Lição 3. 19 de Abril de 2015. A INFÂNCIA DE JESUS


Lição 3
19 de Abril de 2015
A INFÂNCIA DE JESUS
TEXTO ÁUREO
"E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens." 
(Lc 2.52)
VERDADE PRÁTICA

Crescer de forma integral e uniforme, como Jesus cresceu, deve ser o alvo de todo cristão. 


LEITURA DIÁRIA


Segunda - Lc 2. 40,52; Mc 6.31,32
Jesus ensina a respeito do cuidado com o corpo
Terça - Lc 2.51  
Jesus  e o seu proceder familiar  impecável
Quarta - Lc 4.16
Jesus Cristo e a cultura do seu tempo
Quinta - Lc 12.50
Jesus e o desenvolvimento da personalidade 
Sexta - Lc 20.19-26
Jesus e o controle emocional diante das dificuldades
Sábado - Lc 2.46-49
Jesus e o fortalecimento do espírito

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Lucas 2.46-49; 3.21,22

Lc 2.46 - E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os.
47 - E todos os que o ouviam admiravam a sua inteligência e respostas.
48 - E, quando o viram, maravilharam-se, e disse-lhe sua mãe: Filho, por que fizeste assim para conosco? Eis que teu pai e eu, ansiosos, te procurávamos.
49 - E ele lhes disse: Por que é que me procuráveis? Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?
Lc 3.21 - E aconteceu que, como todo o povo se batizava, sendo batizado também Jesus, orando ele, o céu se abriu,
22 - e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como uma pomba; e ouviu-se uma voz do céu, que dizia: Tu és meu Filho amado; em ti me tenho comprazido.
OBJETIVO GERAL
Apresentar a infância de Jesus Cristo segundo o Evangelho de Lucas.

HINOS SUGERIDOS: 169, 184, 185 da Harpa Cristã

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos sub-tópicos.
  1. Mostrar que Jesus cresceu fisicamente.
  2. Conhecer como se deu o crescimento social de Jesus.  
  3. Saber como se deu o desenvolvimento cognitivo de Jesus. 
  4. Aprender como se deu o desenvolvimento espiritual de Jesus.
INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Não temos muitas informações a respeito da infância de Jesus.  Os Evangelhos são nossas únicas fontes confiáveis a respeito dessa fase da vida do Mestre. O Evangelho de Lucas nos mostra que, como Homem Perfeito, Ele experimentou um desenvolvimento saudável, como de qualquer criança de sua idade. A única diferença entre Jesus e os meninos de sua época era o fato de que Ele não tinha pecado. 
Lucas também registra um incidente da infância do menino Jesus. Por meio desse incidente, podemos ver que, aos doze anos, Jesus já tinha plena consciência de sua relação com o Pai e acerca de sua chamada.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

As Escrituras revelam que Jesus era plenamente Deus e plenamente homem! Ao dizerem que Jesus é cem por cento Deus e cem por cento homem, teólogos cristãos estão afirmando essa mesma verdade de uma outra forma. Deus se humanizou em Cristo (2 Co 5.19) e isso é conhecido na teologia cristã como o grande mistério da encarnação.
Conhecer o Jesus divino é maravilhoso e bíblico, mas conhecer o Jesus humano o é da mesma forma. Aqui, vamos aprender que Jesus cresceu como qualquer ser humano. Ele cresceu física, social, psicológica e espiritualmente. Em cada uma dessas dimensões, Ele deixou ricos aprendizados para todos nós. 

I - JESUS CRESCEU FISICAMENTE
1. A dimensão corpórea de Jesus. A Bíblia nos ensina que Jesus nasceu e cresceu como qualquer ser humano (Lc 2.40,52). Jesus em tudo era, semelhante a nós, mas sem, pecado (Fl 2.6,7; Hb 4.15). Como todo ser humano, Ele possuía um corpo físico que era limitado pelo tempo e pelo espaço. A palavra grega helikia, traduzida em português como estatura, no versículo 52, ocorre oito vezes no texto grego do Novo Testamento, com o sentido de tamanho ou idade. É a mesma palavra usada por Lucas quando se refere à pequena estatura de Zaqueu, o publicano (Lc 19.3) e, também, a mesma palavra usada pelo apóstolo João para se referir à idade do cego a quem Jesus curou (Jo 9.21,23). A Escritura, de forma alguma, nega a dimensão corpórea e física de Jesus como fazem as heresias. 
2. O cuidado com o corpo. Como todo ser humano que possui um corpo físico, Jesus também viveu os limites dessa dimensão corpórea. Ele também se cansava (Jo 4.6). Jesus sabia a importância que tem o corpo humano e, para isso, tratava de dar o devido cuidado ao seu corpo. Para recuperar suas energias físicas, por exemplo, Marcos relata que Ele procurou o descanso necessário (Mc 6.31,32). A palavra grega anapauo, traduzida como repousar, significa "parar com todo movimento a fim de que se recupere as energias". Se o Mestre deu os devidos cuidados ao seu corpo, não deveríamos nós fazer o mesmo?

PONTO CENTRAL
Jesus, como ser humano, desenvolveu-se normalmente.

 No antigo Israel do tempo de Jesus, havia uma estrutura familiar consolidada.

SÍNTESE DO TÓPICO I

Jesus teve um crescimento físico normal, igual às crianças de sua idade. 

SUBSÍDIO HISTÓRICO

"A humanidade de Jesus. Teólogos têm se mostrado confusos quanto à precisão do relacionamento entre a humanidade de Jesus e sua divindade. Tudo o que podemos dizer, com certeza, é que Jesus é tanto Deus quanto homem. Como ser humano, descendente de Adão, nasceu e viveu uma vida humana normal. Teve fome e exaustão física. Conheceu a rejeição e o sofrimento. Gostava das celebrações nupciais e das festas. Sentiu pena do desamparado, frustração da apatia de seus seguidores e ira pela indiferença dos líderes religiosos diante do sofrimento humano. Era um ser verdadeiramente humano no melhor e ideal sentido da palavra. Por tudo isso, é um exemplo para nós" (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 653). 

CONHEÇA MAIS
*Os pais e irmãos de Jesus
"Não sabemos muito sobre a família de Jesus; entretanto, fica claro, conforme o relato dos Evangelhos, que os pais, irmãos e irmãs de Jesus eram muito conhecidos na cidade de Nazaré (Mt 13.54-56). Os primeiros anos da vida de Jesus foram tão normais que as pessoas que o viram crescer ficaram surpresas com o fato de que Ele pudesse ensinar com autoridade sobre Deus e fazer grandes milagres - achavam que era apenas um carpinteiro como José". Leia mais em Guia Cristão de Leitura da Bíblia, CPAD, p. 28.

II - JESUS CRESCEU SOCIALMENTE
1. Jesus e a família. No antigo Israel do tempo de Jesus, havia uma estrutura familiar consolidada. Os estudiosos observam que a família hebraica obedecia a seguinte estrutura social: endógama - casam-se com parentes; patrilinear - descendência pai-filho; patriarcal - poder do pai; patriolocal - a mulher vai para a casa do marido; ampliada - reúne os parentes próximos todos no grupo, e polígena - tem muitas pessoas.
A Bíblia fala da família de Jesus dentro desse contexto. Como homem perfeito, Jesus aprendeu a viver em família (Lc 2.51). Como membro da família, Ele viveu em obediência a seus pais. Isso mostra que os papeis sociais dentro da família precisam ser respeitados. Somente dessa forma, a família continua sendo um instrumento importante na formação do caráter. 
2. Jesus e a cultura local. A Bíblia afirma que o "Verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1.14). O vocábulo habitar traduz o verbo grego skenoo e tem o sentido de "fazer a sua tenda". Deus se humanizou e fez a sua tenda ou morada entre nós. Como homem perfeito, Jesus viveu no meio da cultura dos seus dias. Fazia parte dessa cultura, qual seja, o povo, o espaço geográfico, a língua e a família. Jesus foi criado em Nazaré da Galileia e, como nazareno, Ele possivelmente espelhava a cultura desse lugar. Jesus aprendeu a ler as Escrituras (Lc 4.16); aprendeu uma profissão (Mc 6.3) e até mesmo aprendeu a maneira de falar que era peculiar dos habitantes dessa região (Mt 26.73. Mc 14.70). Todavia, um fato fica em evidência - Jesus estava pronto a confrontar a cultura quando esta contrariava os princípios da Palavra de Deus (Lc 11.38,39). 

SÍNTESE DO TÓPICO II
Jesus, enquanto criança, teve um desenvolvimento social saudável.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

"Os primeiros anos de vida de Jesus foram tão normais que as pessoas que o viram crescer ficaram surpresas com o fato de que Ele pudesse ensinar com autoridade sobre Deus (Lc 2.46,47) e fazer grandes milagres - achavam que era apenas um carpinteiro como José o fora antes dEle. Em meados do século II d.C., histórias imaginativas começaram a ser escritas sobre o início da vida de Jesus, afirmando que tinha poderes sobre-humanos. Por exemplo, na Infância de Cristo segundo Tomé, Ele forma passarinhos de barro e os traz à vida!" (Guia Cristão de Leitura da Bíblia. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p.28).

 Crescer em sabedoria é crescer em conhecimento.. 

III - JESUS CRESCEU PSICOLOGICAMENTE

1. A dimensão psicológica de Jesus. O texto de Lucas 2.52 informa que Jesus crescia em "sabedoria". Crescer em sabedoria é crescer em conhecimento. É desenvolver-se intelectual e mentalmente. É o desenvolver da psique humana. Como homem perfeito, Jesus também possuía uma dimensão psicológica. Ele, por exemplo, angustiou-se em sua alma (Lc 12.50; Mt 26.37; Jo 12.27). Lucas ainda diz que Jesus "enchia-se de sabedoria" (Lc 2.40). Esse crescimento mental e intelectual vem pela assimilação dos conhecimentos da vivência humana do dia a dia. É o acúmulo cultural que se forma ao longo dos anos. Como todo menino judeu de sua época, Jesus tinha o seu intelecto treinado pelo estudo das Sagradas Letras (2 Tm 3.15).
2. Jesus e as emoções. A Escritura mostra que Jesus, como homem perfeito, possuía domínio completo sobre suas emoções. Ele não sofria de nenhum distúrbio mental, nem tampouco era desajustado emocionalmente. Quando pressionado, não cedia à pressão do grupo (Jo 8.1-11). Seus próprios algozes reconheceram que Ele agia movido por suas convicções internas e não pelo que os outros achavam (Lc 20.19-26). Sua presença revelava serenidade e paz (Jo 14.27; Lc 7.50). É evidente que essa paz era uma consequência natural da íntima comunhão com Deus que Ele cultivava. Jesus passava horas em oração, às vezes, até mesmo noites inteiras em oração (Lc 6.12), um claro exemplo para todos os seus seguidores.

