1º PRIMEIRO,TRIMESTRE 2016 PARA JOVENS. JUSTIÇA E GRAÇA

Lição 2. 10/01/2016 PRA JOVENS. A NECESSIDADE DOS GENTIOS



Lição 2
10/01/2016

A NECESSIDADE DOS GENTIOS

TEXTO DO DIA
"[...] os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem" (Rm 1.32).
SÍNTESE
A obra da criação revela o conhecimento natural e racional de Deus. Por isso, o ser humano não tem como alegar desconhecer a existência de Deus.

Agenda de leitura

SEGUNDA - Rm 1.18
A ira de Deus
TERÇA - Rm 1.20
A criação revela as coisas invisíveis
QUARTA - Rm 1.21-22
É loucura não reconhecer a glória de Deus
QUINTA - Rm 1.23-27
A Bíblia condena a prática da relação sexual entre pessoas do mesmo sexo
SEXTA - Jo 16.8-11
O Espírito Santo é quem convence do pecado e da justiça de Deus
SÁBADO - Rm 1.32
O consentimento da injustiça
Objetivos
RECONHECER que o conhecimento natural e racional de Deus não é suficiente para a salvação;
CONSCIENTIZAR de que a idolatria (desprezo pela glória de Deus) induz o ser humano à perversão;
RECONHECER que somente o conhecimento experiencial de Deus liberta da ira do Todo-Poderoso.

Interação
Caro(a) professor(a), dentre os assuntos a serem abordados na lição de hoje, tem um polêmico. É o que trata da relação de pessoas do mesmo sexo (homoafetivas). Prática que tem sido incentivada pela mídia e pelos meios sociais, com vistas à tolerância e disseminação pela sociedade. Falar sobre esse assunto até nas igrejas que tem a Bíblia como regra de fé e conduta, tem sido rechaçada por algumas pessoas como uma prática discriminatória. Outras desejam tornar em lei a proibição de se falar do assunto nos púlpito. Portanto, o tema deve ser tratado com cuidado e, acima de tudo, alicerçado  na Palavra de Deus e abordado com amor e bom senso.

Orientação Pedagógica
Em geral, os professores de Escola Dominical, adotam o modelo tradicional de ensino. Os alunos ficam sentados uns atrás dos outros, em fila. O modelo mais moderno e eficiente para o processo de ensino aprendizagem, em especial para um grupo de jovens, é a disposição das cadeiras em círculo ou semicírculo. Professor(a) que fica no mesmo nível e envolvido entre os alunos facilita a relação e o aprendizado. Se a estrutura da sala de aula permitir, experimente usar esta formação e dar oportunidades para que os jovens participem com suas considerações. Seja receptível às ideias, mesmo que sejam contrárias à sua opinião, pois os jovens precisam ser convencidos por argumentos e não por imposição. Certamente, se sentirão mais envolvidos e importantes. Com isso, serão os principais promotores da Escola Dominical. 

Texto bíblico
Romanos 1.18-27
18. Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça;
19. porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou.
20. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;
21. porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.
22. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.
23. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.
24. Pelo que também Deus os entregou às concupiscências do seu coração, à imundícia, para desonrarem o seu corpo entre si;
25. pois mudaram a verdade de Deus em mentira e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém!
26. Pelo que Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza.
27. E, semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
A história da humanidade demonstra que o ser humano sempre buscou a Deus, mas falhou porque o busca da forma errada. A procura pelos interesses pessoais e atendimento aos desejos pecaminosos dominaram os povos. No texto a ser estudado o apóstolo argumenta que todo ser humano, criado à imagem  e semelhança de Deus, tem consciência da existência divina, pois a própria natureza é a prova desta existência. Mesmo reconhecendo a existência, se faz necessário um relacionamento mais estreito com este Deus. 

I - CONHECIMENTO DE DEUS PARA SALVAÇÃO (Rm 1.18-20)
1. As injustiças provocam a ira de Deus (v. 18). O texto (perícope) começa com o testemunho dos céus, demonstrando a observância divina sobre tudo o que acontece na terra. A atenção é para as práticas de injustiças que são praticadas, principalmente, pelas pessoas que detêm o poder sobre os demais seres humanos, oprimindo-os na busca do benefício próprio. Estas práticas provocam a "ira de Deus", que é uma linguagem antropopática para que o ser humano em sua limitação possa entender e reproduzir o agir divino. O Deus de justiça não pode ser conivente com práticas de injustiças e desumanização. O termo "ira de Deus" não é compreendido por muitas pessoas, alegando que Deus é amor e não poderia agir com atos de vingança ou rigorosos. As expressões "Deus é amor" e "Deus é justiça" não são contraditórias, pois um Deus de Amor deve proteger os injustiçados por meio da justiça. Toda injustiça é pecado (1 Jo 5.17a-ARA) e as práticas de injustiça serão julgadas por Deus, no tempo determinado por Ele.
2. O conhecimento natural e racional não liberta da ira de Deus (v. 19,20a). O conhecimento natural e racional de Deus é acessível a todo ser humano. O apóstolo argumenta que as coisas visíveis criadas por Deus são do conhecimento de todas as pessoas e representam as coisas invisíveis, que podem ser deduzidas pela lógica. Para Paulo não existe o ateu em estado puro, pois pelas coisas criadas é possível se descobrir Deus. Como explicar o funcionamento do universo, com milhares de galáxias, além das conhecidas, e a harmonia entre elas? O reconhecimento de um Deus que governa tudo isso pode se explicar racionalmente. O caminho da descoberta de Deus está aberto a todos. Todavia, o conhecimento experiencial é somente por meio da fé e é manifesto mediante a produção de frutos de justiça. O autor esclarece o tema da justificação por meio da fé nos capítulos 3 e 4 da epístola. 
3. A falta de conhecimento experiencial de Deus é indesculpável (v. 20b). Os argumentos do subtópico anterior demonstram que o ser humano não tem como justificar suas práticas de injustiças por não conhecer a Deus. Por outro lado, o fato de reconhecer a existência de Deus não caracteriza que esta pessoa praticará a justiça. Na época do apóstolo, como nos dias que vivemos, existem muitas pessoas que se dizem religiosas e praticantes da Palavra, mas infelizmente suas práticas não condiziam com o Evangelho que era ensinado pelo apóstolo. Dessa forma, a carteira de membro ou de ministro do evangelho não serve para se justificar diante de Deus, mas sim uma vida coerente com o evangelho e que manifesta o fruto do Espírito na vida. No meio pentecostal, a cultura que predomina é de que as manifestações dos dons espirituais são sinônimos de espiritualidade e santidade. Tal enfase leva-nos a desprezar o fato de que a santidade é evidenciada pelo fruto do Espírito (Gl 5.22).

Pense
Romanos demonstra que o Evangelho revela a justiça de Deus por meio da fé, porém também evidencia a ira de Deus sobre o pecado

Ponto Importante
Quando a Bíblia menciona a necessidade do conhecimento de Deus, não é o conhecimento teórico, mas o conhecimento experiencial, isto é, conhecer sobre Deus com Ele. 

