Hipócrita religioso é aquele que vive de forma diversa daquilo que prega.
Ponto Importante
Apesar de adversários, fariseus e saduceus, e até mesmo os sacerdotes, queriam conjuntamente a morte de Jesus (Mc 14.53; 15.1; Jo 11.48-50). 

II - ESSÊNIOS, ZELOTES E HERODIANOS
1. Essênios. Embora a Bíblia não mencione diretamente esse grupo religioso, os essênios formavam uma pequena seita judaica na época do Novo Testamento, que vivia de forma reclusa no deserto da Judeia, às margens do Mar Morto. Merrill Tenney diz que no ato da admissão à seita, todas as pessoas entregavam suas propriedades a um fundo que era igualmente disponível a todos. Banhavam-se antes das refeições e vestiam-se de branco. Além disso, consideravam a si mesmos "os filhos da luz", e viviam completamente separados do judaísmo de Jerusalém, o qual consideravam apóstata. 
As práticas místicas dos essênios destoam dos ensinamentos de Jesus, que não impôs nenhum ritual de purificação, a não ser a purificação pela Palavra (Jo 13.10; 15.3). Além disso, os cristãos foram chamados para ser sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13,14), o que implica viver e influenciar a sociedade e a cultura, e não viver em reclusão.
2. Zelotes. Os zelotes formavam um grupo extremista que usava a rebelião e a violência contra a dominação dos romanos, pois acreditavam que tal submissão era uma traição a Deus. De acordo com o Dicionário Wycliffe, "alguns sugeriram que o Senhor Jesus favoreceu os Zelotes, e escolheu Simão, o Zelote (Lc 6.15) para expressar sua aprovação em relação às suas táticas. Nada poderia ser tão oposto à verdade, uma vez que todo ministério de Jesus era baseado em meios pacíficos, e Simão provavelmente experimentou uma mudança de coração em relação a toda atividade dos Zelotes".
3. Herodianos. Os evangelhos também mencionam os chamados herodianos (Mc 3.6, 12.13; Mt 22.16). Tinham características de agremiação partidária, apoiando a dinastia dos Herodes, que deviam seu poder às forças romanas de ocupação. Os herodianos se opunham a Jesus por receio que Ele pudesse promover perturbações públicas por meio de seus ensinamentos morais. Eram movidos mais por interesses políticos do que religiosos, tanto que não tinham uma ortodoxia clara. Ainda hoje, alguns grupos religiosos são mais movidos por interesses políticos do que pelas convicções bíblicas. 

Fonte: Tempos do Novo Testamento, CPAD, p. 102 e 103.
Pense
O Evangelho não é uma causa política. É o poder de Deus para a transformação de todo aquele que crê (Rm 1.16).
Ponto Importante
Os ensinos e o exemplo de vida de Jesus evidenciam que Ele não pertencia a nenhum grupo político-religioso de Israel.

III - A QUESTÃO DO PLURALISMO RELIGIOSO
1. Jesus e as religiões do seu tempo. Como podemos observar, Jesus viveu dentro de um contexto de pluralidade religiosa, com a existência de diversas teologias e concepções sobre Deus e espiritualidade. Embora respeitasse a crença de cada grupo e tivesse dialogado com muitos deles (Lc. 7.36), Ele não deixou de apontar os seus erros e de lhes falar a verdade. Jesus não se apresentou como mais uma opção religiosa entre tantas, mas como o próprio Filho de Deus (Jo 6.57), afirmando a sua exclusividade ao dizer: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim" (Jo 14.6). 
2. A exclusividade de Cristo hoje. Nos dias atuais, como discípulos de Jesus, devemos respeitar as demais confissões religiosas, sem perder o senso crítico e a coragem de dizer o que convém à sã doutrina (Tt 2.1). Precisamos estar preparados (1 Pe 3.15) para confrontar toda religião que fuja dos princípios bíblicos, seja por legalismo, misticismo ou mundanismo, enfatizando a superioridade de Cristo, o autor e consumador da nossa fé (Hb 12.2), e o fundamento da verdadeira espiritualidade. 

Pense
Religião não é uma questão de simples preferência pessoal, mas de verdade.

Ponto Importante
A tolerância religiosa significa que devemos respeitar as crenças alheias, ainda que não concordemos com elas. 

CONCLUSÃO
Vivemos hoje em um contexto de grande diversidade religiosa, no qual muitos escolhem suas religiões de forma descompromissada e baseados em simples preferência pessoal ou agenda política. Ainda assim, os princípios básicos dos ensinos do Mestre permanecem válidos, servindo-nos de orientação para a defesa da verdade e da ortodoxia bíblica, contra as religiões enganosas, heresias e falsas doutrinas. 

HORA DA REVISÃO
  1. Quais as características dos saduceus?
  2. Por que Jesus repreendeu os fariseus?
  3. Por que os essênios destoavam dos ensinamentos de Jesus?
  4. Por que os herodianos se opunham à liderança de Jesus?
  5. Hoje, como os cristãos devem se portar diante da diversidade religiosa?