Jesus cresceu na graça quando viveu a vida como ela é. 

SÍNTESE DO TÓPICO III
O menino Jesus teve um desenvolvimento cognitivo saudável, compatível com cada fase da vida. 

SUBSÍDIO DIDÁTICO

Professor, antes de iniciar o tópico, faça a seguinte indagação: "Jesus tinha consciência de que era Filho de Deus?"  Ouça os alunos com atenção. Em seguida, peça que leiam Lucas 2.41-52. Explique o fato de o texto bíblico mostrar que, aos doze anos, Jesus já tinha clareza de seu relacionamento com Deus e da sua missão. Ele afirmou sua filiação única. Diga que Jesus é completamente Deus e completamente humano. Como homem, experimentou todas as etapas do desenvolvimento humano. 

IV - JESUS CRESCEU ESPIRITUALMENTE  

1. Crescendo na graça e fortalecendo o espírito. Nos dois textos bíblicos citados por Lucas para se referir ao crescimento de Jesus Cristo, o homem perfeito, a palavra "graça" se destaca (Lc 2.40,52). A palavra grega traduzida como graça é charis. Graça é um favor de Deus.  Jesus cresceu na graça quando viveu a vida como ela é. Ele aprendeu a viver com as limitações que uma família pobre possuía na Palestina do primeiro século. Graça é ter consciência de que, em meio a tudo isso, a vocação e chamada tiveram origem em Deus. Graça é saber que Deus está em nosso crescimento enquanto vivemos em comunidade, enquanto o adoramos, meditamos, contemplamos e, também, quando vivemos a vida, mesmo quando ela se mostra dura em sua rotina. 
2. Jesus e sua maioridade. Lucas mostra o desenvolvimento espiritual em duas outras passagens do seu Evangelho (Lc 2.46-49). Na situação do Templo, Jesus se mostra como alguém que já tem consciência da sua missão. Ele veio para cuidar dos negócios de seu Pai, Deus. Por outro lado, Lucas mostra no relato do batismo de Jesus como Ele se identifica com o povo e recebe a capacitação divina para o exercício do seu ministério (Lc 3.21-23).  
Até os trinta anos, Jesus permaneceu na cidade de Nazaré e trabalhou como carpinteiro. O Salvador esperou pacientemente até o momento determinado pelo Pai para exercer seu ministério. Vivemos em uma sociedade imediatista; por isso, atualmente, as pessoas não querem esperar o tempo de Deus em suas vidas e ministério. O tempo do Senhor é perfeito. Temos que esperar o seu agir. 

Jesus não sofria de nenhum distúrbio mental, nem tampouco era desajustado emocionalmente.. 

SÍNTESE DO TÓPICO IV

Enquanto criança, Jesus também teve um desenvolvimento espiritual saudável.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

"Com a idade de 12 anos, um menino judeu se torna 'filho da lei'. Nesse momento, ele aceita os deveres e obrigações religiosas aos quais os pais o entregaram pelo rito da circuncisão. Para Jesus, isto acontece quando seus pais sobem a Jerusalém para celebrar a Páscoa. O Antigo Testamento ordenava que a pessoa do sexo masculino comparecesse em Jerusalém para três festas: a Páscoa, o Pentecostes e os Tabernáculos (Êx 23.14-17). A dispersão dos judeus pelo mundo tornou impossível que todos fizessem isto nos dias de José e Maria. Apesar da distância, os judeus devotos faziam a jornada pelo menos uma vez por ano para a Páscoa. Não era exigido que as mulheres comparecessem, contudo, muitas iam" (Comentário Bíblico Pentecostal. 1.ed. Vol. 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p. 331). 

CONCLUSÃO
Ao escrever a sua segunda carta, o apóstolo Pedro exortou os cristãos a desejarem o crescimento: "Antes, crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A Ele seja dada a glória, assim agora como no dia da eternidade. Amém!" (2 Pe 3.18). O alvo do crente é o crescimento. Mas esse crescimento não acontece de qualquer forma; antes, ocorre nas esferas da graça e do conhecimento do Senhor. Crescimento sem conhecimento é uma deformação, assim como o é, também, o crescimento sem a graça. 
O cristão deve atentar para o fato de que onde se privilegia apenas o conhecimento intelectual, sem a adição da graça, o levará a uma vida árida. Da mesma forma, esse mesmo crescimento, onde se privilegia apenas a revelação e menospreza a razão, o conduzirá ao fanatismo.  O crente deve, a exemplo do seu Senhor, crescer de forma integral

PARA REFLETIR

Sobre os ensinos do Evangelho de Lucas, responda:

De que forma a lição mostra a dimensão corpórea de Jesus?
    A lição mostra que Jesus cresceu como qualquer ser humano e, como tal, Jesus viveu os limites dessa dimensão corpórea.

    De que forma era estruturada a família nos dias de Jesus?
    Os estudiosos observam que a família hebraica obedecia à seguinte estrutura social: endógama - casam-se com parentes; patrilinear - descendência pai-filho; patriarcal - poder do pai; patriolocal - a mulher vai para a casa do marido; ampliada - reúne os parentes próximos todos no grupo, e polígena - tem muitas pessoas.

    Como as Escrituras demonstram o equilíbrio psicológico de Jesus?
    As Escrituras mostram que Jesus tinha total domínio sobre suas emoções. Ele não sofria de nenhum distúrbio mental ou emocional.

    De que forma a lição ilustra o crescimento de Jesus?
    Ilustra como um crescimento saudável, perfeito.

    Para você, o que é crescer de forma integral?
    Apesar de a resposta ser pessoal, havendo entendido a lição é necessário que o aluno responda, mais ou menos, nestes termos: É crescer de forma completa - corpo, alma, espírito. 

    CONSULTE

    Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 62, p. 38. 
    Você encontrará mais subsídios para enriquecer a lição. 

    SUGESTÃO DE LEITURA

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    Lição 2. 12 de Abril de 2015 O Nascimento de Jesus

    Lição 2
     12 de Abril de 2015  
    O Nascimento de Jesus

    TEXTO ÁUREO
    "E deu à luz o seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem."
     (Lc 2.7) 
    VERDADE PRÁTICA
    Deus revelou seu amor à 
    humanidade ao enviar a este mundo 
    o seu filho Jesus.

    LEITURA DIÁRIA
    Segunda - Lc 1.55
    Deus é fiel e cumpre as suas promessas
    Terça - Lc 1.41
    Deus revitaliza as profecias a respeito do Messias  
    Quarta - Lc 4.18; 6.20
    Deus revela-se aos carentes e necessitados
    Quinta - Lc 2.11
    Deus revela a realeza do Messias para toda a humanidade
    Sexta - Lc 2.25,26
    Deus revela-se aos piedosos e às minorias 
    Sábado - Lc 2.36-38
    Deus revela-se aos humildes e contritos de coração

    LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
    Lucas 2.1-7

    1 - E aconteceu, naqueles dias, que saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo se alistasse.
    2 - (Este primeiro alistamento foi feito sendo Cirênio governador da Síria.)
    3 - E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade.
    4 - E subiu da Galileia também José, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de Davi chamada Belém (porque era da casa e família de Davi),
    5 - a fim de alistar-se com Maria, sua mulher, que estava grávida.
    6 - E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz.
    7 - E deu à luz o seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem. 

    OBJETIVO GERAL
    Mostrar que a vinda de Jesus Cristo ao mundo é uma prova do amor de Deus. 

    HINOS SUGERIDOS: 169, 184, 185 da Harpa Cristã

    OBJETIVOS ESPECÍFICOS

    Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.
    1. Apresentar o nascimento de Jesus no contexto profético.
    2. Conhecer como se deu o anúncio do nascimento de Jesus segundo Lucas.  
    3. Explicar o porquê de o nascimento de Jesus ter ocorrido entre os pobres.
    4. Mostrar o nascimento de Jesus dentro do judaísmo.
    INTERAGINDO COM O PROFESSOR

    Na lição de hoje estudaremos a respeito do nascimento do Filho de Deus. 
    É importante lembrar que quando Jesus veio ao mundo, a Palestina estava debaixo do jugo do Império Romano. César Augusto era o imperador. Os imperadores romanos eram vistos por todos como um deus. Porém, o Rei dos reis em breve nasceria. Jesus nasceu em um lugar simples, em um estábulo. Seu berço não foi de ouro, foi  uma simples manjedoura. Ele abriu mão de toda a sua glória para vir ao mundo salvar todos os perdidos. Jesus veio revelar-se aos piedosos e às minorias. 
    O decreto de César Augusto de que todos teriam que se alistar a princípio parece algo ruim para José e Maria, mas na verdade é uma prova de que Deus controla a história. Tudo contribuiu para que as profecias se cumprissem e o Filho de Deus nascesse em Belém (Mq 5.2).

    COMENTÁRIO
    INTRODUÇÃO
    Lucas narra o nascimento de Jesus, situando-o no contexto das profecias bíblicas e do judaísmo dos seus dias. O "silêncio profético", que já durava quatrocentos anos, foi rompido pelas manifestações divinas na Judeia. A plenitude dos tempos havia chegado e o Messias agora seria revelado!
    O nascimento de Jesus significava boas novas de alegria para todo o povo.  Os pobres e os piedosos seriam os primeiros a receberem a notícia. Dessa forma, Deus mostrava que a salvação, por Ele provida, alcançaria a todos os homens. 