II - RECONHECIMENTO DA GLÓRIA DE DEUS (Rm 1.21-27)
1. A falta do reconhecimento da Glória de Deus induz à ingratidão (vv.21,22). O versículo 21 usa a expressão "tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus", ou seja, aqui trata de uma pessoa que reconhece a existência de Deus por meio do conhecimento natural, mas não o reconhece como Senhor. Uma coisa é reconhecer a existência, outra é reconhecer adequadamente a Deus. Algumas pessoas, mesmo sabendo da existência do Criador, têm como motivação seu interesse pessoal, priorizando a busca do poder, do prazer e da zona de conforto, mesmo que para conquistar precise praticar a injustiça. Esta prática é denominada por algumas pessoas como "ser esperto". Como diz o apóstolo, "dizendo-se sábios, tornaram-se loucos", pois agir desta forma é loucura para Deus. Por isso, a necessidade de reconhecer a glória de Deus, ser grato por tudo que Ele tem nos proporcionado e, em tudo, glorificar ao nome do Senhor. Jovem, você tem sido grato a Deus?
2. O antropocentrismo ambiciona transformar a Glória de Deus em objeto (v.23). Quando o ser humano passa a ser o centro de todas as coisas (antropocentrismo), Deus é considerado como se fosse um objeto à disposição da vontade daquele. O apóstolo critica a prática de tentar transformar a glória do Deus incorruptível em objetos de imagem de criaturas (v. 23), como se fossem sagradas e capazes de atender os desejos pessoais (Sl 103.20; Jr 2.11). Aqui, precisamos conceituar idolatria como tudo aquilo que o ser humano coloca no lugar ou antes de Deus e para sua própria glória. Algumas pessoas por não se prostrar diante de uma imagem de escultura pensam não praticar idolatria. No entanto, quando as pessoas não reconhecem Deus como único Absoluto, acabam por substituí-lo por coisas (status social, cargo ministerial, bens, entre outros) ou pessoas. O fato de não termos imagens de escultura em nossas igrejas não garante a ausência de idolatria. Jovem, o que você tem priorizado em sua vida? Qual o lugar de Deus?
3. O antropocentrismo perverte o plano original para a sexualidade (vv. 24-27). Às pessoas que não reconhecem a glória de Deus, o apóstolo afirma que Deus os entrega às suas próprias concupiscências. Estas pessoas são inclinadas a buscar sua satisfação pessoal e uma das formas citadas é a relação sexual entre pessoas do mesmo sexo, diferente do projeto original de Deus (Gn 1.27; 2.18). No mundo greco-romano da época do apóstolo a pederastia era estimulada e inclusive vista como perfeição sexual. Contudo, Paulo condena essa prática, que tem se tornado cada vez mais popular nos dias atuais. Por isso, devemos estar preparados para tratar do assunto e das pessoas com esse comportamento sexual, quer fora, quer da própria igreja. É a nossa obrigação falar-lhes do amor de Cristo.
Pense
O ser humano que não se entrega à vontade de Deus, o Criador o entrega à sua própria vontade.

Ponto Importante
A idolatria ocorre quando colocamos outras prioridades antes de Deus. 

III - O CONHECIMENTO EXPERIENCIAL DE DEUS QUE LIBERTA DO PODER DO PECADO (Rm 1.28-32)

1. O desprezo pelo conhecimento experiencial de Deus conduz à perversidade (v. 28-31a). O apóstolo amplia os atos de perversidade que as pessoas que não se importam em buscar o conhecimento experiencial de Deus. A pessoa que tem o conhecimento experiencial com Deus, sente a presença dEle constantemente, pois o Espírito Santo tem liberdade para orientá-la, bem como adverti-la quando estiver propensa a sair da vontade do Pai, mantendo-a na fé de Cristo. Essa é a grande diferença entre aquele que conhece a Deus e aquele que não conhece. Existe um ditado popular que diz "fulano não tem nada a perder". Aqueles que não conhecem experiencialmente a Deus pensam não ter nada a perder e se entregam às suas próprias concupiscências, "estando cheios de toda iniquidade" (v. 29). Entretanto, o apóstolo afirma que serão julgados sob a ira de Deus. Portanto, todos têm "muito a perder".
2. O desprezo pelo conhecimento experiencial de Deus torna o ser humano irreconciliável (v. 31b-32a). A pessoa que se entrega à perversidade e não dá ouvidos ao Espírito Santo, o meio que Deus proveu para nos convencer do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8-11). Desse modo, se torna "irreconciliável", pois rejeita o único meio de se religar com Deus. Entretanto, isso ocorre porque ele não se importa com Deus e não o contrário. Esta pessoa sozinha não consegue vencer sua tendência para a prática do pecado e da injustiça. O fato é que nem todas as pessoas vão chegar ao conhecimento da verdade. Por mais que essa afirmação nos incomode, as pessoas são livres para aceitar ou não o Caminho. Não podemos mudar as pessoas, elas mudarão somente se quiserem e derem abertura ao Espírito Santo. Quem rejeita o projeto de Deus para salvação abraça o projeto que torna a mentira em verdade. 

Pense
"O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons" (Martin Luther King Júnior).

Ponto Importante
Todas as pessoas estão sujeitas ao erro e ao pecado, mas aquelas que se submetem a Deus e se importam com a sua vontade, dão ouvido ao Espírito Santo e não se comprazem na vida de pecado.

Quando as pessoas não reconhecem Deus como único Absoluto, acabam por substituí-lo por coisas (status social, cargo ministerial, bens, entre outros) ou pessoas. 

SUBSÍDIO 1
 "Paulo já era cristão há mais de 24 anos. Durante esse tempo, passara por muitas experiências e grandes decepções. Sua mente, porém, abria-se para Jesus como uma flor se abre ao sol. Amadurecera na vida cristã, e o Evangelho de Cristo era-lhe, mas que nunca uma preciosa realidade. Em sua carta, Paulo decidiu proclamar o Evangelho em sua plenitude. Suas palavras, ditadas a Tércio, visavam convencer os romanos de que todos, gentios ou judeus, precisavam da salvação provida por Deus em seu Único Filho. Deus a oferecia como um dom; bastava ao homem recebê-la de graça. Homem algum pode, por esforço próprio, ser reto e aceitável a Deus" (BALL, Charles Fergunson. A Vida e os Tempos do Apóstolo Paulo. Rio de Janeiro: CPAD, 1998, p. 150).

SUBSÍDIO 2
 "Todos fazem mais ou menos o que sabem que é mau e omitem o que sabem que é bom, de modo que ninguém se pode permitir alegar ignorância. O poder invisível de nosso Criador e a divindade estão tão claramente manifestados nas obras que têm feito de modo que até os idólatras e os gentios maus não têm desculpas. Eles seguiram de maneira néscia a idolatria, e as criaturas racionais trocaram a adoração do Criador glorioso por animais, répteis e imagens sem sentimento. Se apartariam de Deus até perderem todo o vestígio da verdadeira religião, se a revelação do Evangelho não os houvesse impedido. Os fatos são inavegáveis, quaisquer que sejam os pretextos estabelecidos quanto à suficiência da razão humana para descrever a verdade divina e a obrigação moral, ou para governar bem a conduta. Estas coisas mostram simplesmente que os homens desonram a Deus com as idolatrias e suas superstições mais absurdas, e que se degradaram a si mesmo com os mais vis afetos e obras mais abomináveis" HENRY, Matthew. Comentário Bíblico de Matthew Henry.1ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p. 925).

Caro professor, "o pecado e a injustiça, que desfiguram a  sociedade e tornam a vida tão penosa, têm como resultado o divino julgamento sobre a humanidade por rejeitar a Cristo e optar pela imoralidade. O crime e a injustiça expressam a natureza pecaminosa do homem e se constituem numa representação do julgamento divino do pecado" (RICHARDS, Lawrence O.  Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apolocalipse capítulo por capítulo. 12.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p. 737).

ESTANTE DO PROFESSOR
BALL, Charles Fergunson. A Vida e os Tempos do Apóstolo Paulo.1.ed. 
Rio de Janeiro: CPAD, 1998.
HENRY, Matthew. Comentário Bíblico de Matthew Henry. 1.ed. 
Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

CONCLUSÃO
Nesta lição aprendemos que a criação é uma prova evidente da existência de Deus, o ser soberano que se ira contra as práticas de injustiça. Para não ser consumido pela ira divina é preciso ter um conhecimento experiencial de Deus, pois o conhecimento natural e racional não é suficiente para salvação. 

HORA DA REVISÃO
De acordo com a lição, algumas pessoas afirmam que a expressão "Deus é amor" é conflitante com a expressão "Deus é justiça". De acordo com a lição estas expressões são contraditórias?
As expressões "Deus é amor" e "Deus é justiça" não são contraditórias, pois um Deus de Amor deve proteger os injustiçados por meio da justiça.

As igrejas evangélicas não possuem em seus templos imagens de esculturas. Esta atitude garante a ausência de idolatria na igreja?
O fato de não termos imagens de escultura em nossas igrejas não garante a ausência de idolatria, pois a idolatria é tudo aquilo que você coloca no lugar, ou antes, de Deus.

Os cristãos evangélicos afirmam que a Bíblia condena a relação entre pessoas do mesmo sexo. Qual a base bíblica no Novo Testamento para tal afirmação?
A base bíblica está na afirmação do apóstolo Paulo em Romanos 1.26,27: "Pelo que Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro".

De acordo com a lição, quando uma pessoa pode se tornar irreconciliável com Deus?
A pessoa que se entrega à perversidade e não dá ouvidos ao Espírito Santo, o meio que Deus proveu para nos convencer do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8-11) se torna "irreconciliável", pois rejeita o único meio de se religar com Deus.