    I - O NASCIMENTO DE JESUS NO CONTEXTO PROFÉTICO 
    1. Poesia e profecia. No relato do nascimento de Jesus há duas belíssimas poesias conhecidas na teologia cristã como Magnificat de Maria, a mãe de Jesus, e o Benedictus de Zacarias, o sacerdote (Lc 1.46-55,67-79). Esses cânticos são de natureza profética e como tal contextualizam o nascimento de Cristo dentro das promessas de Deus a seu povo. Maria, por exemplo, diz que, ao nascer Jesus, Deus estava se lembrando das promessas feitas a Abraão (Lc 1.55). Por outro lado, Zacarias afirma da mesma forma que tal visitação era o cumprimento do que Deus havia prometido na antiguidade aos profetas (Lc 1.70). O nascimento de Jesus não se tratava, portanto, de um evento sem nexo com a história bíblica. Foi um fato que aconteceu na plenitude dos tempos e testemunhou o cumprimento das promessade Deus (Gl 4.4). 
    2. A restauração do Espírito profético. Já observamos que, na teologia lucana, o Espírito Santo ocupa um lugar especial. Encontramos 17 referências ao Espírito Santo no terceiro Evangelho e 54 no livro de Atos dos Apóstolos. Isso é significativo se levarmos em conta que Mateus fala apenas 12 vezes no Espírito Santo e Marcos 6. Lucas focaliza o revestimento do Espírito, mostrando que o dom profético, silenciado no período Interbíblico, foi revivificado com a vinda do Messias. Não é à toa que a maioria das referências ao Espírito, nesse Evangelho, ocorra nos dois primeiros capítulos que relatam o nascimento de Jesus (Lc 1.41,67; 2.25-27). 

    PONTO CENTRAL
    Jesus veio ao mundo como um de nós para salvar os perdidos.

     Na plenitude dos tempos, Jesus veio ao mundo. Ele é o Messias

    SÍNTESE DO TÓPICO I

    O nascimento de Jesus se deu na plenitude dos tempos, cumprindo todas as profecias bíblicas.

    SUBSÍDIO HISTÓRICO

    "O censo consistia no alistamento obrigatório dos cidadãos no recenseamento, o que servia de base de cálculo para os impostos. Quirino era governador do Império legado pela Síria, em d.C., mas este pode ter sido seu segundo mandato. Além disso, Lucas fala do censo que trouxe José e Maria a Belém como um prote (que provavelmente signifique, aqui, 'o anterior' e não o 'primeiro'). Assim, o ano de nascimento de Cristo continua a ser objeto de debate" (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 653).

    CONHEÇA MAIS
    *O  local de nascimento do Salvador
    "Jesus nasceu em Belém, ao sul de Jerusalém, mas passou a infância e juventude em Nazaré, cidade próxima ao mar da Galileia, no norte. Belém, o lugar onde Jesus nasceu, é hoje uma região em conflito." Para conhecer mais leia Guia Cristão de Leitura da Bíblia, CPAD, p. 21.

    II - O ANÚNCIO DO NASCIMENTO DE JESUS
    1. Zacarias e Izabel. Em sua narrativa dos fatos que precederam o anúncio do nascimento de Jesus, Lucas diz que o sacerdote Zacarias havia entrado no "templo para ofertar incenso" (Lc 1.9). A queima do incenso fazia parte do ritual do Templo e ocorria no período da manhã e à tarde (Êx 30.1-8; 1 Rs 7.48-50). Foi durante um desses turnos que um anjo de Deus apareceu a Zacarias para informar-lhe que a sua oração havia sido ouvida pelo Senhor e que a sua mulher, embora já não fosse mais fértil, geraria um menino, cujo nome seria João (Lc 1.13). João, o Batista, nasceu para ser o precursor do Messias, anunciando a sua missão. Ele seria a "Voz do que clama no deserto" e precederia o Senhor, preparando o seu caminho (Lc 3.4,5).
    2. José e Maria. Cerca de seis meses após o anúncio do nascimento de João, o Batista, o anjo Gabriel é enviado a Nazaré, lugar onde moravam José e sua noiva, Maria. Ela era uma virgem e estava noiva de José. O anúncio de que ela geraria um filho, sem que para isso fosse necessário haver intercurso sexual, deixou-a apreensiva (Lc 1.34). O anjo informa-lhe que desceria sobre ela o Espírito Santo e o poder de Deus a envolveria com a sua sombra (Lc 1.35). Aqui está o milagre da encarnação - O  Filho de Deus fazendo-se carne, a fim de que, através desse grande mistério, possamos alcançar a salvação (Jo 1.1,14). 

    SÍNTESE DO TÓPICO II
    O anjo Gabriel anunciou a Maria o nascimento do Filho de Deus.

    SUBSÍDIO DIDÁTICO

    Professor, converse com os alunos explicando que jamais devemos adorar a Maria, todavia, não podemos deixar de reconhecer seu valor. Afinal, ela foi escolhida para ser mãe do Filho de Deus. Esta escolha está certamente baseada num caráter de especial dignidade. Sua pureza, humildade e ternura são um exemplo para todos os crentes que desejam agradar a Deus (Adaptado de: PEARLMAN, Myer. Lucas: O Evangelho do Homem Perfeito. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p. 27).

     No anúncio do nascimento de Jesus, um anjo do Senhor é enviado especialmente aos camponeses pobres que pastoreavam os seus rebanhos no campo. 

    III – O NASCIMENTO DE JESUS E OS CAMPONESES

    1. A nobreza dos pobres. É um fato de fácil constatação o destaque que os pobres recebem no Evangelho de Lucas. Quando deu início ao seu ministério, Jesus o fez dizendo as seguintes palavras: "O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres" (Lc 4.18).  Os pobres faziam parte das bem-aventuranças de Jesus (Lc 6.20). Pobres são os carentes tanto de bens materiais como espirituais. No anúncio do nascimento de Jesus, um anjo do Senhor é enviado especialmente aos camponeses pobres que pastoreavam os seus rebanhos no campo. Jesus veio para todos, independente da condição social. O Filho de Deus dedicou total atenção as minorias do seu tempo: as mulheres, crianças, gentios, leprosos, etc.  Ele chegou a ser chamado de amigo de publicanos e pecadores, pois estava sempre perto dos mais necessitados. Como Igreja do Senhor, temos atendido os desvalidos em suas necessidades? Será que temos seguido o exemplo do Salvador? Como "sal" da terra e "luz" do mundo precisamos revelar Cristo aos carentes e necessitados, pois eles conhecerão o amor de Cristo mediante as nossas ações.
     2. A realeza do Messias. A mensagem angélica anunciada aos pastores que se encontravam no campo era que havia nascido na "cidade de Davi, [...] o Salvador, que é Cristo, o Senhor" (Lc 2.11). Lucas lembra o fato de que Cristo nasceu em Belém, cidade de Davi, cumprindo dessa forma a profecia bíblica (Mq 5.2). Mas o Messias não apenas nasce em Belém, cidade de Davi, Ele  também possui realeza porque é da descendência de Davi, como atesta a sua árvore genealógica (Lc 3.23-38). Mas não era só isso. Lucas também detalha como o anjo de Deus falou da realeza do Messias aos camponeses! Ele é o Salvador, o Cristo, o Senhor (Lc 2.11). Essas palavras proferidas pelo anjo, além de mostrar a realeza do Messias, destacam também a sua divindade. Jesus é Deus feito homem! 

    Lucas lembra o fato de que Cristo nasceu em Belém, cidade de Davi, cumprindo dessa forma a profecia bíblica. 

    SÍNTESE DO TÓPICO III
    Os pastores que estavam no campo foram os primeiros a saber que o Filho de Deus havia nascido. 

    SUBSÍDIO DIDÁTICO

    Professor, antes de iniciar a explicação do tópico, faça a seguinte indagação: “Por que os pastores foram os primeiros a saber do nascimento do Messias?” “Por que os sacerdotes e escribas não foram os primeiros a  saber?” Ouça os alunos e incentive a participação de todos. Explique que os pastores faziam parte de uma classe social bem simples. Eles eram pobres. As Boas-Novas de salvação não foram anunciadas primeiro aos poderosos e nobres, mas aos humildes, pobres, a pessoas comuns do povo, mostrando que Cristo veio ao mundo para todos.

    IV - O NASCIMENTO DE JESUS E O JUDAÍSMO 
    1. Judeus piedosos. Lucas mostra que o nascimento de Jesus aconteceu sob o judaísmo piedoso. Ele ocorre dentro do contexto daqueles que alimentavam a esperança messiânica. São pessoas piedosas que aguardavam o Messias e, quando Ele se revelou, elas prontamente  o reconheceram. Primeiramente, Lucas cita Zacarias, um sacerdote piedoso e sua esposa, Isabel. A Escritura sublinha que ambos eram justos diante de Deus e viviam irrepreensivelmente nos preceitos e mandamentos do Senhor (Lc 1.6). Lucas apresenta também Simeão, outro judeu piedoso de Jerusalém, e que esperava a consolação de Israel. A ele foi revelado, pelo Espírito Santo, que não morreria antes que visse o Messias (Lc 2.25,26). Da mesma forma a profetisa Ana, uma viúva piedosa, que continuamente orava a Deus e jejuava. Quando viu o menino Jesus, deu graças a Deus por Ele e falava da sua missão messiânica (Lc 2.36-38). 
    2. Rituais sagrados. Lucas coloca o cristianismo dentro do contexto do judaísmo e não como uma seita derivada deste. Como qualquer judeu de seu tempo, Jesus se submete aos rituais da religião judaica (Lc 2.21-24). Como Homem Perfeito, Ele cumpriu toda a lei de Moisés. 

    SÍNTESE DO TÓPICO IV
    José e Maria, como pais piedosos, seguiram todos os rituais do judaísmo no nascimento de Jesus. 