Segundo a lição, o apóstolo Paulo afirma ser suficiente não praticar a injustiça?
Não. O apóstolo ensina que consentir com a injustiça também se constitui uma prática injusta.

Lição 4. 24/01/2016 PRA JOVENS. A NECESSIDADE UNIVERSAL DE SALVAÇÃO

Lição 4
24/01/2016
A NECESSIDADE 
UNIVERSAL DE SALVAÇÃO 


TEXTO DO DIA
"Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus" (Rm 3.20).
SÍNTESE
Todo ser humano estava condenado pela Lei, que aponta o pecado humano. Somente Deus poderia apresentar um meio alternativo para a necessidade universal de salvação.

Agenda de leitura

SEGUNDA - Rm 3.9
Judeus e gentios estão na mesma condição diante Deus
TERÇA - Rm 3.10
Sem a graça de Deus, não há nenhum justo
QUARTA - Rm 3.11-17
O pecador que não ouve o Espírito Santo
QUINTA - Rm 3.19
A Lei não justifica
SEXTA - Rm 3.24-25
A lei serve apenas para apontar a solução
SÁBADO - Rm 3.20
O ser humano não tem como se justificar por meio de suas obras 

Objetivos
MOSTRAR que os judeus e gentios necessitam de um meio eficaz para salvação;
RECONHECER que a humanidade necessita encontrar o caminho da paz;
EXPLICAR que a humanidade necessita da solução para o pecado.

Interação
Caro(a) professor(a), precisamos caminhar lentamente junto com o apóstolo Paulo. Perceba a paciência e o cuidado de um bom mestre nas lições que estudamos até aqui, o que continuará também nas lições posteriores. O apóstolo começa com a saudação, apresentando suas credenciais, elogiando o que os membros da igreja de Roma tinham de positivo, incentivando-os a continuarem no Caminho. Ele demonstra seu carinho e a vontade de estar com eles. Testemunha o poder do Evangelho em sua vida e a importância de perseverar nele, de fé em fé. Em seguida, ele começa apresentar a condição de indesculpabilidade dos gentios e judeus até chegar ao momento desta lição atual. Neste estágio do comentário do apóstolo, por meio de forte argumentação, ele demonstra que todos nós, independente de raça, cor, gênero, classe social, entre outros, estamos na mesma situação (mesmo barco) e necessitamos de uma mesma solução para a justificação diante de Deus.

Orientação Pedagógica
Para exemplificar a situação de igualdade entre judeus e gentios e da humanidade, sugerimos que utilize a figura de uma canoa com algumas pessoas dentro. As pessoas devem estar em lados opostos. Diga que as pessoas do lado oposto da canoa simbolizam os judeus. Os gentios estão em lados diferentes, mas ambos na mesma canoa. Diga que a canoa apresenta um furo em um dos lados e se a situação atual continuar é inevitável o naufrágio. No entanto, os personagens que estão do lado que não apresenta o furo se sentem protegidos, não correndo o risco de morrerem afogados. Estes são como cegos, por não querer ver que estão na mesma canoa, sujeitos a mesma sentença: morrerem afogados. Esta era a atitude dos judeus que se julgavam protegidos pela Lei e a circuncisão, mas que Paulo demonstra estarem na mesma condição dos gentios, injustificados e condenados à ira de Deus. Judeus e gentios no mesmo barco e em situação de risco fatal, pois o barco está furado. 

Texto bíblico Romanos 3.9-20
9. Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma! Pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado,
10. como está escrito: Não há um justo, nem um sequer.
11. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus.
12. Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.
13. A sua garganta é um sepulcro aberto; com a língua tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios;
14. cuja boca está cheia de maldição e amargura.
15. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue.
16. Em seus caminhos há destruição e miséria;
17. e não conheceram o caminho da paz.
18. Não há temor de Deus diante de seus olhos.
19. Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus.
20. Por isso, nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Nas lições anteriores vimos que nem os gentios com seu conhecimento natural e racional, nem os judeus com a Lei e a circuncisão, foram justificados diante de Deus. Como o conceito de mundo judaico se divide entre judeus e gentios, o apóstolo apresenta a realidade de que todos são indesculpáveis e precisam de um meio eficaz de salvação. Para isso, ele primeiro reforçará o conceito de que tanto judeus como gentios eram indesculpáveis, em seguida demonstrará o estado pecaminoso do ser humano no sentido universal e esclarecerá que a Lei era insuficiente para justificação e salvação de qualquer ser humano, apontando para Cristo como a saída.

I - OS JUDEUS E GENTIOS NECESSITAVAM DE UM MEIO EFICAZ PARA SALVAÇÃO (Rm 3.9)
1. A filosofia humana não apresentou o caminho da salvação. "Pois que?", o início do versículo demonstra que o apóstolo está dando continuidade a um assunto anterior, a indesculpabilidade dos gentios e judeus. Os gentios, influenciados pela filosofia grega, buscaram chegar ao conhecimento de Deus e da salvação por meio do raciocínio humano. Os filósofos trouxeram grandes contribuições tanto para a ciência como para a teologia, basta ver a influência destes nos Pais da Igreja. Entretanto, a revelação divina está acima do raciocínio humano, que apenas consegue obter "lampejos" da revelação maior, que somente é possível por meio do Espírito Santo. A filosofia levou muitas pessoas a acharem que o ser humano pudesse, por meio de sua competência intelectual, entender Deus e sua obra. Por exemplo, no século passado um movimento que sobressaiu foi o cientificismo que, influenciado pelo avanço da tecnologia, entendia que poderia resolver o problema da humanidade. Infelizmente, a resposta foi as duas guerras mundiais.
2. A lei e a circuncisão não libertaram o judeu. Conforme visto na lição anterior, os judeus se achavam superiores aos gentios por serem os receptores da Lei e que mantinham sua identidade e exclusivismo por meio da circuncisão, um ritual obrigatório e que apenas aumentava mais a arrogância e a hipocrisia dos judeus. Eles também não obtiveram êxito na justificação diante de Deus. A religiosidade não salva. Algumas pessoas buscam a religiosidade, a manutenção de uma aparência de pureza, espiritualidade e santidade, ou seja, uma vida hipócrita que não liberta ninguém. A Bíblia recomenda que congreguemos e que vivamos uma vida de amor, com objetivos comuns, a não termos uma vida de religiosidade baseada no legalismo. Jovem, você é um religioso ou um verdadeiro discípulo de Cristo?
3. Sentença igual para todas as pessoas. O apóstolo continua o versículo com uma pergunta interessante: "Somos nós mais excelentes?" Ele agora se dirige a Igreja de Cristo, formada por um único corpo e vários membros, coloca todas as pessoas "no mesmo barco", debaixo da mesma sentença (Rm 2.1). A pergunta chama todas as pessoas que se dizem discípulas de Cristo a refletir. Ele mesmo responde: "De maneira nenhuma!" Nós, como membros da igreja, não somos melhores ou piores do que os gentios e judeus da época de Paulo, mas estamos na mesma condição, humanamente falando, indesculpáveis diante de Deus. O apóstolo vai desenvolvendo, cuidadosamente, uma abordagem para que os membros da igreja reconheçam sua condição de pecadores e dependentes da graça de Deus, por meio de Jesus. Eles precisam aprender que, mesmo salvos, precisam manter o "velho homem" sob controle. 

Pense
Não adianta recorrer às filosofias humanas nem à religiosidade ou ao legalismo para alcançar a paz.

Ponto Importante
Não adianta ter pressa para apresentar a solução sem antes analisar o problema. 