    SUBSÍDIO TEOLÓGICO
    "A legislação sobre o parto" (2.21-24). O texto em Levítico 12.1-5 registra o compromisso materno de oferecer um sacrifício para o ritual de purificação após o nascimento da criança. Foi para dar cumprimento a esse dispositivo legal do Antigo Testamento que a família se dirigiu ao Templo (veja também Lv 12.6-8)" (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 653).
    "Lucas descreveu como o Filho de Deus entrou na História. Jesus viveu de forma exemplar, foi o Homem Perfeito. Depois de um ministério perfeito, Ele se entregou como sacrifício perfeito pelos nossos pecados, para que pudéssemos ser salvos.
    Jesus é o nosso Líder e Salvador perfeito. Ele oferece perdão a todos aqueles que o aceitam como Senhor de suas vidas e creem que aquilo que Ele diz é a verdade" (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, p. 1337).

    CONCLUSÃO
    Já observamos que Lucas procura situar o nascimento de Jesus dento do contexto histórico. Dessa forma ele dá detalhes sobre fatos da história universal mostrando que Deus foi, é e continuará sendo Senhor da História.
    É dentro dessa história que se cumpre as profecias. O Messias prometido, diferentemente do Messias esperado pelos judeus, nasce em uma manjedoura e não em um palácio.
    Os pobres, e não os ricos, são os convidados a participar do seu natal. A lógica do Reino de Deus se manifesta oposta à do reino dos homens. Todos aqueles que se sentem carentes e necessitados são convidados a participarem dele.

    PARA REFLETIR
    Sobre os ensinos do Evangelho de Lucas, responda:

    De que forma devem ser entendidos os cânticos de Zacarias e Maria?
    Eles devem ser entendidos como sendo de natureza profética. Esses cânticos contextualizam o nascimento de Cristo dentro das promessas de Deus ao seu povo. 

    Como era o relacionamento de José e Maria antes da anunciação angélica?
    Eles eram noivos. 

    De que forma a lição conceitua os pobres?
    Os pobres são os carentes tanto de bens materiais como espirituais.

    De acordo com a lição, qual o propósito de Lucas mostrar Jesus cumprindo rituais judaicos?
    Lucas deseja mostrar que Jesus, como Homem Perfeito, se submeteu e cumpriu os rituais judaicos, tendo, com isso, cumprido a Lei. 

    Dentro de que contexto Lucas procura situar o nascimento de Jesus?
    Lucas procura situar o nascimento de Jesus dentro do contexto histórico. 

    CONSULTE
    Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 62, p. 38. 
    Você encontrará mais subsídios para enriquecer a lição. 

    SUGESTÃO DE LEITURA

    Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento 
    Esta obra fornecerá uma profusão de informações para seu próprio enriquecimento e para benefício daqueles que perguntam: "O que significa isto?" 
    Um Mestre Fora da Lei
    Ele foi acusado de quase tudo 
    - quebrar a Lei, se embriagar, e de ser o próprio Diabo. Ele era tão atrativo e perigoso que tiveram de matá-lo. 
    Pequena Enciclopédia Bíblica
    Esta obra é um clássico da 
    literatura evangélica brasileira. 
    É considerada uma das mais populares obras de referência.



    Lição 1. 5 de Abril de 2015 O Evangelho Segundo Lucas


     Lição 1
    5 de Abril de 2015
    O Evangelho Segundo Lucas

    TEXTO ÁUREO

    "Para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado." 
    (Lc 1.4)
    VERDADE PRÁTICA
    O cristão possui uma fé divinamente revelada e historicamente bem 
    fundamentada.

    LEITURA DIÁRIA

    Segunda - Lc 3.1,2
    O cristianismo no seu cenário histórico
    Terça - Lc 1.1-4
    O cristianismo se fundamenta em fatos
    Quarta - Lc 16.16
    O cristianismo no contexto bíblico
    Quinta - Lc 2.23-28
    O cristianismo em seu aspecto universal
    Sexta - Lc 1.35; 5.24
    O cristianismo e a deidade de Jesus
    Sábado - Lc 4.18
    O cristianismo e o Ministério do Espírito


    LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
    Lucas 1.1-4

    1 - Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram,
    2 -  segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio e foram ministros da palavra,
    3 - pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelentíssimo Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio,
    4 - para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado

    OBJETIVO GERAL
    Apresentar um panorama do Evangelho de Lucas.

    HINOS SUGERIDOS: 3, 46, 162 da Harpa Cristã

    OBJETIVOS ESPECÍFICOS
    Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

    Apresentar o terceiro Evangelho.
    Conhecer os fundamentos e historicidade da fé cristã.  
    Afirmar a universalidade da fé cristã. 
    Expor a identidade de Jesus, o Messias esperado.

    INTERAGINDO COM O PROFESSOR
    Prezado professor, neste segundo trimestre estudaremos a respeito do terceiro Evangelho, cujo autor é Lucas, o médico amado. Seu relato é um dos mais completos e ricos em detalhes a respeito do nascimento e infância do Salvador. Lucas era um gentio, talvez por isso, em sua narrativa, procure apresentar a Jesus como o Filho do Homem. Ele apresenta o Salvador como o Homem Perfeito que veio salvar a todos, judeus e gentios. 
    O comentarista deste trimestre é o pastor José Gonçalves - professor de Teologia, escritor e vice-presidente da Comissão de Apologética da CGADB.
    Que mediante o estudo de cada lição você possa conhecer mais a respeito do Filho de Deus, que se fez homem e habitou entre nós. 
    Tenha um excelente trimestre.

    COMENTÁRIO
    INTRODUÇÃO

    O Evangelho de Lucas é um dos livros mais belos e fascinantes do mundo. De fato, o terceiro Evangelho se distingue pelo seu estilo literário, pelo seu vocabulário e uso que faz do grego, considerado pelos eruditos como o mais refinado do Novo Testamento. Mas a sua maior beleza está em narrar a história da salvação (Lc 19.10). O autor procura mostrar, sempre de forma bem documentada, que o plano de Deus em salvar a humanidade, revelado através da história, cumpriu-se cabalmente em Cristo quando Ele se deu como sacrifício expiador pelos pecadores (Jo 10.11). Deus continua sendo Senhor da história e o advento do Messias para estabelecer o seu Reino é a prova disso. Lucas mostra que é através do Espírito Santo, primeiramente operando no ministério de Jesus e, posteriormente na Igreja, que esse propósito se efetiva. 

    I - O TERCEIRO EVANGELHO
    1. Autoria e data. Lucas, "o médico amado" (Cl 4.14), a quem é atribuída a autoria do terceiro Evangelho, é citado no Novo Testamento três vezes. Todas as citações estão nas epístolas paulinas e são usadas no contexto do aprisionamento do apóstolo Paulo (Cl 4.14; Fm 24; 2 Tm 4.11). Embora o autor do terceiro Evangelho não se identifique pelo nome, isso não depõe contra a autoria lucana. Desde os seus  primórdios, a Igreja Cristã  atribui a Lucas a autoria do terceiro Evangelho. A crítica contra a autoria de Lucas não tem conseguido apresentar argumentos sólidos para demover a Igreja de sua posição. A erudição conservadora assegura que Lucas escreveu a sua obra (aproximadamente) no início dos anos sessenta do primeiro século da era cristã.
    2. A obra. Lucas era historiador e médico. Ele escreveu sua obra em dois volumes (Lc 1.1-4; At 1.1,2). O terceiro Evangelho é a primeira parte desse trabalho e é uma narrativa da vida e obra de Jesus, enquanto os Atos dos Apóstolos compõem a segunda parte e narram o caminhar espiritual dos primeiros cristãos da Igreja Primitiva. 
    3. Os destinatários originais. O doutor Lucas endereçou seu Evangelho a Teófilo, certamente uma pessoa importante que devia ocupar uma alta posição social, sendo citado como "excelentíssimo". Pode se dizer que além deste ilustre destinatário, Lucas também escreveu aos gentios. O terceiro Evangelho pode ser classificado como sendo de natureza soteriológica e carismática. Soteriológica, porque narra o plano da salvação, e carismática porque dá amplo destaque ao papel do Espírito Santo como capacitador do ministério de Jesus Cristo.

    PONTO CENTRAL
    O plano da salvação do cristianismo pode ser localizado com precisão dentro da história.

    SÍNTESE DO TÓPICO I
    Lucas, o médico amado, é o autor do terceiro Evangelho, que foi endereçado a Teófilo, um gentio. 

    SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
    "Lucas inicia seu Evangelho com uma declaração especial: ele mesmo havia se 'informado minuciosamente de tudo [sobre a vida de Jesus] desde o princípio' (1.1-4). Dessa forma, o Evangelho de Lucas é um relatório cuidadoso e historicamente exato do nascimento, ministério, morte e ressurreição de Jesus. Contudo, ao lermos Lucas percebemos que a sua obra não é uma repetição monótona das datas e ações. A escrita de Lucas é vívida, nos atraindo para dentro dos eventos que ele descreve. A escrita de Lucas também exibe uma fervorosa sensibilidade quanto aos detalhes pessoais íntimos" (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p. 133).

     A fé cristã não se trata de uma lenda ou fábula engenhosamente inventada. São fatos históricos.
    CONHEÇA MAIS
    *Como o  Evangelho de Lucas Retrata a Cristo
    "No Evangelho de Lucas, Cristo é retratado como o Homem Perfeito e de grande empatia. A genealogia é rastreada desde Davi e Abraão até Adão, nosso antepassado comum, apresentando-o, deste modo, como alguém da nossa raça". Para conhecer mais leia Introdução ao Novo Testamento, CPAD, p. 77

    II - OS FUNDAMENTOS E HISTORICIDADE DA FÉ CRISTà
    1. O cristianismo no seu contexto histórico. Lucas mostra com riqueza de detalhes sob que circunstâncias históricas se deram os fatos por ele narrados. Vejamos: "E, no ano quinze do império de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judeia, e Herodes, tetrarca da Galileia, e seu irmão Filipe, tetrarca da Itureia e da província de Traconites, e Lisânias, tetrarca de Abilene, sendo Anás e Caifás sumos sacerdotes, veio no deserto a palavra de Deus a João, filho de Zacarias" (Lc 3.1,2). Esses dados têm um propósito claro: mostrar que o plano da salvação no cristianismo pode ser localizado com precisão dentro da história. A fé cristã, portanto, não se trata de uma lenda ou fábula engenhosamente inventada. São fatos históricos que poderiam ser testados e provados e, dessa forma, podem ser aceitos por todos aqueles que procuram a verdade. 
    2. Discipulado através dos fatos. A palavra grega katecheo, traduzida como "informado" ou "instruído" no versículo 4, deu origem à palavra portuguesa catequese. Esse vocábulo significa também: doutrinar, ensinar e convencer. Nesse contexto possui o sentido de "discipular". Lucas escreveu o seu Evangelho para formar discípulos. O discipulado, para ser autêntico, deve fundamentar-se na veracidade dos fatos da fé cristã. Nos primeiros versículos do seu Evangelho, Lucas revela, portanto, quais seriam as razões da sua obra (Lucas 1.1-4). O terceiro Evangelho foi escrito para mostrar os fundamentos das verdades nas quais os cristãos são instruídos. 

    SÍNTESE DO TÓPICO II
    A veracidade dos fatos narrados por Lucas pode ser comprovada pela história.

    SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
    "Lucas presta bastante atenção aos eventos que ocorreram antes do nascimento de Jesus, uma atenção maior que aquela que os outros evangelistas dedicaram ao assunto" (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p. 134).

     O discipulado, para ser autêntico, deve fundamentar-se na veracidade dos fatos da fé cristã.

    III - A UNIVERSALIDADE DA SALVAÇÃO 
    1. A história da salvação. A teologia cristã destaca que Lucas divide a história da salvação em três estágios: o tempo do Antigo Testamento; o tempo de Jesus e o tempo da Igreja. O terceiro Evangelho registra as duas primeiras etapas e o livro de Atos, a terceira
    (Lc 16.16). No contexto de Lucas a expressão a "Lei e os Profetas" é uma referência ao Antigo Testamento, onde é narrado o plano de Deus para o povo de Israel. A frase "anunciado o Reino de Deus" se refere ao tempo de Jesus que, através do Espírito Santo, realiza e manifesta o Reino de Deus. O tempo da Igreja ocorre quando o Espírito Santo, que estava sobre Jesus, é derramado sobre todos os crentes. 
    2. A salvação em seu aspecto universal. O aspecto universal da salvação, revelado no terceiro Evangelho pode ser facilmente observado pelo seu amplo destaque dado aos gentios. O próprio Lucas endereça a sua obra a um gentio, Teófilo (Lc 1.1,2). A descendência de Cristo, o Messias prometido, vai até Adão, o pai de todos, e não apenas até Abraão, o pai dos judeus (Lc 3.23-38). Fica, portanto, revelado que os gentios, e não somente os judeus, estão incluídos no plano salvífico de Deus (Lc 2.32; 24.47). Destaque especial é dado para os samaritanos (Lc 9.51-56; 10.25-37; 17.11-19). Há ainda outras particularidades do Evangelho de Lucas que mostram o interesse de Deus por toda a humanidade, especialmente os pobres e excluídos (Lc 19.1-10; 7.36-50; 23.39-43; 18.9-14). 

    A descendência de Cristo, o Messias prometido, vai até Adão, o pai de todos, e não apenas até Abraão, o pai dos judeus.

    SÍNTESE DO TÓPICO III
    Todos estão incluídos no plano salvífico de Deus: gentios e judeus. 

    SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
    "A Verdadeira Identidade do Filho
    Os aspectos-chave na vida de Jesus ajudaram os primeiros cristãos a perceber, de uma forma nova e única, que Ele era o 'Filho de Deus'.
    o A encarnação.  Jesus foi concebido pelo poder do Espírito Santo de Deus, e não por um pai humano. De forma consistente, também falou de como saiu 'do Pai' para vir 'ao mundo' (Jo 16.28). Enquanto, para outros seres humanos, o nascimento é o início da vida, o nascimento de Jesus era uma encarnação - Ele existia como o Filho de Deus antes de seu nascimento humano. Jesus, de forma distinta dos governantes pagãos, não era um filho adotado dos deuses, mas sim o eterno Filho de Deus.
    o O reconhecimento por Satanás e pelos demônios. Enquanto a identidade verdadeira de Jesus, durante seu ministério terreno, estava velada para seus discípulos, ela foi reconhecida por Satanás (Mt 4.3,6) e pelos demônios (Lc 8.28).
    o A ressurreição e ascensão. Jesus foi morto por afirmar que falava e agia como o Filho de Deus. A ressurreição representou a confirmação de Deus de que Jesus falava a verdade sobre si mesmo. Paulo apontou a ressurreição como a revelação ou declaração da verdadeira identidade de Jesus como Filho de Deus (Rm 1.4). Depois da ressurreição, Jesus retornou ao Pai para ficar no lugar de honra, à direita de Deus" (Guia Cristão de Leitura da Bíblia. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, pp. 34,35).

    IV -  A IDENTIDADE DE JESUS,  O MESSIAS ESPERADO 
    1. Jesus, o homem perfeito. No Evangelho de Lucas, Jesus aparece como o "Filho de Deus" (Lc 1.35) e Filho do Homem" (Lc 5.24). São expressões messiânicas que revelam a deidade de Jesus. A primeira expressão mostra Jesus como verdadeiro Deus enquanto a segunda, que ocorre 25 vezes no terceiro Evangelho, mostra-o como verdadeiro homem. Ele é o Filho do Homem, o Homem Perfeito. Ao usar o título "Filho do Homem" para si mesmo, Jesus evita ser confundido com o Messias político esperado pelos judeus. Como Homem Perfeito, Jesus era obediente a seus pais. Todavia, estava consciente de sua  natureza divina (Lc 2.4-52). É como o Homem Perfeito que Jesus enfrenta, e derrota, Satanás na tentação do deserto (Lc 4.1-13).
    2. O Messias e o Espírito Santo. Lucas revela que Jesus, o Messias, como Homem Perfeito, dependia do Espírito Santo no desempenho do seu ministério (Lc 4.18). Isaías, o profeta messiânico, mostra a estreita relação que o Messias manteria com o Espírito do Senhor (Is 11.1,2; 42.1). O Messias seria aquele sobre quem repousaria o Espírito do Senhor, tal como profetizara Isaías e Jesus aplicara a si, na sinagoga em Nazaré (Lc 4.16-19; Is 61.1).

    SÍNTESE DO TÓPICO IV
    Lucas apresenta Jesus como o Filho de Deus e o Filho do Homem, ressaltando tanto a sua humanidade quanto a sua divindade.

    SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
    "Lucas descreveu como o Filho de Deus entrou na História. Jesus viveu de forma exemplar, foi o Homem Perfeito. Depois de um ministério perfeito, Ele se entregou como sacrifício perfeito pelos nossos pecados, para que pudéssemos ser salvos.
    Jesus é o nosso Líder e Salvador perfeito. Ele oferece perdão a todos aqueles que o aceitam como Senhor de suas vidas e creem que aquilo que Ele diz é a verdade" (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, p. 1337).

    CONCLUSÃO
    O terceiro Evangelho é considerado a coroa dos Evangelhos sinóticos. Enquanto o Evangelho de Mateus enfoca a realeza do Messias e Marcos o poder, Lucas enfatiza o amor de Deus. Lucas é o Evangelho do Homem Perfeito; da alegria (Lc 1.28; 2.11; 19.37; 24.53); da misericórdia (Lc 1.78,79); do perdão (7.36-50; 19.1-10); da oração (Lc 6.12; 11.1; 22.39-45); dos pobres e necessitados (Lc 4.18) e do poder e da força do Espírito Santo (Lc 1.15,35; 3.22; 4.1; 4.14; 4.17-20; 10.21; 11.13; 24.49). Lucas é, portanto, o Evangelho do crente que quer conhecer melhor o seu Senhor e ser cheio do Espírito Santo.

    PARA REFLETIR
     Sobre os ensinos do Evangelho de Lucas, responda:

    A quem é atribuída a autoria do terceiro Evangelho?
    A autoria é atribuída a Lucas, o médico amado.

    Como devemos entender o termo "informado" usado por Lucas no capítulo 1 do seu Evangelho?
    O vocábulo significa também "doutrinar", "ensinar" e "convencer".

    Como Jesus é revelado no Evangelho de Lucas?
    Ele é revelado como "Filho de Deus" e "Filho do Homem". 

    As expressões "Filho do Homem" devem ser entendidas em que sentindo no terceiro Evangelho? 
    Devem ser entendidas como expressões que mostram o relacionamento de Jesus com a humanidade.

    De acordo com a lição, como é considerado o terceiro Evangelho?
    Ele é considerado a coroa dos Evangelhos Sinóticos.

    CONSULTE
    Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 62, p. 37. 
    Você encontrará mais subsídios para enriquecer a lição. 

    SUGESTÃO DE LEITURA
    Comentário de Lucas: À Luz do NT Grego
    Esta obra apresenta um novo sistema de cabeçalhos com textos gregos mais utilizados, traduções atualizadas, notas textuais, uma ortografia apropriada, notas de rodapé completas e inúmeras referências em algarismos arábicos. 

    Introdução ao Novo Testamento
    Abordagem notável para o estudo da origem e desenvolvimento do NT. O autor examina todos os registros históricos do primeiro século após a morte de Jesus, a fim de proporcionar melhor compreensão dos ensinos de Cristo e da formulação Pentecostal da igreja. 

    Lucas: O Evangelho do Homem Perfeito
    Neste livro, você aprenderá com o autor porque Lucas foi levado a escrever o seu Evangelho. É um comentário devocional que enriquece os conhecimentos exegéticos dos que se dedicam ao estudo da vida do Filho do Homem. 

    1º TRIMESTRE 2015. OS DEZ MANDAMENTOS

    Lição 13 . 29 de Março de 2015 A Igreja e a Lei de Deus


    Lição 13
    29 de Março  de 2015
    A Igreja e a Lei de Deus

    TEXTO ÁUREO
    "Anulamos, pois, a lei pela fé?  De maneira nenhuma! Antes,  estabelecemos a lei."
    (Rm 3.31)

    VERDADE PRÁTICA
    O Senhor Jesus definiu de maneira clara a relação entre o Antigo e o Novo Testamento, entre a Lei e o Evangelho.