II - A HUMANIDADE NECESSITA ENCONTRAR O CAMINHO DA PAZ (Rm 3.10-18)
1. Não há nenhum justo sequer (vv. 10-12). A partir deste versículo o autor faz vários recortes do Antigo Testamento, chamando assim, a escritura judaica para testemunhar a culpa universal, tanto de judeus como dos gentios. Inicia citando Salmo 14 para demonstrar que toda humanidade estava corrompida pelo pecado. Conforme já vimos, ninguém consegue ser justo por si mesmo, pois nossa natureza é má. Por isso, devemos entender que ninguém é melhor do que o outro e adotarmos uma posição de humildade e misericórdia. O único justo por mérito próprio foi Jesus. Postura de superioridade por se considerar espiritualmente menos falível, como os judeus, conduz à ruína. Jesus, em diversas ocasiões, criticou a hipocrisia dos mestres da lei e fariseus, e se colocou ao lado dos excluídos da sociedade. Como discípulos de Jesus, devemos compreender que o evangelho é boa nova de salvação e não de hipocrisia e superioridade. Jovem, você tem se considerado superior ao seu próximo?
2. O ser humano, sem Deus, não consegue vencer o poder da carne (vv. 13-16). O autor prossegue citando os Salmos 5.10 e 140.4 para falar sobre o perigo da língua e das trapaças. Para discorrer sobre este assunto, Tiago 3.1-12 é leitura obrigatória. Tiago destaca como um membro tão pequeno pode causar tantos males. O ser humano que consegue domar tantos animais, tecnologias, entre outras coisas não consegue domar sua língua, pois o autor diz que quem consegue é perfeito. O apóstolo continua citando o Salmo 10.7 e Isaías 59.7 para falar sobre a boca cheia de maldições e de amargor e os pés velozes para derramar sangue e causar ruína e desgraça. Por isso, o cuidado que temos que ter com o que dizemos, em vez de amaldiçoar que sejamos fonte de bênçãos para as demais pessoas. Assim, como também com as atitudes de impiedade e injustiça, denúncia que o autor cita aqui e que perpassa toda a epístola. Com essa exortação fica claro que todos necessitamos constantemente nos submeter ao Espírito Santo para vencermos o poder da carne.
3. A humanidade não alcança a paz a não ser em Cristo (vv. 17,18). Paulo fazendo referências ao Antigo Testamento (Is 59.8; Sl 36.2), destaca a busca sem sucesso da humanidade pela paz por não terem aprendido a temer a Deus. O livro de Provérbios tem como um dos temas centrais o temor do Senhor como o princípio de toda a sabedoria. Esta vida de sabedoria é possível somente com a fé de Cristo, aprendendo com o exemplo que Ele deixou. Não é servir a Deus por ter medo de ir para o inferno, mas sim ter um conhecimento experiencial tão profundo com Ele, que o ser humano não se vê vivendo de outra forma, a não ser servindo a Ele. Este é o caminho da paz, que não significa uma vida sem conflitos, mas a paz apesar dos conflitos e aflições (Jo 16.33). Quando sou questionado: "tudo tranquilo?", eu costumo dizer: "tranquilo não, mas em paz. A tranquilidade não depende de mim, mas a paz sim".

Pense
Você tem vivido em paz? A paz que excede todo entendimento, que prevalece mesmo nas tempestades? 
Ponto Importante
Os judeus davam muito valor aos escritos do Antigo Testamento, onde se apegavam para justificar suas crenças e atitudes. 

III- A HUMANIDADE NECESSITA DA SOLUÇÃO PARA O PECADO  (Rm 3.19,20)
1. A lei tem a função de mostrar ao ser humano sua condição de pecador (v. 19). No versículo 19, o autor justifica o porquê da utilização dos textos do AT: "Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus" (v. 19).  Fica evidenciado qual o propósito da epístola até este momento, ou seja, demonstrar que toda a humanidade, judeu ou gentia, tem uma dívida pelo pecado que é impagável. Dessa forma, abre-se o caminho para apresentar a grande revelação de Deus para a humanidade que é apresentada na epístola, as boas novas da salvação para uma humanidade em pecado e que não têm como pagar sua dívida. Aqui é apresentada a função específica da Lei que é conscientizar todo ser humano de que ele é um pecador e carece da graça e misericórdia de Deus.
2. O ser humano não pode se justificar pelas suas próprias obras (v. 20a). O apóstolo, então apresenta o motivo da culpabilidade da humanidade citada anteriormente: "Por isso, nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei". O ser humano pode se gloriar de suas obras perante as demais pessoas, mas perante Deus não encontrará justificativa, pois nem mesmo Abraão alcançou por méritos (Rm 4.1-3). Se houvesse um só ponto ou característica do ser humano que o pudesse justificar, existiriam outros caminhos para se alcançar a justificação além do caminho da morte e cruz apresentado por Jesus, e certamente os homens escolheriam o caminho mais simples. Paulo descarta qualquer possibilidade de o ser humano se gloriar diante de Deus e, semelhante à prática usual de Jesus, usou da autoridade da Escritura para esta afirmação. Mas, como se dá a justificação será assunto da próxima lição.


Jovem, se todas as pessoas são iguais perante Deus, com tendências a pecar e não tendo como se justificar pelas suas obras, porque existem tantas pessoas nas igrejas, dizendo-se discípulas de Cristo, que se vangloriam e agem como se fossem melhores e mais santas do que as outras?

Ponto Importante
O fato de a Lei não ser suficiente para justificar o ser humano, não quer dizer que ela não teve uma função específica. Segundo Paulo, ela serviu como "aio" para conduzir o pecador até Cristo.

SUBSÍDIO
"[...] Falsos mestres dizendo-se cristãos ensinavam que depois do recebimento da salvação, o cristão tinha de obedecer a todas as normas e regulamentos da lei do Antigo Testamento. Paulo entrou em ação para corrigir este falso ensino. Ele mostrou que a salvação é um dom gratuito de Deus, recebido mediante a fé na obra expiatória de Jesus Cristo, dom esse gratuito, proveniente da graça de Deus. Para serem salvos os gálatas não dependiam das obras, e também não dependiam disso para continuarem salvos. A lei do Antigo Testamento não podia evitar que o ser humano, não importando quão bom fosse, praticasse o mal; entretanto, esta mesma lei o declarava culpado. A decisão para obedecer ou desobedecer à Lei era responsabilidade de cada pessoa que a recebia. Se alguém escolhesse desobedecer à Lei teria de arcar as inevitáveis consequências. Lendo a história da nação de Israel no Antigo Testamento, vemos que o povo escolhido de Deus desobedeceu à Lei muitas vezes e sofreu por causa da desobediência. Deus sabia que o homem por seu próprio esforço não podia cumprir a Lei. Eis por que Ele concedeu-lhe que oferecesse sacrifícios substitutos como expiação pelo pecado. Tais sacrifícios eram repetidos continuamente, por serem imperfeitos, mas quando veio o Senhor Jesus Cristo, o sacrifício perfeito, Ele ofereceu-se uma vez para sempre como nossa expiação e cumpriu todas as exigências da justa lei divina" (GILBERTO, Antônio. O Fruto do Espírito: A plenitude de Cristo na vida do Crente. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, pp.147-148).

ESTANTE DO PROFESSOR
GILBERTO, Antônio. O Fruto do Espírito: A plenitude de Cristo na vida 
do Crente. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

CONCLUSÃO
Nesta lição aprendemos que toda humanidade esta na mesma situação de culpabilidade diante de Deus, pois nem a Lei, circuncisão nem a filosofia puderam justificar o ser humano. 

HORA DA REVISÃO
Conforme a lição, somos melhores ou piores do que os judeus e os gentios da época do apóstolo Paulo?
Estamos na mesma condição. Nós, como membros da igreja não somos melhores ou piores do que os gentios e judeus da época de Paulo, mas estamos na mesma condição, humanamente falando, indesculpáveis diante de Deus e dependentes da graça de Deus, por meio de Cristo Jesus.

Quem foi alvo de crítica de Jesus por hipocrisia religiosa?
Jesus, em diversas ocasiões, criticou a hipocrisia dos mestres da lei e fariseus.

Quais os textos do Antigo Testamento utilizados pelo autor para falar sobre o perigo da língua e trapaças e qual leitura do Novo Testamento, segundo o comentarista da lição é obrigatória?
O autor cita os Salmos 5.10 e 140.4 para falar sobre o perigo da língua e das trapaças. Para discorrer sobre língua, Tiago 3.1-12 é uma leitura obrigatória.

Qual o versículo que o autor da Epístola aos Romanos utiliza para justificar a utilização de textos do Antigo Testamento?
O versículo 19: "Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus" (Rm 3.19).

Qual era a função da Lei?
A função da Lei era dar consciência tanto a judeus como gentios de sua culpabilidade e conduzi-los à Cristo, a solução para o pecado da humanidade.

Lição 5.31/01/2016 PRA JOVENS. A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ


Lição 5
31/01/2016
A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ  


TEXTO DO DIA
"[...] isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença" (Rm 3.22).
SÍNTESE
Abraão foi a figura didática adequada para a explicação paulina da justificação pela fé, pois foi justificado antes da circuncisão e da lei, sem obras meritórias, mas somente pela fé.