    LEITURA DIÁRIA
    Segunda – Ne 10.28,29
    A lei de Deus é a mesma lei de Moisés, o servo do Senhor
    Terça – Mc 7.9-13
    O Senhor Jesus reconhecia a lei como a Palavra de Deus
    Quarta – Lc 24.44
    O Senhor Jesus é o centro e o cumprimento da lei e dos profetas
    Quinta – Mt 23.23
    Nem todos os mandamentos têm o mesmo peso para o nosso Deus
    Sexta –  Rm 10.4
    A lei testemunhava de antemão a salvação em Cristo
    Sábado – Jr 31.33
    Cristo imprimiu a lei no mais profundo do coração humano

    LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
    Mateus 5.17-20; Romanos 7.7-12

    OBJETIVO GERAL
    Ressaltar o fato de que Jesus definiu, de maneira clara, a relação entre o Antigo e o Novo Testamento, entre a Lei e o Evangelho.

    OBJETIVOS ESPECÍFICOS
    Abaixo, os objetivos específicos referem-se aos que o professor deve atingir em cada tópico. 
    Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

    I.Mostrar o que significa "cumprir a lei".
    II.Explicar que Jesus viveu a lei.
    III.Ressaltar que a lei não pode ser revogada.
    IVEnfatizar que a lei e o evangelho se completam.

    INTERAGINDO COM O PROFESSOR
    Professor, com a graça de Deus, chegamos ao final do trimestre. Esperamos que cada lição tenha contribuído para o seu crescimento espiritual  e de seus alunos.
    É importante que nesta última lição você enfatize que ninguém pode ser justificado pelas obras da lei (Gl 2.16). O Decálogo nunca teve a função de salvar, mas de conduzir as pessoas a Cristo, o único que cumpriu toda a lei (Gl 3.11, 24). A lei veio para apontar e condenar o pecado do homem (Rm 3.20; 7.7). A única maneira pela qual a humanidade pode ser redimida é pela fé em Jesus Cristo. Contudo, não podemos nos esquecer de que a fé em Jesus é a chave para o cumprimento da lei.

    COMENTÁRIO
    INTRODUÇÃO
    A "lei de Deus" no presente estudo diz respeito a todo o Pentateuco e não apenas aos Dez Mandamentos, pois o Decálogo é parte da lei. A lei de Moisés não consiste apenas num compêndio religioso, pois trata de profecias, histórias, registros genealógicos e cronológicos, regulamentos, ritos, cerimônias, exortações morais, civis e cerimoniais, sacerdotes, sacrifícios, ofertas, festas e o tabernáculo. Há nela a base e a estrutura social e política do Estado. É inegável a sua contribuição na legislação de todos os povos da terra, daí a sua influência no Estado e na Igreja.

    I. O QUE SIGNIFICA "CUMPRIR A LEI"?

    1. Completar a revelação. Jesus disse que veio cumprir a lei e os profetas (5.17). O que significa isso? O verbo grego para "cumprir" é pleroo e significa "cumprir, completar, encher". Devemos recordar o sentido de torah, estudado na lição 1, como instrução revelada no Sinai. Ao longo do trimestre, vimos os aspectos teológico e ético do Decálogo. O Antigo Testamento contém instrução e doutrina sobre Deus, o mundo e a salvação, mas sua revelação é parcial. A manifestação do Filho de Deus tornou explícito o que antes estava implícito, e assim o Senhor completou a revelação (Hb 1.1,2).
    2. Cumprimento das profecias. Jesus iniciou o seu ministério terreno dizendo: "o tempo está cumprido" (Mc 1.14,15). Diversas vezes encontramos no Novo Testamento, a declaração como: "Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura" (Jo 19.36), ou fraseologia similar, principalmente no Evangelho de Mateus (Mt 1.22; 2.17,19; 4.14) dentre outras citações. As profecias se cumpriram em Cristo.
    3. O centro das Escrituras. A provisão do Antigo Testamento sobre a obra redentora de Deus em Cristo é rica em detalhes. Os escritores do Novo Testamento reconhecem a presença de Cristo na história da redenção. O Espírito Santo conduziu a Revelação na vida do povo israelita de tal maneira que os apóstolos puderam observar cada pormenor na vida e no ministério terreno do Senhor Jesus Cristo. A ideia cristológica está completamente embutida na lei e nos profetas. Todo o pensamento bíblico gira em torno de Jesus (Rm 1.2; 10.4). Todo o Antigo Testamento converge para o Senhor Jesus; Ele mesmo reconhecia isso (Lc 24.44). 

    PONTO CENTRAL
    Ninguém pode ser salvo pelas obras da lei, porém ela é para os crentes em Jesus Cristo.

    SÍNTESE DO TÓPICO I
    As profecias se cumpriram em Cristo e, por isso, as Escrituras  expôem que toda Lei foi cumprida em Jesus. 
    II. O SENHOR JESUS VIVEU A LEI 
    1. Preceitos cerimoniais. Veja a explicação dos preceitos cerimoniais, civis e morais na lição 2 e seu cumprimento na vida e na obra de Cristo. O Senhor Jesus cumpriu o sistema cerimonial da lei na sua morte (Mt 27.50,51; Lc 24.46). As instituições de Israel com suas festas, os holocaustos e os diversos tipos de sacrifícios da lei de Moisés eram tipos e figuras que se cumpriram em Cristo (Hb 5.4,5; 1 Co 5.7). Assim, as cerimônias cessaram, mas o significado foi confirmado (Cl 2.17). 
    2. Preceitos civis. Lutero dizia que a função civil da lei ainda continua para manter a ordem e o bem-estar da sociedade. Segundo Martyn Lloyd-Jones, Jesus cumpriu também o sistema jurídico da lei. Com sua morte, Ele transferiu os privilégios de Israel para a Igreja (Êx 10.6,7; 1 Pe 2.9,10). Jesus disse às autoridades judaicas que "o Reino de Deus vos será tirado e será dado a uma nação que dê os seus frutos" (Mt 21.43). Com isso, Israel deixou de ser um Estado Teocrático. A Igreja é a plataforma de Deus na Terra para anunciar a verdade (1 Tm 3.15).
    3. Preceitos morais. Os Dez Mandamentos são representados pelos dois grandes mandamentos: amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos (Mc 12.28-33). Na verdade, toda a lei e os profetas nisso se resumem (Mt 22.40). Trata-se de uma combinação de duas passagens da lei (Dt 6.4,5; Lv 19.18). São preceitos que foram resgatados na Nova Aliança e adaptados à graça, de modo que a Igreja segue a lei de Cristo, a lei do amor, e não o sistema mosaico (Rm 6.14; 13.9,10; Gl 5.18). O Senhor Jesus cumpriu todos esses mandamentos durante a sua vida terrena.
    SÍNTESE DO TÓPICO II
    Jesus Cristo viveu toda a Lei. 
    SUBSÍDIO DIDÁTICO
    Para iniciar o tópico faça a seguinte pergunta: "Jesus aboliu a lei?" Ouça os alunos e em seguida peça que leiam Mateus 5.17,18. Em seguida, explique que esse texto mostra a expressa e total obediência de Jesus à lei do Antigo Testamento, pois a lei não pode ser anulada. 
    Mostre que a "lei que o crente é obrigado a cumprir consiste nos princípios éticos e morais do Antigo Testamento (Rm 3.31; Gl 5.14); bem como nos ensinamentos de Cristo e dos apóstolos (1 Co 7.19; Gl 6.2). Essas leis revelam a natureza e a vontade de Deus para todos e continuam em vigor. As leis do Antigo Testamento destinadas à nação de Israel, tais como as leis sacrificais, cerimoniais, sociais ou cívicas, já não são obrigatórias (Hb 10.1-4)" (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro, CPAD, p. 1393).

    Nenhuma parte da lei passará, nenhuma letra ou parte dela ficará em desuso até que tudo se cumpra. 

    III. A LEI NÃO PODE SER REVOGADA
    1. Jesus revela seu pensamento sobre a lei. Talvez o discurso de Jesus sobre as bem-aventuranças tivesse deixado dúvida sobre a posição de Cristo a respeito da lei e dos profetas. Ele não era um reacionário; nasceu conforme a lei e viveu de acordo com ela (Lc 2.21-24; 4.15,16; Gl 4.4). Jesus falou de maneira direta que não veio revogar a lei e nem os profetas, mas veio para os cumprir (Mt 5.17). Havia chegado o momento de esclarecer seu pensamento sobre a lei.
    2. "Até que o céu e a terra passem". Jesus disse que "até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido" (Mt 5.18). O jota é a menor letra do alfabeto hebraico; ocupa a metade da linha na escrita, é a décima letra e se chama iode. O til é um sinal diacrítico para distinguir uma letra da outra. Nenhuma parte da lei passará, nenhuma letra ou parte dela ficará em desuso até que tudo se cumpra. Como disse o pastor John Stott, "a lei tem a duração do universo".
    3. O menor mandamento (Mt 5.19). Há muita discussão sobre esta questão. Uns acham que Jesus se referia ao jota e ao til; outros, aos preceitos cerimoniais. Havia longos debates entre os rabinos da época sobre os mandamentos mais leves e mais pesados. Eles consideravam mandamento leve não tomar a mãe com os filhotes num ninho (Dt 22.6). Parece existir, sim, na lei, mandamento de maior ou de menor significância (Mt 23.23). Porém, não é disso que Jesus está falando aqui, pois o enfoque é sobre o anular a autoridade da lei e ensinar que ela pode ser ignorada. O verbo grego é lyo, cuja ideia básica é "desatar, desamarrar, soltar", empregado mais adiante para "anular" (Jo 10.35). 

    SÍNTESE DO TÓPICO III
    Jesus Cristo não veio revogar a lei, pois ela não pode ser anulada.