Agenda de leitura

SEGUNDA - Rm 3.21
Somos justificados pela fé
TERÇA - Gl 1.6,9
Alguns dos gálatas depois de justificados, foram tentados a retroceder
QUARTA - Rm 4.1-8
A justificação de Abraão foi um presente de Deus
QUINTA - Rm 4.9-16
Abraão foi justificado antes da circuncisão e da lei
SEXTA - Hb 11.18
Abraão acreditava que Deus poderia ressuscitar Isaque
SÁBADO - Gn 12.1-9
A justificação de Abraão foi um protótipo da fé cristã
Objetivos
APRESENTAR a doutrina da justificação pela fé;
CONSCIENTIZAR da insuficiência da lei para a justificação;
EXPLICAR porquê Paulo utilizou a figura de Abraão para esclarecer a doutrina da justificação pela fé
Interação
Chegamos ao ponto central da Epístola aos Romanos, o momento em que Paulo cuidadosamente preparou para apresentar a grande novidade, a revelação da verdadeira justiça de Deus, que se constitui na doutrina da justificação pela fé, já indicada em Romanos 1.17. Até este momento, Paulo teve o cuidado para demonstrar que o judeu e o gentio estavam em situação de igualdade, que todos pecaram e destituídos estavam da glória de Deus. Ele conscientizou seus destinatários da dependência de uma alternativa para salvação, de outra forma, estariam condenados. No auge da expectativa, apresenta a solução, a salvação somente é possível por meio do sacrifício de Cristo, pois os sacrifícios do Antigo Testamento foram transitórios e somente encobriam os pecados. Qual o preço então? Paulo afirma que o ser humano precisa apenas ter fé e aceitar o pagamento de sua dívida por Cristo. Para comprovar aos judeu-cristãos ou cristãos judaizantes, utiliza o maior argumento deles, a figura de Abraão. Ele era utilizado pelos judeus como modelo da justificação pelas obras, mas, com base em Gênesis 15.6, Paulo demonstra que Abraão não foi justificado pelas obras, mas pela fé, antes da circuncisão e da lei. Com isso, o apresenta como pai de todo aquele que crê como ele, no Deus do impossível e com poder para ressuscitar (Hb 11.18). O capítulo 4 é uma obra prima do apóstolo.

Orientação Pedagógica
Sugerimos a simulação de um júri. Para isso, você precisará dedicar pelo menos uns 25 minutos de sua aula. Os alunos devem ler a parábola do fariseu e do publicano que se encontra em Lucas 18.9-14. Divida a turma em dois grupos, um grupo para defender os argumentos do fariseu e o outro para defender os argumentos do publicano. Dê uns 5 minutos para os grupos se organizarem e definirem um representante de cada grupo para defender (advogado) seu personagem escolhido (fariseu ou publicano) diante do juiz, que será você professor(a). Dê oportunidade para que cada um argumentar e depois contra-argumentar. No final, dê o veredito final, conforme registrado em Lucas 18.9-14. Aproveite para explorar os conceitos da doutrina da justificação pela fé. 

Texto bíblico
Romanos 3.21-31
21.  Mas, agora, se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da Lei e dos Profetas,
22. isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença.
23. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus,
24. sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus,
25. ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;
26. para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.
27. Onde está, logo, a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não! Mas pela lei da fé.
28. Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei.
29. É, porventura, Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios, certamente.
30. Se Deus é um só, que justifica, pela fé, a circuncisão e, por meio da fé, a incircuncisão,
31. anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma! Antes, estabelecemos a lei.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Nesta lição, iremos estudar a doutrina da justifacação pela fé, que foi o grande fundamento teológico utilizado por Lutero na Reforma Protestante. Paulo vai esclarecer o que ele já havia indicado no primeiro capítulo (Rm 1.17). 

I - A DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ (Rm 3.21-26)
1. O que é a doutrina da justificação pela fé? A doutrina da justificação pela fé é o cerne da teologia paulina, utilizada especialmente quando em confronto direto com o ensino judaico ou dos judeu-cristãos, que defendiam que o homem encontra a graça de Deus quando cumpre a vontade divina por meio da lei judaica. Paulo contra-argumenta que basta ao ser humano ter fé na eficácia do sacrifício de Cristo na cruz para Deus o declarar justo. Os gálatas são chamados à atenção por Paulo por desprezar este sacrifício e misturar a justificação com a santificação, confiando nas obras de justiça (Gl 1.6,9), o que Paulo chama de "outro evangelho". Martinho Lutero quando traduziu Romanos 3.28, acrescentou "somente" para dar ênfase, ficando assim o texto: "[...] pela fé somente". Do ponto de vista linguístico, Lutero tinha razão de traduzir assim, pois apesar de o fato das palavras "somente" e "só" terem sido omitidas, esse é realmente o sentido do texto. 
2. O aspecto forense da doutrina da justificação pela fé. O termo forense está relacionado ao sistema e práticas judiciais. Neste caso, tem a ver com o conceito da declaração judicial divina. Para facilitar o entendimento, vamos ilustrar a figura do supremo tribunal de Deus. Neste tribunal, toda a humanidade tem uma dívida impagável. Entretanto, Cristo por meio de sua morte na cruz deposita no "Banco do Céu" o valor suficiente para saldar a dívida de toda a humanidade. Desse modo, individualmente, quem reconhece o depósito efetuado por Cristo, pela fé, requisita a Deus, o Supremo Juiz, a absolvição pelos pecados (dívida) cometidos, indicando para pagamento o depósito feito por Jesus. O juiz divino, ciente do depósito realizado, credita na conta do réu (Gn 15.6) e o declara justo. Assim, aquele(a) que inicialmente estava condenado(a) pela ira de Deus, com a justificação, passa a ter a sentença divina retirada, reconciliado com Deus gratuitamente, em Cristo. 
3. Jesus e a doutrina da justificação pela fé. A doutrina da justificação pela fé está presente na mensagem propagada por Jesus, como pode ser constatada em diversas parábolas e também no seu próprio estilo de vida. Paulo apresenta uma compreensão da mensagem de Jesus maior do que qualquer outro autor do Novo Testamento. Um ensinamento tão crucial como a doutrina da justificação não poderia estar ausente nos ensinamentos do "Mestre dos mestres", o Senhor Jesus Cristo. Os conceitos permeavam toda sua pregação do evangelho. Um dos exemplos clássicos é o relato do encontro de Jesus com o ladrão que estava ao seu lado na cruz. Por meio de sua fé em Cristo, o ladrão recebeu a promessa de que estaria com Ele no paraíso (Lc 23.43), sem exigir nenhum sacramento, obra ou ritual para que alcançasse a justificação. Outro exemplo é a parábola do fariseu e do samaritano (Lc 18.9-14), que será analisada no tópico seguinte.

Pense
A doutrina da justificação pela fé foi o princípio fundamental da Reforma. 

Ponto Importante
Apesar de Jesus não falar especificamente ou de forma sistematizada sobre a doutrina da justificação pela fé, seus conceitos permeiam seus ensinos e modo de vida.