    IV. A LEI E O EVANGELHO
    1. O papel da lei. Ninguém é justificado pelas obras da lei (Gl 2.16). A função dela não é salvar, mas nos conduzir a Cristo (Gl 3.11,24). Ela veio para revelar e condenar o pecado (Rm 3.20; 7.7). Deve o cristão anular a lei? A resposta paulina é: "De maneira nenhuma! Antes, estabelecemos a lei" (Rm 3.31). O que isso significa? Que a fé cristã não é antinomianista, do grego anti "contra"; nomos, "lei". Isso diz respeito aos que erroneamente pregavam que a graça dispensa a obediência. O apóstolo refutou tal ideia a vida inteira (Gl 5.13).
    2. Jesus e Moisés estão do mesmo lado. O termo "lei" na língua hebraica é torá, e isso já foi estudado na lição 1. Ali aprendemos também que esta palavra vem de um verbo que significa "instruir, ensinar". Por essa razão, a palavra "lei", às vezes, refere-se às Escrituras Sagradas (1 Co 14.21). Esse parece ser o sentido aqui, pois o apóstolo Paulo estava falando do Antigo Testamento (Rm 3.19). Porém, a possibilidade de uma aplicação ao Pentateuco não é descartada, nesse caso, pois a frase "antes, estabelecemos a lei" (Rm 3.31b) não significa servidão ao sistema mosaico, mas que a fé confirma a lei, visto que o Evangelho justifica aqueles a quem a lei condena (Rm 8.4; 13.10).
    3. A justiça dos fariseus. Jesus não está desafiando os seus discípulos a seguirem os escrúpulos legalistas dos escribas e fariseus quando afirma: "se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus" (Mt 5.20). Antes, ensina que a vida no Espírito requer comunhão com Deus de maneira abundante e profunda, e assim sendo, nenhum dos rabis a experimentou (Rm 8.8-11).

    SUBSÍDIO DIDÁTICO
    Professor, explique aos alunos que "Deus proíbe a cobiça de todo tipo quando fala da casa do vizinho, de sua esposa, servo, boi, jumento ou de qualquer coisa que lhe pertença (Êx 20.17). O Novo Testamento declara que a cobiça é uma forma de idolatria (Cl 3.5) ou adoração a deuses e posses, e a condena junto com outros pecados. O Senhor Jesus viu cobiça no jovem rico quando lhe citou os seis mandamentos da segunda tábua da lei, e então o desafio ao décimo mandamento ao ordenar que ele vendesse tudo que tinha e desse o dinheiro aos pobres" (Dicionário Wycliffe, CPAD, p. 428).

    CONCLUSÃO
    Encerramos o trimestre conscientes de que Jesus não revogou a lei, mas a cumpriu. Aprendemos também que não há discrepância entre Jesus e Moisés e que a lei permanece até a consumação dos séculos, pois a fé cristã não é antinomianista e muitos preceitos do sistema mosaico reaparecem no Novo Testamento, mas adaptados à graça, pois fomos libertos da lei (Rm 3.28; Gl 5.1).

    PARA REFLETIR
    Sobre o décimo mandamento:

    O que significa cumprir a Lei?
    Significa que a manifestação do Filho de Deus tornou explícito o que antes estava implícito, e assim o Senhor completou a revelação.
    Devemos seguir a lei de Cristo, a do amor, ou o sistema mosaico?
    A lei mosaica se completa na lei de Cristo e do amor.
    Jesus não revogou a lei. Mas o que Ele fez?
    Ele viveu no seu dia a dia toda a lei. 
    O que é vida no Espírito? 
    A vida no Espírito é ter comunhão com Deus de maneira abundante e profunda.
    Fale um pouco sobre a relação da lei com a graça.
    A lei serviu para apontar o pecado e mostrar que homem algum poderia se tornar justo diante de Deus. A graça é favor imerecido. Éramos pecadores e não merecíamos o amor de Deus, mas Ele nos amou e nos livrou do pecado e do jugo da condenação que estava sobre nós.

    CONSULTE
    Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 61, p.42. 

    LIÇÃO 13 - A igreja e a lei de Deus
    Quando Jesus de Nazaré veio ao mundo terreno, Ele mostrou que a principal razão da sua vinda era esta: “Eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância” (Jo 10.10). Jesus de Nazaré é a Palavra encarnada. É o cumprimento de toda a lei: “E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas (Mt 22.34-40)”. Não podemos fazer com a Lei de Cristo o que os escribas fizeram com os Dez Mandamentos: Atentar para a dureza da Lei e esquecer-se do olhar amoroso que ela nos demanda.
    Mais importante que obedecer a letra é alcançar o espírito da Lei, que é Cristo. Assim o apóstolo Paulo ratifi ca: “Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás, e, se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor” (Rm 13.9,10). Quer cumprir a Lei de Deus de todo coração? Ame! Contra o amor não há lei. Por quê? O amor é o cumprimento da lei. Em vez de decorarmos uma lista de “pode não pode”, devemos fazer tudo baseado no amor — naturalmente a Bíblia não se refere ao amor romântico das telas de Hollywood, mas à disposição de se fazer o que tem de ser feito em favor do outro, segundo o Evangelho —, então cumpriremos a lei de Deus na íntegra. O nosso Senhor resumiu toda a lei ao dizer que o seu objetivo é levar os homens à plenitude do amor. Aqui está o seu signifi cado: “E disto demanda a Lei e os Profetas” (Mt 22.40).
    Precisamos relembrar que o Decálogo tem uma divisão natural que versa sobre o relacionamento do homem com Deus e do homem com o seu próximo. A nossa relação com a lei de Deus deve se dá nestes termos: vertical, amando a Deus de todo coração e alma; horizontal, amando o próximo como a si mesmo. Mais do que quaisquer perspectivas de interpretação, o mais importante é nos conscientizarmos da importância dos princípios eternos de Deus revelados na sua Palavra e interpretados pela pessoa bendita de Jesus de Nazaré. Por isso, toda leitura do Antigo Testamento precisa e deve ser feita tendo Jesus como a chave hermenêutica da nossa leitura e interpretação.
    Marketing para a Escola Dominical

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    Um mestre fora
    da lei
    SUGESTÃO DE LEITURA
    Um mestre fora
    da lei
    Ele foi acusado de quase tudo 
     quebrar a lei, ter más companhias, se embriagar, e de ser o próprio diabo. Ele era tão atrativo e perigoso que tiveram de matá-lo. Mas os que O conheceram
    melhor O amaram de um modo apaixonado. E este Jesus não mudou; Ele ainda é Ele mesmo, e está disponível para todos aqueles que gostariam de conhecê-lo

    Integridade Moral
    e Espiritual 

    Sem dúvida, o livro de Daniel revela fatos e acontecimentos os quais se evidenciam na atualidade. Na verdade, nenhum outro livro profético se ajusta tão perfeitamente às evidências atuais como o livro de Daniel. Nele, vemos a integridade e moral de um servo de Deus. Uma obra que edificará a sua vida  a fim de se achar mais fiel a Deus.

    Lição 12. 22 de Março de 2015 Não Cobiçarás

    Lição 12
    22 de Março de 2015
    Não Cobiçarás

    TEXTO ÁUREO
    "De ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem a veste." 
    (At 20.33)

    VERDADE PRÁTICA
    A cobiça é a raiz da qual surge todo pecado contra o próximo, tanto em pensamento como na prática.





    LEITURA DIÁRIA

    Segunda – Gn 3.6
    A queda do homem começou com a cobiça daquilo que não era seu.
    Terça – Pv 6.25
    A beleza é também uma porta para a entrada da cobiça
    Quarta – Mt 5.28
    A cobiça é um pecado que gera outros tipos de pecado
    Quinta – Rm 7.7
    O apóstolo Paulo mencionou a cobiça como fonte da concupiscência
    Sexta – 1 Co 10.6
    O cristão deve aprender a lição dos israelitas no deserto sobre a cobiça
    Sábado – Tg 1.14,15
    Ninguém é suficientemente forte para brincar com o pecado e sair ileso longe de mexericos

    LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
    Êxodo 20.17; 1 Reis 21.1-5,9,10,15,16

    OBJETIVO GERAL
    Apresentar a sutileza do último mandamento do Decálogo.

    OBJETIVOS ESPECÍFICOS
    Abaixo, os objetivos específicos referem-se aos que o professor deve atingir em cada tópico. 
    Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

       I.Tratar a abrangência e objetivo do último mandamento
      II.Mostrar o real significado da cobiça.
     III.Ressaltar as consequências nefastas da cobiça mediante o exemplo da vinha de Nabote.



    INTERAGINDO COM O PROFESSOR
    Todo ser humano tem desejos e vontades, e não existe nenhum mal nisso. O que o décimo mandamento proíbe é a ambição, o desejo ardente de possuir ou conseguir a todo custo o que pertence ao próximo. Tomemos como exemplo o rei Acabe. Ele poderia ter a terra que desejasse, mas tomado pela cobiça, desejou o vinhedo do seu próximo e não mediu esforços para conseguir. Cometeu abuso de poder, mentiu, inventou um plano sórdido e fez com que um homem inocente perdesse a vida. A cobiça é o resultado da maldade humana. 

    COMENTÁRIO
    INTRODUÇÃO
    O décimo mandamento envolve atos e sentimentos. O sétimo mandamento   proíbe o adultério, e aqui Deus proíbe o desejo de adulterar. O Senhor Jesus foi direto ao ponto: "qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela" (Mt 5.28). O último mandamento protege o ser humano de ambições erradas. A cobiça infecta pobres e ricos nas suas mais diversas formas.