II - A INSUFICIÊNCIA DA LEI PARA A JUSTIFICAÇÃO (Rm 3.27-31; Lc 18.9-14)
1. A justiça do homem é como trapo de imundícia (vv.27-30). Como poderia um pecador, um ser humano decaído e miserável, sobreviver diante do tribunal de um Deus absolutamente santo e justo? A justiça inerente do homem é insuficiente para a justificação, considerada como trapos de imundícia (Is 64.6; Fp 3.8,9), sendo necessária uma justiça superior que está fora do homem e que lhe seja atribuída. A essência da justificação é de que o homem é perdoado com justiça, entretanto, é preciso entender que tal justiça alcançada por Cristo por sua perfeita obediência e o sacrifício de si mesmo, sendo posteriormente atribuída ao crente. Essa justificação traz como efeito o perdão, a paz com Deus e a certeza da salvação. As boas obras não são consideradas como causa, mas como consequências da justificação. Antes da justificação, Deus é um juiz irado que mantém a condenação da lei, mas após a justificação inocenta e trata o pecador como filho.
2. A parábola do fariseu e do publicano (Lc 18.9-14). Os fariseus observavam os mais rigorosos padrões legalistas com jejuns, orações, esmolas e outros rituais que excediam as leis cerimoniais mosaicas. Jesus apresenta por meio da parábola algo que chocou seus ouvintes: colocar um cobrador de impostos, considerado, traidor pelos judeus, em melhor posição, quanto à justificação, do que um fariseu. A lição de Jesus é clara: O publicano reconhecia que sua dívida era muito alta e não tinha condições de pagá-la, a única coisa que poderia fazer era rogar pela misericórdia de Deus. Não recorreu a obras que havia realizado, nem ofereceu fazer nada, simplesmente rogou que Deus fizesse por ele o que ele próprio não podia fazer, somente baseado na fé e misericórdia divinas. Por outro lado, o fariseu demonstrou arrogância, confiando que os jejuns realizados, dízimos e outras obras consideradas justas, o tornariam aceito por Deus. Uma cobrança de retribuição. Porém Jesus afirma que dos dois, somente o publicano foi justificado.
3. A justificação pela fé e a santificação (v. 31). O apóstolo tem o cuidado para não ser entendido como um libertino, sem regras e disciplina. A justificação pela fé não significa que uma vez justificado, o crente pode fazer o que bem entender. Precisa-se tomar cuidado com algumas afirmações teológicas, como por exemplo, a que ensina que "uma vez salvo, salvo para sempre". A justificação, como já vimos, é imediata, instantânea. No entanto, uma vez justificado, o crente deve manter sua vida de comunhão com Deus e desenvolver a santificação, que é progressiva. Alguns críticos da Bíblia afirmam que Paulo contradiz Tiago, porque este assegura que a fé é comprovada pelas obras. Isto é um equívoco, pois eles tratam de momentos diferentes da salvação. Paulo fala da justificação, que  é mediante a fé e acontece instantaneamente na conversão (ato estático), enquanto Tiago fala da santificação que vai sendo desenvolvida após a conversão (processo contínuo).

Pense
Jovem, já pensou em quão grandiosa é a misericórdia de Deus e quão infinito é seu amor, a ponto de dar seu único filho para morrer e pagar o preço pela dívida que era sua?

Ponto Importante
Não se pode confundir justificação com santificação. 

III - ABRAÃO COMO EXEMPLO DA JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ (Rm 4.1-25)
1. A justificação de Abraão não foi por obras meritórias (vv. 1-8). Paulo não evita o campo escolhido pelos seus adversários, mas refreia os judeus que se gloriavam por serem filhos de Abraão. Ele cita Gênesis 15.6 por fazer parte da Escritura hebraica, totalmente aceita pelos judeus, para demonstrar que Abraão foi justificado, pela fé e não por qualquer obra efetuada. Paulo passa a trabalhar com o significado de "creditar" usado pela primeira vez na epístola para demonstrar que Abraão foi justificado não porque tinha crédito com Deus, mas porque a fé demonstrada de que Deus pode justificar o ímpio gratuitamente foi creditada em sua conta, o suficiente para sua justificação. Para reforçar o argumento, Paulo utiliza também a figura de Davi, citando o Salmos 32.1,2 Portanto,  a justificação vem a nós gratuitamente como um presente.
2. A justificação de Abraão não foi por meio da circuncisão (vv. 9-16). Um dos argumentos mais fortes utilizados pela epístola aos Romanos é da paternidade de Abraão de todos aqueles que creem, desenvolvido em Romanos 4.9-12. O período em que Abraão foi declarado justo pela sua fé na palavra de Deus, conforme descrito em Gênesis 15.6, correspondia a uma época bem anterior à sua circuncisão. Se a fé e a justificação de Abraão ocorrem antes da circuncisão, ele também é pai dos gentios, que creem independentes de circuncisão. Os versículos 13 a 16 trazem um novo elemento, a antítese entre a lei e a promessa. Esclarece que a lei mosaica foi estabelecida depois da promessa e justificação de Abraão pela fé (430 anos depois). Portanto, não influenciou na justificação. Dessa forma, Abraão foi justificado antes da circuncisão e do estabelecimento da Lei, por não serem requisitos necessários para a justificação.

Pense
Abraão demonstrou uma fé ainda maior, pois creu na ressurreição de seu filho (Hb 11.18), mesmo antes de haver qualquer menção de ressureição na Bíblia.

Ponto Importante
Se tivesse alguém que pudesse ser justificado por obras, Abraão o seria, com toda certeza. Mas o apóstolo contrapõe a justificação pelas obras citando o livro de Gênesis 15.6 que afirma ter sido Abraão justificado pela fé, e não pelas obras.

A justificação pela fé não significa que uma vez justificado, o crente pode fazer
o que bem entender.

Caro professor, "Deus nos ordena que ensinemos os jovens. Os jovens de hoje são os líderes de amanhã. Eles estabelecem metas, fazem escolhas e vivem a vida levando em conta suas decisões. O ministério de ensino de jovens deve ser excelente.
Os jovens encontram-se numa encruzilhada. As pessoas que estão em contato com as crianças de hoje têm a sensação agourenta de uma crise acelerada e problemática. Algo deve ser feito. Há uma urgência sobre o  ministério da mocidade, e aqueles que a consideram de baixa prioridade.
Ensinar os jovens é importante para a nossa igreja, por causa do período em que se encontram na vida. Decisões cruciais são tomadas à medida que passam para a maioridade. Nós os ensinamos, não apenas para ampará-los como jovens, mas também para ajudá-los a se tornar líderes adultos.
Procuramos formar neles as qualidades e características da maioridade cristã. Nosso mais profundo desejo é que o andar cristão dos jovens torne-se um estilo de vida, no conhecimento da Palavra de Deus e de Jesus Cristo, nosso Salvador.
Os jovens procuram respostas, e, na maioria das vezes, seguem seus líderes" (GANGEL, Kenneth O; HENDRICKS, Howard, G.  Manual de Ensino para o Educador Cristão. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1999, p. 149).

SUBSÍDIO
"Por Jesus Cristo, somos libertos da antiga lei, para andarmos 'em novidade de vida' (Rm 6.4; veja também Jr 31.31-34). O que quer isso dizer? Que por estarmos livres da Lei, podemos viver como bem quisermos? Certamente que não! Significa que agora o Espírito de Cristo em nós habita e que a nossa nova natureza da parte de Deus está no controle. Esta nova natureza nada tem a ver com a satisfação de desejos maus ou egoístas; seu propósito e prazer é obedecer e agradar a Deus. A nova natureza possibilita ao crente obedecer a Deus e viver uma vida que agrada ao Senhor. [...]. Quanto mais o crente viver e andar segundo o Espírito, e tendo a Palavra de Deus como a sua regra de fé e modo de proceder, ele viverá vitoriosamente neste mundo, vitória esta sobre os adversários de nossa alma, a saber: o pecado, o mundo, nós mesmos (a carne) e o Diabo e seus poderes (veja Gl 5.16-18,25; Rm 8.1-16). [...] Resumamos o que isto significa: 1) A pessoa que é salva pela fé em Jesus Cristo e assim permanece já não está sob o jugo da lei do Antigo Testamento; 2) A partir de sua conversão a Cristo, o Espírito Santo passa a habitar no crente e lhe comunica uma nova natureza espiritual; 3) Enquanto o crente entrega incondicionalmente o controle de sua vida ao Espírito Santo, ele vive uma vida cristã vitoriosa sobre o pecado, o mundo, o Diabo e o 'eu'; 4) O que determina a conduta do crente doravante é o controle do Espírito sobre sua vida, à medida que ele o permite. Em Cristo, o crente, como nova criatura espiritual, não está mais sob o domínio da Lei, nem da velha natureza e suas inclinações" (GILBERTO, Antônio. O Fruto do Espírito: A plenitude de Cristo na vida do crente. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p. 148).

ESTANTE DO PROFESSOR
GILBERTO, Antônio. O Fruto do Espírito: A plenitude de Cristo na vida do
 crente.1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

CONCLUSÃO
Aprendemos que a justificação pela fé é uma doutrina bíblica que acertadamente exclui a necessidade de obras meritórias para a salvação do ser humano, porém não abre possibilidade para o antinomismo e precede a santificação. 

HORA DA REVISÃO
Conceitue a da doutrina da justificação pela fé.
A doutrina da justificação pela fé é o cerne da teologia paulina, utilizada especialmente quando em confronto direto com o ensino judaico ou dos judeu-cristãos, que defendiam que o homem encontra a graça de Deus quando cumpre a vontade divina por meio da lei judaica.