    I. O DÉCIMO MANDAMENTO
    1. Abrangência. O tema diz respeito à proibição da concupiscência da carne, da concupiscência dos olhos e da soberba da vida (Gn 3.6; 1 Jo 2.16). Isso envolve muitos tipos de pecado como sensualidade, luxúria, busca desenfreada por possessões ilícitas, obsessão pelo poder, ostentação esnobe e orgulho. Esse mal continua no gênero humano desde a sua queda até a atualidade.
    2. Objetivo. O propósito divino é estabelecer limites à vontade humana, para que haja respeito mútuo entre as pessoas e seus bens. Muitos outros vícios acompanham a cobiça, como lascívia, concupiscência, inveja e avareza, entre outros (Gl 5.20,21; Tg 4.2). Não pode haver paz num contexto como esse. É necessário que cada pessoa se controle para viver uma vida virtuosa, e isso é fundamental na construção de uma sociedade justa e feliz. Melhor é o que domina seu espírito do que o que toma uma cidade (Pv 16.32). Nós levamos vantagem por termos Jesus e o Espírito Santo (Gl 2.20; 5.5).
    3. Contexto. Há algumas variações entre os dois textos (Êx 20.17; Dt 5.21). A ordem das cláusulas está invertida. Em Deuteronômio, aparece um sinônimo do verbo "cobiçar" e acrescenta-se a palavra "campo". Isso mostra que o formato de Êxodo está adaptado ao estilo nômade de vida de Israel no deserto, ao passo que Deuteronômio é o modelo para o país prestes a ser estabelecido na terra de Canaã.
    4. Esclarecimento. Os católicos romanos e os luteranos dividem em dois o décimo mandamento: "Não cobiçarás a casa do teu próximo", um; e "Não cobiçarás a mulher do teu próximo" (Êx 20.17), dois. Enquanto essas sentenças são lidas como mandamentos distintos, eles consideram "Não terás outros deuses [...]" e "Não farás para ti imagem de escultura [...]" como um único mandamento. Na soma permanecem os dez mandamentos. Ambos mantiveram a tradição catequética medieval desde Agostinho de Hipona. Nós seguimos o sistema das igrejas reformadas, que vem dos judeus e é anterior a tudo isso (cf. Flávio Josefo. História dos Hebreus. Edição CPAD, pp.165-66).

    PONTO CENTRAL
    É pecado o desejo ardente de possuir ou conseguir alguma coisa que pertence ao próximo.

    SÍNTESE DO TÓPICO I
    A finalidade do décimo mandamento é erradicar o desejo perverso de querer o que é do próximo. 

    II. COBIÇA
    1. Significado. O verbo hebraico hamad indica o ato de desejar aquilo que é gerado pela emoção, que começa com a impressão visual pela coisa ou pessoa desejada. Tudo isso se resume a "desejar, tentar adquirir, almejar, cobiçar". O termo é usado para "encontrar prazer em" (Is 1.29; 53.2). Hamad aparece duas vezes aqui no décimo mandamento (Êx 20.17). A Septuaginta traduz pelo verbo epithymeo, literalmente, "fixar desejo sobre"; de epi, "sobre", e thymos, "paixão, ira". O termo em ambas as línguas pode se referir a coisa boa ou coisa má, dependendo do contexto (Mt 5.28; 13.17).
    2. Cobiçar. Desejar o que pertence a outro é o pecado que o décimo mandamento condena. O Novo Testamento menciona esse último mandamento do Decálogo (Rm 7.7; 13.9). Trata-se de cobiçar a casa do outro, a mulher do próximo e em seguida o mandamento inclui servo e serva, boi e jumento, e termina com as palavras "nem coisa alguma do teu próximo". A cobiça é o desejo excessivo de possuir aquilo que pertence ao outro. A descrição deixa claro que não se trata de simplesmente almejar uma casa ou um boi, mas de desejos incontroláveis de possuir a casa e o boi que já tem dono, e isso por meio ilícito (At 20.33; 1 Co 10.6; Tg 4.2). É o mesmo que roubar (Mq 2.2).
    3. O texto paralelo. Como ficou dito antes, o décimo mandamento em Deuteronômio não segue rigorosamente o registro de Êxodo. Mas isso não altera o sentido da mensagem. O segundo verbo empregado para "cobiçar" é awah, que significa "desejar ardentemente, ansiar, almejar, cobiçar". Aparece ao lado de hamad (Gn 3.6) e, como termo alternativo, em "não cobiçarás a mulher do teu próximo" (Dt 5.21). A Septuaginta traduz os dois verbos igualmente por epithymeo.

    SÍNTESE DO TÓPICO II
    A cobiça é o desejo excessivo de possuir aquilo que pertence ao outro.

    SUBSÍDIO DIDÁTICO
    Professor, explique aos alunos que "Deus proíbe a cobiça de todo tipo quando fala da casa do vizinho, de sua esposa, servo, boi, jumento ou de qualquer coisa que lhe pertença (Êx 20.17). O Novo Testamento declara que a cobiça é uma forma de idolatria (Cl 3.5) ou adoração a deuses e posses, e a condena junto com outros pecados. O Senhor Jesus viu cobiça no jovem rico quando lhe citou os seis mandamentos da segunda tábua da lei, e então o desafio ao décimo mandamento ao ordenar que ele vendesse tudo que tinha e desse o dinheiro aos pobres" (Dicionário Wycliffe, CPAD, p. 428).

    III. A VINHA DE NABOTE
    1. Proposta recusada. O relato bíblico do confisco criminoso da vinha de Nabote é um dos mais chocantes da Bíblia e serve como amostra do que a cobiça é capaz de fazer. A vinha de Nabote era uma propriedade vizinha ao palácio do rei Acabe, em Samaria. O rei apresentou uma proposta de compra ou troca aparentemente justa. Mas Nabote recusou a oferta do rei: "Guarde-me o SENHOR de que eu te dê a herança de meus pais" (vv. 1-3). Havia nessa recusa uma questão familiar, cultural e religiosa. A propriedade era um bem sagrado que não se transferia definitivamente para outra família (Lv 25.23-25; Nm 36.7).  
    2. O direito de propriedade. O rei ficou "desgostoso e indignado [...] deitou-se na sua cama, e voltou o rosto, e não comeu pão" (v. 4). O rei Acabe adoeceu, pois a cobiça por algo que não lhe pertencia o havia dominado. A Bíblia diz que a medida da impiedade de Acabe se completou quando ele se casou com Jezabel, uma princesa fenícia de origem pagã, devota de Baal. Ela era filha de Etbaal, rei de Sidom (1 Rs 16.29-32). Jezabel não respeitava o sagrado direito de propriedade estabelecido por Deus na lei de Moisés. Ela não hesitou em elaborar um plano criminoso para condenar Nabote à morte e confiscar sua vinha (vv.9,10). 
    3. O pecado de Acabe e Jezabel. O plano de Jezabel funcionou com a conivência do marido. Envolveu a elite da sociedade e a corte palaciana, o que por si só mostra que a sociedade de Samaria estava completamente dominada, pois o texto menciona "anciãos e nobres" corrompendo falsas testemunhas (1 Rs 21.8-10). A acusação foi a seguinte: "Blasfemaste contra Deus e contra o rei" (v.10). Agora, Nabote devia ser "legalmente" apedrejado até a morte por ter se recusado a negociar sua propriedade com o rei. As duas testemunhas davam consistência legal ao processo (Lv 24.10-16; Dt 17.6).
    4. O casal não contava com uma testemunha verdadeira. Estava tudo acabado e benfeito social e juridicamente. Ao saber da notícia, Acabe ficou curado de sua enfermidade e foi tomar posse da vinha de Nabote (vv. 15, 16). Eles violaram o sexto mandamento, "não matarás"; o oitavo, "não furtarás"; o nono, "não dirás falso testemunho contra o teu próximo"; e o décimo, "não cobiçarás" (Dt 5.17, 19-21). Isso sem contar os três primeiros mandamentos que já vinham violando, com sua idolatria, desde o princípio. Mas Acabe e Jezabel não contavam com uma testemunha que sabia de tudo e tinha autoridade para se vingar dessas barbaridades (1 Rs 21.17-19).

    SÍNTESE DO TÓPICO III
    O episódio da vinha de Nabote nos mostra quão terrível é a cobiça e quais são suas consequências

    CONCLUSÃO
    O triste episódio de Acabe se repete ao longo da história. Que Deus nos livre de todas essas maldades. A lei não proíbe o desejo em si, mas o desejo daquilo que pertence a outro. Não é pecado desejar bens e conforto, as coisas boas de que necessitamos na vida. Na verdade, viver é desejar. Desejar uma casa é mais natural do que respirar, mas para isso é necessário trabalhar e fazer economias até conseguir a realização do seu desejo com ajuda de Deus.

    PARA REFLETIR

    Sobre o décimo mandamento:

    Qual a diferença entre cobiçar e desejar?
    A cobiça é o desejo excessivo de possuir aquilo que pertence ao outro. Não se trata de simplesmente almejar uma casa ou um boi, mas de desejos incontroláveis de possuir a casa e o boi que já têm dono, e isso por meio ilícito. É o mesmo que roubar.

    Você acha normal o que aconteceu com a vinha de Nabote?
    Explique que Acabe usou do seu poder como rei de forma errada, além de tramar um plano sórdido para tirar a vida de um homem. As atitudes de Acabe revelam seu caráter doentio. 

    O que você sentiria se tivesse a sua propriedade tomada?
    Resposta livre. Explique que a lei de Deus, e a brasileira, protegem o direito de propriedade. 

    Você já participou de uma artimanha para legitimar uma injustiça? 
    Deixe seus alunos à vontade para responder a tal pergunta. Se alguém se manifestar, oriente-o a nunca fazer tal maldade.

    Você já cobiçou o que pertence ao outro?
    Peça que os alunos sejam sinceros.

    CONSULTE
    Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 61, p.41. 
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    Aprendendo a Bíblia
    Junte toda sua família e faça do estudo da Bíblia algo alegre e instrutivo. Aprendendo a Bíblia vem cheio de perguntas e respostas ideal para maratonas e gincanas. Se você gosta de estudar a Palavra de Deus, é hora de provar seus conhecimentos. Também pode ser usado na elaboração de testes para a Escola Dominical

    SUGESTÃO DE LEITURA
    Mais 201 Respostas 
    Uma continuação da obra 201 respostas. O autor complementa sua versão anterior, a qual representa o resumo de uma pesquisa sobre os assuntos relevantes e práticos da vida cristã e do mundo contemporâneo.  Seus temas são de fácil entendimento, cujos pontos principais são: família, homossexualismo, suicídio, religiões, etc.

    A Difícil Doutrina do 
    Amor de Deus 
    A Difícil Doutrina do Amor de Deus não só critica as ideias sentimentais a respeito do amor de Deus, por exemplo. "Deus odeia o pecado, mas ama o pecador", como fornece uma perspectiva sobre a sua natureza e por que Ele ama como ama. Restaurar a idéia correta de quem é Deus.