De acordo com a lição, qual é a situação final da pessoa que está condenado pela ira de Deus e reconhece o sacrifício vicário de Cristo e requisita sua justificação ao Supremo Juiz?
Aquele(a) que inicialmente estava condenado(a) pela ira de Deus, com a justificação é retirada a sentença divina (declarado justo), reconciliado com Deus gratuitamente, em Cristo.

Cite uma parábola de Jesus que demonstra que a lei e as obras são insuficientes para a justificação diante de Deus.
A parábola do fariseu e do samaritano (Lc 18.9-14).

Explique qual a diferença entre a justificação e a santificação (Paulo x Tiago).
A justificação se dá mediante a fé e acontece instantaneamente na conversão (ato estático), enquanto a santificação que vai sendo desenvolvida após a conversão (processo contínuo).

Por que Paulo utilizou a figura de Abraão para exemplificar a doutrina da justificação pela fé?
Porque o exemplo de Abraão demonstra que ele foi justificado antes da circuncisão e da lei, e sua fé constitui um protótipo da fé cristã, por crer incondicionalmente em Deus e no seu poder de ressuscitar.

Lição 6.07/02/2016 PRA JOVENS. BÊNÇÃOS DA JUSTIFICAÇÃO


Lição 6
07/02/2016
BÊNÇÃOS DA JUSTIFICAÇÃO 



TEXTO DO DIA
"Porque, se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida" (Rm 5.10).
SÍNTESE
A justificação por meio da fé é acompanhada de muitos benefícios, o que motiva o crente a manter sua fidelidade a Deus, independente das circunstâncias.


Agenda de leitura
Segunda – Rm 5.1
A justificação e a paz com Deus
Terça – Rm 5.2
Firmes pela graça de Deus
Quarta – Rm 5.3,4
A justificação proporciona gozo na alma
Quinta – Rm 5.5
A justificação nos garante esperança
Sexta – Rm 5.8
A justificação assegura a certeza do amor de Deus por nós
Sábado – Rm 5.11
A justificação certifica a nossa reconciliação com Deus

Objetivos

MOSTRAR as bênçãos da paz com Deus;
ANALISAR a bênção do regozijo na tribulações;
EXPLICAR a bênção da salvação passada e presente. 

Interação
Esta lição é um marco na epístola aos Romanos. A justificação traz consigo alguns benefícios que são concedidos por Deus, dentre estes benefícios está a bênção do regozijo nas tribulações, o que pode parecer contraditório para alguns. Há quem diga que não é uma bênção, mas uma apologia ao sofrimento. Por isso, a dificuldade de algumas pessoas lidarem com situações adversas, às quais todas as pessoas inevitavelmente estão sujeitas. Jesus afirmou que teríamos aflições (Jo 16.33). Um relato que alguns leitores da Bíblia têm dificuldade de entender é que logo após a ascensão de Jesus, os discípulos que foram perseguidos e maltratados pelo amor ao Evangelho se diziam alegres e glorificavam a Deus por se acharem dignos de sofrerem por amor ao nome de Jesus. Talvez, essa seja a maior dificuldade de aceitação para alguns, as demais bênçãos são mais fáceis de aceitação e entendimento.

Orientação Pedagógica
Sugerimos que nesta aula você separe três grupos. Cada grupo ficará responsável para analisar um dos tópicos e você atuará como orientador destes grupos. Nos grupos geralmente têm alguns líderes naturais que poderão conduzir a conversa nos respectivos grupos, você pode designar os líderes ou deixar que escolham entre si, o que seria mais apropriado. A primeira atividade será o estudo de cada tópico pelos grupos, você pode dar aproximadamente uns 15 minutos para a tarefa. Na sequência, cada grupo deverá apresentar seu assunto, abrindo para os demais para uma ponderação geral. Sugerimos utilizar algo em torno de 30 minutos para essa atividade. Você deverá ser o moderador da turma e fazer as considerações finais. O tempo sugerido serve apenas como referência, você deverá adaptar de acordo com o tempo disponibilizado pela sua superintendência de Escola Dominical. 

Texto bíblico
Romanos 5.1-11
1. Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo;
2. pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.
3. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência;
4. e a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança.
5. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado.
6. Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.
7. Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer.
8. Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.
9. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.
10. Porque, se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.
11. E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
A justificação se dá por meio da fé no poder regenerador da morte de Jesus. A partir deste momento, o cristão ressurge em novidade de vida de forma similar à ressurreição de Cristo. A justificação elimina a culpa e reconcilia o ser humano com Deus. Esta nova situação traz alguns benefícios, reforçados pelo correto sentimento motivador do amor de Deus, que não envergonha o crente na sua esperança e nem nos sofrimentos em nome dEle.

I - A BÊNÇÃO DA PAZ COM DEUS (Rm 5.1,2)
1. Paz com Deus. O ímpio não tem paz porque vive na prática do pecado (Is 57.21; Sl 73.3). Diferente da pessoa justificada, cujos pecados não lhe são mais imputados, portanto reconciliada com Deus (2 Co 5.18,19). Esta reconciliação traz a paz com Deus, pois o castigo ao qual estávamos condenados é imputado sobre Jesus, que nos traz a paz (Is 53.5). O sacrifício de Jesus derruba a parede que separa o ser humano de Deus (At 10.36; Ef 2.14), sendo "religado" (significado de religião) com Deus. Existe uma diferença entre estar em "paz com Deus" e ter a "paz de Deus". A paz com Deus é somente para aqueles que conservam sua vida em constante comunhão com Deus (Is 26.3; Jo 14.27; Fp 4.7). Diferente do incrédulo, o salvo vive no Espírito e, assim como o Espírito é eterno, eterna será a sua paz com Deus. Jovem, você está em paz com Deus?
2. A bênção do acesso à graça de Deus. Somente em Jesus pode ser evidenciada a gratuidade da justificação, pois somente Ele pode redimir o pecador de sua condição no tribunal de Deus (Rm 3.24). A vida de pecado é uma vida que conduz à morte, uma vida de opressão debaixo da culpa e da solidão espiritual, mas na justificação se aplica a justiça para a vida eterna por meio de Cristo (Ef 2.5-8, Rm 5.21). Semelhantemente à vitória de Cristo sobre a morte por meio de sua ressurreição, as pessoas justificadas vencem a morte que traz o pecado e ressurgem vivificadas juntamente com Cristo, tudo pela graça de Deus (Ef 2.6). Esta graça de Deus, acessada somente pela fé (Ef 2.18; Rm 4.12; Hb 4.16), fortalece o crente por não estar mais debaixo da lei, nem do domínio do pecado (Rm 6.14,15). Somos o que somos pela graça de Deus (1 Co 15.10), por isso devemos ser gratos a Ele por tudo. 
3. Esperança da glória de Deus. As pessoas justificadas são bem-aventuradas, pois nelas repousa a grande esperança da manifestação da glória de Deus (Tt 2.13). Muito diferente de uma pessoa que leva sua vida à margem da Bíblia, alimentada de alegrias e motivações efêmeras e passageiras. Os justificados são transformados de glória em glória (2 Co 3.18), ou seja, se tornam já participantes da glória de Deus como herdeiros juntamente com Cristo, para também com Ele serem glorificados (Rm 8.17). Esta é a grande diferença entre ser criatura e ser filho de Deus. A primeira condição é genérica, sendo característica natural de tudo e todos os seres criados, a segunda é somente para as pessoas que foram justificadas. A Bíblia informa que ainda não sabemos como haveremos de ser, mas clarifica que seremos semelhantes ao Cristo glorificado e adverte-nos a manter esta condição, possível somente por meio da manutenção da obediência (1 Jo 3.1-3). Jovem, guarda o que tens!

Pense
Jovem, você já pensou no valor de estar em paz com Deus?

Ponto Importante
A velocidade da disseminação do conhecimento, o consumismo acirrado e a valorização exacerbada do ter em detrimento do ser, têm tirado a paz da maior parte da humanidade. Enquanto isso, aquele(a) que é justificado(a) desfruta da paz com Deus, bênção da justificação pela fé. 

II - BÊNÇÃO DO REGOZIJO NAS TRIBULAÇÕES (Rm 5.3-5)
1. As tribulações conduzem à maturidade. No caminho para a glória, citado anteriormente (Rm 8.17), as tribulações são inevitáveis. Jesus não prometeu uma vida sem conflitos, mas afirma categoricamente que passaríamos por aflições (Jo 16.33). Ele não engana para ganhar seguidores. Na própria história do povo de Israel podemos ver as tribulações que serviram para a maturidade espiritual (Dt 8.15,16). Nossa caminhada não é diferente, Paulo assevera que as tribulações nos levam à perseverança, à experiência (caráter aprovado), e à esperança que não confunde. Portanto, quando você pede a Deus mais experiência e esperança, mesmo que inconscientemente, você está pedindo por mais aflições, que o levarão à experiência, que por sua vez lhe trará esperança. Um processo contínuo de causa e efeito. Tiago afirma que é motivo de alegria o passar por várias provações, pois por meio delas se obtém experiência, com vistas a alcançar a coroa da vida, prometida aos que amam a Deus (Tg 1.2-4,12).
2. O crente, nas tribulações, tem a certeza do amor de Deus. Um texto bem conhecido da epístola aos Romanos é o do capítulo 8, versículos 35-39. Neste texto vemos o apóstolo relacionar uma série de intempéries indesejáveis na vida de um ser humano, mas conclui que mesmo estas coisas não são suficientes para separar uma pessoa salva de Deus. Quantos exemplos existem na Bíblia de pessoas que abriram mão de praticamente tudo de valor que tinham ou poderiam ter, inclusive da própria vida, constrangidas pelo amor de Deus. Basta lermos Hebreus 11, na galeria dos heróis da fé, para constatarmos isto. Quem mantém sua fidelidade à Deus, independente das circunstâncias, pode perceber o amor de Deus, a exemplo do grande Mestre Jesus. Ele no Getsêmani, sentindo a dor do cálice a ser tomado, questiona este "abandono", mas ao final se submete à vontade de Deus por saber que tudo era por amor, inclusive sua morte.
3. O amor de Deus é provado pela morte vicária de Cristo. O Espírito Santo nos faz perceber o amor de Deus para conosco (v.5). Amor que pode ser evidenciado pela doação de Deus, mesmo sabendo que não tínhamos possibilidade de retribuir esse amor por sermos fracos (v. 6). O apóstolo afirma que morrer por alguém justo não seria considerado algo tão incomum (v. 7), pois ao longo da história há vários registros de pessoas que deram sua vida por uma pessoa amada, um líder carismático ou uma causa maior; mas um justo morrer pelos injustos pecadores, isso nunca havia sido visto. Por isso, a grande demonstração de amor de Deus pela humanidade é o fato de Cristo ter morrido por nós, "sendo nós ainda pecadores" (v.8). Devemos ter em mente este amor, principalmente nos momentos de tribulações, sabendo que muito maior sofrimento Jesus passou para que fôssemos justificados e participantes da glória presente e da glória que haveremos de ter.

Pense
"O justo tem paz em sua relação com Deus, mas aflição em sua relação com o mundo porque vive no Espírito" (Martinho Lutero).

Ponto Importante
A paz com Deus não significa ausência de conflitos e tribulações, mas ter paz mesmo nas adversidades. 

III - A BÊNÇÃO DA SALVAÇÃO PASSADA E PRESENTE (Rm 5.9-11)
1. A salvação no passado. Como é grande a satisfação de saber que um dia no passado tivemos o privilégio de experimentar a justificação mediante a fé em Jesus Cristo pregada por Paulo. O que seria de nós se não tivéssemos feito esta decisão? Onde nós estaríamos hoje?  Quem nós seríamos? Estaríamos vivos ou não? Certamente não seríamos melhores do que somos e, acima de tudo, continuaríamos na condição de pecadores, condenados ao julgamento da ira de Deus, na condição de inimigos dEle (v. 9; Rm 2.5; 3.5).   O apóstolo afirma que fomos reconciliados com Deus quando ainda éramos seus inimigos devido aos nossos pecados, mas fomos reconciliados gratuitamente, sem nenhuma condição prévia a não ser a fé em Jesus. Algumas pessoas se esquecem das bênçãos do passado. Seja grato a Deus e não se esqueça de nenhum de seus benefícios do passado. Esta lição veio para lembrar você disso, assim como os autores veterotestamentários, repetidamente fizeram com Israel.
2. A salvação no presente. Nos escritos do apóstolo Paulo fica evidenciada a gratidão pela mudança que o encontro com Cristo provocou em sua vida. A mudança deu a ele uma convicção que o ajudou a superar as dificuldades do dia a dia. Antes de conhecer a Cristo ele tinha uma posição privilegiada no ambiente judaico, uma posição almejada por muitas pessoas. Quando escreveu a Epístola aos Romanos, ele já não tinha mais aquele status, mas a experiência da justificação o libertou do domínio do pecado e deu-lhe a segurança que nunca havia conquistado com sua vida religiosa pregressa. A garantia da salvação presente e da comunhão com Deus proporcionavam ao apóstolo a convicção, pouco antes de sua morte, de ter combatido um bom combate e guardado a fé (1 Tm 4.6,7). Segurança garantida somente às pessoas, que por meio de uma vida devotada e de santidade, mantêm seu ideal de obediência e gratidão a Cristo.

Pense
O que leva as pessoas que já conheceram o Evangelho a abrir mão das bênçãos decorrentes da justificação?

Ponto Importante
A justificação pela fé não garante a salvação de uma vez por todas, mas traz benefícios que nos auxiliam a nos mantermos firmes nas promessas de Deus, gratos pela salvação, desfrutando e aguardando a glorificação definitiva com  Deus. 

SUBSÍDIO
Romanos 5
"Resumo do capítulo. O crente agora se posiciona num relacionamento único com Deus que promove uma nova perspectiva sobre toda a vida (5.1-5). Essa perspectiva tem a sua origem na convicção de que um Deus que estava disposto a abrir mão de seu Filho para enviá-lo a nós, sem dúvida, trabalhará em nós, agora que somos seus (vv. 6-11).
DESTAQUES
'Pois' (5.1). Como cristãos, todos nós nos deleitamos com o que Paulo está prestes a explicar, a dependência do sacrifício de Cristo por nós e nossa fé nele. 
Uma litania de bênçãos (5.1-5). Observar em especial: 1) a paz com Deus; 2) o acesso a Deus e à graça; 3) a alegria em nossas perspectivas futuras; 4) uma nova perspectiva sobre o sofrimento e, 5) uma esperança segura em Deus que paga dividendos presentes numa sensação contínua do seu amor por nós. Jamais despreze o verdadeiro cristianismo. O relacionamento com Jesus é como a mesa farta de um banquete, de uma festa que podemos usufruir aqui e agora" (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse Capítulo por Capítulo. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p. 741).

ESTANTE DO PROFESSOR
RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis
 a Apocalipse Capítulo por Capítulo. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

CONCLUSÃO
Nesta lição, aprendemos que a justificação, além de ser gratuita, traz consigo muitas outras bênçãos como a paz com Deus.

HORA DA REVISÃO
O que derruba a parede que separa o ser humano de Deus?
O sacrifício de Jesus derruba a parede que separa o ser humano de Deus (At 10.36; Ef 2.14), sendo "religado" (significado de religião) com Deus.

Qual o conselho dado por Tiago em Tiago 1.2-4,12?
Tiago nos aconselha a nos alegrarmos quando passarmos por várias provações, pois por meio delas obtém experiência, com vistas alcançar a coroa da vida, prometida aos que amam a Deus.

Segundo a Epístola aos Romanos, como Deus demonstrou seu amor pela humanidade?
A grande demonstração do amor de Deus pela humanidade é o fato de Cristo ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm 5.8).

Segundo a lição, quando um crente pede por mais experiência e esperança, o que na realidade ele está pedindo?
Quando o crente pede a Deus mais experiência e esperança, mesmo que inconscientemente, ele está pedindo por mais aflições, que conduzirão à experiência, que por sua vez lhe trará esperança. Um processo contínuo de causa e efeito.

Segundo a lição, o que proporcionava ao apóstolo a convicção de ter combatido um bom combate, pouco antes de sua morte?
A garantia da salvação presente e da comunhão com Deus proporcionava ao apóstolo a convicção, pouco antes de sua morte, de ter combatido um bom combate e guardado a fé (1 Tm 4.6-7).